<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710</id><updated>2011-10-06T12:22:15.881-07:00</updated><title type='text'>Fazendo Correr o Risco</title><subtitle type='html'>blog de Débora F. Lerrer, jornalista, Rio de Janeiro,  com reflexões sobre os mundo paralelos do Brasil</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>85</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-4685525404730724993</id><published>2011-10-05T18:13:00.000-07:00</published><updated>2011-10-05T18:13:24.841-07:00</updated><title type='text'>Antes e depois</title><content type='html'>Dificil entender qualquer experiência sem entrar na pele dela.&lt;br /&gt;Coisas sem, adquirem sentido. Uma música em uma época é sentida de outro modo quando uma experiência qualquer se associa a ela. E, depois, não se pode mais escutá-la impunemente.&lt;br /&gt;Um CD do Abba de músicas infantis foi o primeiro CD comprando tendo a filha que trazia na barriga em mente. Foi a minha mãe quem comprou. Curiosamente foi um disco deste grupo um dos meus primeiros. Daqueles comprados na loja, em um sábado de manhã, passeando com meu  pai. Foi em uma bela galeria do outrora garboso centro de Porto Alegre. E foi um momento onde eu expressei pela primeira vez meu gosto musical próprio. A minha música começou com o Abba. Na época, ainda não gostava de música em português. Não gostava de entender a letra. Só gostava da musicalidade da língua. &lt;br /&gt;Com a música brasileira, não dava. O sentido das palavras invadia minha imaginação. De certo modo, estragava o sem-sentido bom de só ir pela melodia e pelas palavras, divertidas porque sem sentido. Me divertia com o inglês e a música do Abba como uma criança pequenina se diverte jogar sons no ar, falar a sua linguagem própria, o seu "russo fluente".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-4685525404730724993?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/4685525404730724993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=4685525404730724993' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4685525404730724993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4685525404730724993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/10/antes-e-depois.html' title='Antes e depois'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-1804905151674130877</id><published>2011-10-05T16:38:00.000-07:00</published><updated>2011-10-05T16:38:44.752-07:00</updated><title type='text'>Os olhares</title><content type='html'>Os olhares expressam gerações. Creio que um pouco do que foi a caminhada da humanidade está  sempre no fundo do olhar das nossas crianças. Hoje vi um renomado cientista brasileiro, com nome estrangeiro, olho azul, reivindicar uma posição para o Brasil que a maioria dos brasileiros nem se empenha em construir. É que isso se constrói na vizinhança, no bairro, nos costumes comuns. Mas uma história feita na rapinagem, que sempre descartou  grandes contigentes de sua população dos benefícios de suas enormes riquezas comuns, não tem muita experiência com a generosidade que pensa em projetos futuros.&lt;br /&gt;Um olhar de um menino de rua, endurecido, que precisa se safar, é totalmente diferente do olhar de uma criança protegida por seus pais. Rompeu-se um elo. E fomos todos no ralo disso. &lt;br /&gt;E pensar que "menino de rua" é produto da Lei do "Ventre Livre".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-1804905151674130877?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/1804905151674130877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=1804905151674130877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1804905151674130877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1804905151674130877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/10/os-olhares.html' title='Os olhares'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7239917405222500680</id><published>2011-09-27T05:35:00.000-07:00</published><updated>2011-09-27T05:35:34.533-07:00</updated><title type='text'>Um registro importante</title><content type='html'>Ontem, minha filha completou 1 ano e 6 meses. Ou, tecnicamene, 18 meses. E ela marcou esse dia reconhecendo que fez "fifi". &lt;br /&gt;Ao contrário do que parece, ela se referiu ao número 2. &lt;br /&gt;Em suma, essa longa jornada que nós duas percorremos desde que ela saiu do meu ventre, desde que seu cordão umbilical foi cortado, rumo à sua autonomia enquanto ser humano, segue bem. &lt;br /&gt;As alegrias de uma mãe são feitas dessas coisas meio de bicho, meio de ser humano. Nós mulheres, quando somos saudáveis, temos que estar sempre "perto do coração selvagem" que pulsa em nós e que se revela profundamente na maternidade.&lt;br /&gt;Assim como qualquer mãe da natureza, o que nos deve agradar é justamente perceber que a cria está aprendendo a se virar em nosso  mundo, virando autônoma. &lt;br /&gt;E todos os bichinhos lutam para vencer essas provas, de alguma maneira ou de outra. Vou ter saudades, como percebo em todo mundo, da dependência total que ela tinha de mim. &lt;br /&gt;Mas como é regojizante perceber que ela está suave, doce e alegre, firme em seu caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7239917405222500680?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7239917405222500680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7239917405222500680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7239917405222500680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7239917405222500680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/09/um-registro-importante.html' title='Um registro importante'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-6054336923685628884</id><published>2011-09-01T20:11:00.000-07:00</published><updated>2011-09-01T20:11:11.135-07:00</updated><title type='text'>Bondes e Santa Teresa, 115 anos</title><content type='html'>O vazio das ruas de Santa Teresa sem os bondinhos é profundo. &lt;br /&gt;Mas estamos preenchendo isso, ocupando as ruas em seu nome.&lt;br /&gt;Os moradores descendo o morro e se aglomerando na Estação Carioca. Gritos de ordem  espontâneos, como tem sido espontânea a manifestação do bairro depois da tragédia do dia 27 de agosto. Ocupamos o Largo do Carioca. Aquele antigo lugar que viu toda a história dessa cidade passar nos viu hoje experimentando o fazer cotidiano da história. É bom sentir isso. A história não se acabou não!&lt;br /&gt;As propostas foram aprovadas por aclamação na Plenária do dia 31. &lt;br /&gt;É um privilégio viver em um lugar onde a nossa indignação se transforma em ação.&lt;br /&gt;E iremos, sim, adiante. Em nome de todas as vítimas e, particularmente, do Seu Nelson, que paira sobre nós com seu sorriso simpático, sua gentileza e seus indefectíveis suspensórios. &lt;br /&gt;Acho que hoje nós pudemos enfim expressar nossa indignação. Extravasamos, nos reconectamos... a rua, enfim, ainda pode ser o grande palco da esfera pública.&lt;br /&gt;Pois é nela que se processam os encontros e as marchas, as lutas.&lt;br /&gt;Quantos séculos demoramos para chegar aqui e reconhecer como o mais legítimo, sim, a voz que vem das ruas. Ruas também construidas em redes sociais. Por que, não? Eles pensam que golpes midiáticos podem no silenciar.&lt;br /&gt;Mas eles que nos aguardem. A primavera está chegando e com ela as energias vêm renovadas  para as novas e necessárias batalhas. Há com ela uma nova geração, brotando.&lt;br /&gt;Há algo, enfim, ressurgindo nessa cidade. Das cinzas do que foi outrora, creio eu.&lt;br /&gt;Mas, dessa vez, NO PASSARAN!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-6054336923685628884?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/6054336923685628884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=6054336923685628884' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6054336923685628884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6054336923685628884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/09/bondes-e-santa-teresa-115-anos.html' title='Bondes e Santa Teresa, 115 anos'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-1116406233012459487</id><published>2011-09-01T19:51:00.000-07:00</published><updated>2011-09-01T19:52:30.196-07:00</updated><title type='text'>Os desaparecidos do Rio de Janeiro</title><content type='html'>Publicado no site da Carta Capital - 31 de agosto de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte de Juan Moraes, aos 11 anos, durante uma operação policial na Favela Danon, em Nova Iguaçu, em junho, tornou-se um divisor de águas na política de segurança do Rio de Janeiro. Em pouco tempo entrou em duas estatísticas importantes: na de vítima de operação policial e na de desaparecidos que foram mortos.  Por um lado, a morte de Juan demonstrou as circunstâncias nada conformes dos “autos de resistências” registrados por alguns PMs. Mesmo uma perícia realizada oito dias depois revelou que, no local, só  havia balas das armas dos policiais. Com o escândalo, a Polícia Civil baixou uma portaria exigindo mais rigor nas investigações dos autos de resistência. Mas foi a ocultação do cadáver de Juan, que escancarou mais uma vez uma prática frequente no Estado do Rio de Janeiro: o desaparecimento de corpos, sinistra herança da ditadura militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Sérgio Cabral, o governador do Rio de Janeiro, comemora a redução de 11,4 % de homicídios no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010, o número de desaparecidos continua com números expressivos e crescentes. Aumentou de 2.643, em 2010, para 2.879, em 2011, ou seja  9%.  E nessa conta não entram os cadáveres e ossadas encontrados no estado, número que foi 329 em 2010 e 299 em 2011, a maioria dos quais enterrados como indigentes, sem sequer um cruzamento com os registros de desaparecidos. É por conta desses números que Antonio Carlos Costa, presidente do Movimento Rio de Paz  afirma: “Enquanto não houver esclarecimento dos casos de pessoas desaparecidas, qualquer afirmação em termos absolutos sobre redução de homicídio no Rio de Janeiro é chute”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidade do Rio de Janeiro, uma média de 200 pessoas por mês tem seus sumiços registrados nas delegacias. Embora cerca de 70% dos desaparecidos reapareçam, já que na categoria entram os jovens que fogem de casa e os idosos que se perdem na rua, Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, lembra também que muitos desaparecidos não são registrados. “A gente conhece muitos casos de favelas nas quais uma pessoa foi morta, o corpo não foi encontrado, mas a família não registra por medo da polícia, porque já sabe que as vítima morreu e não tem expectativa de encontrar a pessoa com vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lavrador Áureo Neves, de 66 anos, perdeu três de seus filhos entre 2005 e 2006. O mais velho, Eduardo, de 33 anos, trabalhava na Comlurb, e o mais novo, Áureo Filho, com 16 anos, o ajudava  a criar porcos em seu sítio na estrada Grajaú-Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Ambos morreram  em supostos confrontos com a polícia.  Do primeiro, Áureo, diz que se envolveu com drogas e que os policiais “cismaram que ele era o dono da boca”. Segundo testemunhas, foi executado depois de ferido na perna no dia 15 de setembro de 2005. Do segundo, afirma, “o envolvimento dele era com namoradinha do morro”. Diz que sua morte foi pura covardia. Voluntário na Brigada de Paraquedistas, em 1964,  viu que o tiro na cabeça do filho foi dado de cima para baixo e pelas costas. Desses, pelo menos, teve o corpo. Já de Leandro, nem isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este filho, segundo Áureo, realmente lhe deu “dor de cabeça”. Cumpria condicional por roubo. No dia 28 de novembro de 2006, a mulher dele, Danielle Fontes, saiu da creche onde trabalhava, em Lins de Vasconcelos, após um telefonema do marido. Leandro tinha sido ferido por policiais em Quintino. Nunca mais ambos foram vistos. Atrás do filho e da nora, chegou a brigar na delegacia, pois lhe repetiam que seu filho era bandido. “Pobre não consegue nada. É um aborto da natureza. Não pode constituir advogado, não pode nem estar ali direto na delegacia.”  Tanto Áureo como a filha do casal, então com 4 anos, tiraram sangue para checar o DNA com corpos encontrados, mas nas duas únicas checagens deu negativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A categoria “desaparecido” entrou no vocabulário da violência no Brasil através dos presos políticos, a maioria dos quais, filhos de famílias da classe média, se organizam em grupos como o “Tortura Nunca Mais”e mantêm a boca no trombone desde a redemocratização do país. São ao todo 379 desaparecidos políticos no Brasil, presumidamente mortos pela repressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Instituto de Segurança Pública realizou uma pesquisa sobre desaparecidos pós-ditadura em cima das ocorrências registradas do ano de 2007. De acordo com os dados coletados com uma amostra contatada por telefone, concluiu-se que cerca de 71,3% dos desaparecidos haviam reaparecido vivos, 14,7% não reapareceram; 6,8% reapareceram mortos, 4,4 % não obteve informação; e 2,9% tiveram seu registro de desaparecimento não confirmado pela família.  Fazendo uma estimativa com o índice – considerado subestimado -  de 6,8% de desaparecidos comprovadamente assassinados em relação ao universo dos casos registrados de 2000 a junho de 2011,  que é a cifra de 54.479, daria 3.704 casos,  praticamente dez vezes a mais de vítimas do que no tempo da ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em zonas como a Baixada Fluminense, a ida a uma festa pode significar  risco para jovens como Fábio Eduardo Santos de Souza, então com 20 anos. No dia 9 de junho de 2003, ele e Rodriguo Aubílio,  de 19 anos, foram vistos pela última vez depois de deixarem uma amiga em casa, após uma festa junina. Segundo sua mãe, Izildete Santos da Silva, de 60 anos,  testemunhas viram ambos levando uma “dura” de policiais e sendo colocados no camburão. Em busca por Fábio desde esse dia, Izildete chegou a escutar na delegacia para  “não se preocupar” que ele devia ter ido “trabalhar para a Petrobras”.  Três meses depois, outro filho, Wallace, então com 16 anos, foi pego durante a inauguração de uma discoteca. Dessa vez, no meio da madrugada, vieram lhe avisar e ela saiu correndo atrás de seu paradeiro. Este, conta ela, foi despido, estava de joelhos em um terreno baldio, quando seus algozes  mandaram-no correr.  Foi solto, relata ela,  porque um “bêbado” notório na região testemunhava a  cena. Este levou Walace para casa, deu-lhe uma bermuda, mandou-o embora dali e depois sumiu da região. A peregrinação de dona Izildete pelo filho lhe acarretou ameaças à sua vida e à de seu filho “especial”, que depois do sumiço do irmão “Iba”, que cuidava dele, nunca mais voltou a andar e a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pesquisador Fábio Araújo, que faz doutorado na UFRJ em cima desse tema, aponta que o desaparecimento de corpos de pessoas assassinadas é uma prática comum “no repertório da violência urbana” do Rio de Janeiro. Esses casos não são geralmente investigados porque “se não há corpo, não há crime”, como dizem delegados e policiais. Além disso, segundo ele, a maior parte dessas vítimas são pobres,  moram em territórios dominados pelo tráfico ou pela milícia e se sentem intimidados na delegacia.  Agora, dona Izildete, que conhece pelo menos um dos policiais que abordaram o filho, luta para desarquivar o caso, encerrado por falta de provas em 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morte sem fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto algumas mães levam suas denúncias adiante apesar das ameaças, algumas famílias ainda temem pela integridade de seus membros quando seus casos são  divulgados. Não é um medo vão. Basta lembrar que Edméia da Silva Euzébio, uma das famosas “Mães de Acari”, foi assassinada em  1993, quando fazia uma investigação paralela da morte do filho, Luiz Henrique Euzébio, de 17 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o caso de Jaqueline,[1] cujo filho, Mateus, sumiu em Ramos, Zona Norte do Rio, no dia 9 de dezembro de 2006. Foi visto pela última vez na entrada da vila onde ficava a quitinete do amigo, Anderson.  Mateus era vistoriador de contêineres no porto. Tinha 23 anos, era casado e tinha um filho de  4 anos.  Naquele dia, Jaqueline tinha  falado várias vezes com o filho ao telefone. Ambos estavam trabalhando e combinaram ir ao shopping fazer “umas comprinhas de fim de ano”. No final do dia, depois de um desencontro entre os dois, Jaqueline, cansada, resolveu ir para a casa sem a esticada no shopping. Em seu último contato com o filho, ele estava na casa da avó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, atrás de seu paradeiro, soube que “teve um problema lá”, na casa de Anderson. A quitinete, que até o dia anterior era mobiliada, estava vazia e com o chão lavado. Encontrou uma amiga deles ferida e com medo. Ouviu que “uns encapuzados”  pegaram Mateus e o amigo e os torturaram. Concluiu que foram mortos  por milicianos que aterrissaram em Ramos, 15 dias antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe buscou notícias do filho em todos os hospitais, nos batalhões, na delegacia por semanas. “Não tem um dia em que eu não chore por ele”, diz ela. Quase dois meses depois, no dia 23 de janeiro, apareceu um corpo de um rapaz branco no Piscinão de Ramos. Ela só pôde reconhecê-lo por fotografia e no computador. O marido conseguiu ver a marca da bermuda do corpo, justamente a que Mateus gostava de vestir.  Quando levou a cópia de  arcada dentária do filho, então perfeita,  para fazer a comparação, a perita descartou de imediato, dizendo que  faltava um dente da frente na arcada do corpo. “É estranho jovem hoje em dia sem o dente da frente”, desconfiou ela. Sentia que podia ser o filho, queria um exame de DNA  ou pelo menos o acesso à sua arcada dentária,  mas não conseguiu impedir que fosse enterrado como indigente. Trâmites burocráticos difíceis de cumprir em 72 horas, para quem não tem dinheiro para pagar um bom advogado. Mais tarde, no mês de maio, conseguiram, através da defensoria pública, um levantamento de todos os corpos de indigentes enterrados  naquele período. Jaqueline tinha o Boletim de Ocorrência do encontro do corpo que julgava ser de seu filho, com o registro de 021-0558/2007. Ao ser transferido para o IML, o corpo passou a ser identificado como corpo da “guia 23”, da 21 DP. No levantamento, o “homem guia 23/21 DP”   tinha falecido em 7 de fevereiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de ser uma morte sem fim, já que não há corpo, sepultura e um momento específico para o luto,  um desaparecido que nunca vai voltar, como Mateus,  gera uma série de desgastes civis para suas famílias. Sem atestado de óbito,  foi demitido por justa causa, sem direito à indenização. Seus dependentes ficaram anos sem direito à pensão nem ao seguro de vida.  O carro, com mais da metade das prestações pagas – cuja propriedade seria de Mateus em caso de morte – ficou perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Marcelo Freixo, acredita que o número dos desaparecidos no Rio de Janeiro tem aumentado nos últimos anos em razão do advento das milícias.  Os números do Instituto de Segurança Pública corroboram essa tese. Há um crescimento expressivo do número de desaparecimentos nas Zona Norte e Oeste do Rio de Janeiro, onde há notória presença de milícias,  se comparados os dados entre 2006 e 2010. Na Zona Norte, o número aumentou 16%, saindo de 843, em 2006, para 979, em 2010.  Já na Zona Oeste o salto é ainda mais expressivo: foram 638 desaparecidos em 2006 e 1.038 em 2010, ou seja um aumento de 62,5 %.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurício Campos, do Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, explica que entre 2006 e 2008 houve a implantação das milícias  nessas regiões e a prática de extermínio é geralmente usada como “moeda de troca dos grupos mafiosos na hora de se impor territorialmente”.  Embora o desaparecimento de corpos  possa ser vinculado a três atores: o tráfico, a polícia e a milícia, para Campos, é difícil separar as duas últimas categorias, pois geralmente miliciano é o policial sem farda, em seu bico nas  horas de folga. Essa dupla jornada tem sua origem na ditadura militar, nos grupos de extermínio pára-oficias, como o Esquadrão da Morte, que faziam o trabalho sujo e iam embora. “Agora a novidade é a presença territorial constante das milícias.” Para ele, a diminuição dos “autos de resistência”,  que caiu 25% de janeiro a junho de 2011, se comparado a 2010,  pode encobrir esses crimes, pois a política de extermínio continua. “Estes policiais deixam de registrar autos de resistência fardados e vão praticar o desaparecimento sem farda, sequestrando e sumindo com os corpos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Ignácio Cano, é necessário ter mais evidências  para se fazer uma conclusão nesse sentido. Concorda que quando a milícia entra em um território há um maior índice de assassinatos, mas acha que não dá para atribuir às milícias o aumento recente do número de desaparecidos. “Eles não precisam matar tanto depois de controlar o território. Teríamos que encontrar uma explicação de porque a milícia agora está sumindo com os corpos.” Cano inclusive tende a acreditar que a milícia mata menos do que o tráfico  porque não precisa estar em disputa constante de território e não troca tiro com a polícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-1116406233012459487?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/1116406233012459487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=1116406233012459487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1116406233012459487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1116406233012459487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/09/os-desaparecidos-do-rio-de-janeiro.html' title='Os desaparecidos do Rio de Janeiro'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-483351707186054262</id><published>2011-08-12T05:06:00.001-07:00</published><updated>2011-08-12T05:06:20.327-07:00</updated><title type='text'>Corrupção</title><content type='html'>A corrupção no Brasil tem a ver com os "espelinhos". Sempre há um representante nacional para, em troca de uns 10%, abrir caminhos institucionais para que uma quadrilha se aproprie de contratos governamentais. Também sempre há um tipo desses para abirr caminho para a vinda de uma multinacional para ela produzir "espelinhos" com vários incentivos do Estado e vendê-los para a gente mesmo... enviando uma boa remessa de lucros para o exterior. O problema é que essa corrupção tem vários níveis. Da raia miúda à graúda. Mas sempre vale os 10%..&lt;br /&gt;Quando a gente começar a estigmatizar o próximo que anda envolvido nisso, , assim como a gente estigmatiza os políticos e membros do governo que fazem isso... é que a coisa vai mudar.... E outra coisa: ainda tem que se levalntar o grau de corrupção que girou em torno da alteraçao do modal de transporte ferroviário para rodoviário no Brasil. Só um pais insano abre mão de uma infra-estrutura, como a ferroviária, que demorou décadas para ser construída....para adotar um novo, que foi, por sinal... muito bom para as multinacionais que estavam se instalando no Brasil. Se os mandatários no país há algumas décadas não fossem tão corruptos e entreguistas... seríamos uma potência sem igual no mundo. Somos um país riquíssimo... mesmo espoliado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-483351707186054262?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/483351707186054262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=483351707186054262' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/483351707186054262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/483351707186054262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/08/corrupcao.html' title='Corrupção'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-2612513784525902759</id><published>2011-08-02T17:00:00.000-07:00</published><updated>2011-08-02T17:00:20.177-07:00</updated><title type='text'>O espelinho: a forma como o gringo continua a entrar no Brasil</title><content type='html'>O espelinho, na forma de produtos e tecnologia, vendida para a indústria brasileira geralmente tem um representante local. Ele, com suas articulações... ganha exclusividade e cria uma necessidade, geralmente ajudado por investimentos públicos.&lt;br /&gt;Essa é história por trás da Indústria Automobilística no Brasil. Talvez seja a história por trás da vinda de grandes indústrias multinacionais, sempre recheada com alguma dose de corrupção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-2612513784525902759?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/2612513784525902759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=2612513784525902759' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2612513784525902759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2612513784525902759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/08/o-espelinho-forma-como-o-gringo.html' title='O espelinho: a forma como o gringo continua a entrar no Brasil'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5908543397362419864</id><published>2011-07-31T16:09:00.000-07:00</published><updated>2011-07-31T16:09:39.116-07:00</updated><title type='text'>MESTIÇAGEM</title><content type='html'>Curioso esse nuereguês, com sua eficácia assassina, tenha citado a maior qualidade do Brasil como uma das razões de sermos um país "desfuncional". &lt;br /&gt;Vinha pensando em escrever sobre a mestiçagem desde que vi o filme "Incêndios".  Sim, porque naquele filme toda a tragédia começou porque um muçulmano e uma cristã libaneses não podiam e, creio eu não podem ainda, se apaixonar, casar e ter filhos. os Aquele caldeirão de aldeias de cristãos ortodoxos russos, cristãos maronitas, muçulmanos xiitas, muçulmanos sunitas vive sem se misturar!!!!&lt;br /&gt;E o pior: eles devem achar assim o jeito certo. Ou seja, o problema da pureza racial e cristã defendida pelo branquelo noruegues e sua turma espalhada pela Europa também existe no Oriente Médio, mas lá o problema é o da religião porque todo mundo lá e mais ou menos semita....não ia colar...&lt;br /&gt;Acho que o grande valor da sociedade brasileira vem disso. Essa é a nossa característica que faz eu acreditar sim em uma espécie de nossa "missão civilizatória brasileira" para com o mundo. Sim, pode parecer exagero, porque obviamente não deixamos ainda de ser racistas. Mas somos tão misturados, tão sem crises por conta de religiões, por conta de purezas culturais estúpidas...É aí que eu coloco esperanças de superação... Temos um problema sério de classe. Também pudera com tão poucos tendo tanto. Mas chegando a esse nó e resolvendo, inicialmente com a tal reforma agrária, daríamos um banho no mundo e nesses branquelos com sua eficácia assassina, sua racionalidade instrumental estúpida. &lt;br /&gt;Xôo branquelos! Até parece que vcs não são mestiços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5908543397362419864?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5908543397362419864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5908543397362419864' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5908543397362419864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5908543397362419864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/07/mesticagem.html' title='MESTIÇAGEM'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-863711221372502051</id><published>2011-07-18T16:45:00.000-07:00</published><updated>2011-07-18T16:45:50.380-07:00</updated><title type='text'>Dar-se  conta</title><content type='html'>Interessante ler Caetano falar da nossa imprensa entranhada na oligarquia e de sua preferência pela herança de Getúlio em detrimento do udenismo. O bom dos microfones amplificados de pessoas como Caetano é que o óbvio estridente não-dito passa a ser dito. E sem lugar-comum.&lt;br /&gt;Nem sempre precisamos concordar com ele. Mas é bom ser convidado a ver através de sua perspectiva.&lt;br /&gt;A arena pública é realmente importante. Mas nem sempre no Brasil ela é arejada. Aliás, quase sempre é sufocada pelos golpes midiáticos usuais. O falar de tanta coisa se falar de nada. Do essencial. Da natureza oligárquica da nossa sociedade. Do fato de que os 0,001% da população, as 5.000 famílias que controlam 40% do PIB do Brasil se conhecerem, se articularem bem e organizarem para que tudo continue como está. Para que as mudanças que ocorrem no Brasil não afetem o fato de que este país continental funciona em função dos interesses deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-863711221372502051?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/863711221372502051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=863711221372502051' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/863711221372502051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/863711221372502051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/07/dar-se-conta.html' title='Dar-se  conta'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-1234723147764814191</id><published>2011-07-04T06:54:00.000-07:00</published><updated>2011-07-04T07:11:29.001-07:00</updated><title type='text'>Um dia</title><content type='html'>Dia Primeiro de Julho foi um dia significativo para mim. Comecei-o em uma manifestação em homenagem ao jovem turista francês que caiu do bondinho nos Arcos da Lapa. Homenageamos Charles Damien Pierson  com 24  balões brancos pelos 24 anos de sua vida, ceifada de modo absurdo no dia 24 de junho, uma semana antes.&lt;br /&gt;Ao vermos os balões brancos sumindo no céu azul do Rio de Janeiro, todos experimentamos essa coisa inefável que  chamo de transcendência. É nesses momentos que sentimos sermos partes de algo maior, imensamente humano, que se manifesta na reunião em torno de algo comum, por ritualizarmos um acontecimento triste, mas imprimindo um sentido coletivo a ele. Não era só a tragédia que acometeu a família desse rapaz. Seus amigos. É uma tragédia que tem a ver com todos nós que corremos esse risco. Que lutamos incessantemente para que ele não exista. Não a esse ponto!&lt;br /&gt;Depois voltamos para o nosso cotidiano,  esse que nos absorve a todos, mas acho que mais inteiros.  &lt;br /&gt;Voltei para a minha vida doméstica, mas depois de escutar um trecho do Hino Nacional e da Marselhesa ao lado daquela que é talvez a construção mais antiga do Rio de Janeiro, os Arcos da Lapa, nada deixaria de ser transcendente.&lt;br /&gt;Muitos moradores de Santa Teresa não têm carros e, fazer grandes compras em um supermercado na Rua Riachuelo pode significar ir de táxi. Mas, curiosamente, no caixa, encontrei uma vizinha do bairro. Lembrava dela por causa de sua cachorrinha que encantava o meu nobre Pituca. Conversamos sobre eles. A sua mascote também tinha morrido. E,obviamente, rachamos o transporte para vir para cá. Não nos conhecíamos. Nunca tínhamos conversado. Mas o viver em comum em uma determinada localizada nos aproximava.&lt;br /&gt;Em casa, enviei fotos para a jornalista do Portal da Record que tinha me ligado em pleno supermercado, sem caneta.  Horrível andar sem caneta. Devo ter feito um escândalo no supermercado, pois falo alto pelo telefone. Mas o esforço valeu. Publicaram a notícias e as fotos. Também no site do Globo. &lt;br /&gt;E a  transcendência continuou nesse dia. Peguei minha filhota na creche. Dormiu sozinha. Raro. Ajudei-a  com a presença. Não com meu leite. É tão bom ver ela crescendo bem. Mas essa tarde eu tinha que dar a última dose da vacina chata. A que pode ficar dolorida e dar febre. Uma tortura para as mães. &lt;br /&gt;Como ela dormiu bem à tarde, fomos quase as últimas a chegar no Posto de Saúde. A enfermeira sempre com cara de poucos amigos. E, pior, a fofa se lembrou dela.  Chorou antes, mas se conformou. Eu, sério, rezei. E fiquei dizendo na hora da temível picada. “Não vai doer. A enfermeira tem mão boa!”. O choro, o grito veio.   Mas foi breve. A pequena é durona. &lt;br /&gt;Não gostei do resultado. Achei sua perna marcada quando fui checar na pracinha,durante o passeio-presente pelo incômodo da vacina.&lt;br /&gt;Mas como era efetivamente um belo dia, Agatha passou incólume. E eu terminei esse dia com a minha mão em cima do coraçãozinho dela, enquanto ela pegava no sono, sentindo-me uma mulher muito, muito antiga. O bater do coração dela me transportou para muito longe. Depois me lembrei que a Clarice Lispector é quem me ensinou essa sensação em uma crônica que ela descreve seu filho comendo um picolé de chocolate. Nesses momentos a gente tem uma compreensão intensa e feliz da vida. Afinal, felicidade são esses bocados de transcendência que a gente experimenta de vez em quando. Quando tudo faz sentido. E é no viver juntos, na luta do mundo da vida que a gente consegue efetivamente transcender, ter uma visão holística de nossos gestos cotidianos.  Isso se  intensifica quando  ritualizamos, imprimimos sentido ao sem sentido, mas não centrados em nós mesmos, mas nos Outros. No Outro íntimo e no Outro coletivo. &lt;br /&gt;Quando, enfim, saímos do nosso umbigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-1234723147764814191?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/1234723147764814191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=1234723147764814191' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1234723147764814191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1234723147764814191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/07/um-dia.html' title='Um dia'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8533044727161069165</id><published>2011-07-02T09:28:00.000-07:00</published><updated>2011-07-04T06:56:26.656-07:00</updated><title type='text'>Mulheres no Brasil</title><content type='html'>Acho que a forma como a mulher é tratada no Brasil é produto da lascívia portuguesa com a naturalidade indígena. Sim, porque como os índígenas brasileiros, vivemos com nossos corpos expostos. Mas, se as índias  falam e pensam o tempo todo naquilo...e mantêm uma sexualidade aparentemente mais livres, seus corpos não expressam esse apelo, mesmo nus. Elas não expõem seus corpos como o fazem as mulheres da chamada "sociedade nacional",  com o tapa-mostra sensual do corte, por exemplo, dos biquinis cariocas. Basta vc pensar na tecnologia que está por trás deles. E basta compará-los com os biquines usuais das estrangeiras que percorrem nossas praias.&lt;br /&gt;Talvez não haja país onde se exponha de maneira mais intensa o corpo de suas mulheres como o Brasil.&lt;br /&gt;E, no entanto, isso não significa maior emancipação para o gênero feminino, dado o número alarmante de estupros: uma mulher a cada minuto. &lt;br /&gt;É que aqui, a lascívia portuguesa e o naturalismo indígena expôs o corpo das mulheres, mas não venho com qualquer antídoto ao  machismo atávico dos homens brancos, que geralmente considera o corpo da mulher um território a ser explorado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8533044727161069165?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8533044727161069165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8533044727161069165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8533044727161069165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8533044727161069165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/07/mulheres-no-brasil.html' title='Mulheres no Brasil'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-563012963721377140</id><published>2011-07-02T09:00:00.001-07:00</published><updated>2011-07-02T09:00:11.110-07:00</updated><title type='text'>Carta Manifesto da Marcha das Vadias de Brasília</title><content type='html'>Por que marchamos?&lt;br /&gt;Em Brasília, marchamos porque em apenas cinco meses foram 283 casos registrados de mulheres&lt;br /&gt;estupradas, média de duas estupradas por dia, e sabemos que há várias mulheres e meninas abusadas&lt;br /&gt;todos os dias; marchamos porque muitas de nós dependemos do precário sistema de transporte público do&lt;br /&gt;Distrito Federal, que nos obriga a andar longas distâncias sem qualquer segurança ou iluminação para&lt;br /&gt;proteger as várias mulheres que são violentadas ao longo desses caminhos.&lt;br /&gt;No Brasil, marchamos porque cerca de 15 mil mulheres são estupradas por ano, e, mesmo assim nossa&lt;br /&gt;sociedade acha graça quando um humorista faz piada sobre estupro. Marchamos porque nos colocam&lt;br /&gt;rebolativas e caladas como mero pano de fundo em programas de TV e utilizam nossa imagem semi-nua&lt;br /&gt;para vender cerveja como se fossemos o próprio objeto de consumo; marchamos porque vivemos em uma&lt;br /&gt;cultura patriarcal que aciona diversos dispositivos para reprimir a sexualidade da mulher, nos dividindo e&lt;br /&gt;nos rotulando em “santas” ou “putas”; marchamos porque a mesma sociedade que explora a publicização&lt;br /&gt;de nossos corpos se escandaliza quando mostramos o seio em público para amamentar nossas filhas e&lt;br /&gt;filhos; marchamos porque durante séculos as mulheres negras escravizadas e estupradas pelos senhores&lt;br /&gt;são hoje empregadas domésticas e continuam sendo estupradas pelos patrões. Marchamos porque todas as&lt;br /&gt;mulheres, de todas as idades e classes sociais, sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo da&lt;br /&gt;vida, seja simbólica, psicológica, física ou sexual.&lt;br /&gt;No mundo, marchamos porque desde muito novas somos ensinadas a sentir culpa e vergonha pela&lt;br /&gt;expressão de nossa sexualidade e a temer que homens invadam nossos corpos sem o nosso consentimento;&lt;br /&gt;marchamos porque muitas de nós somos responsabilizadas pelo estupro, quando são os homens que&lt;br /&gt;deveriam ser ensinados a não estuprar; marchamos porque mulheres lésbicas sofrem o chamado “estupro&lt;br /&gt;corretivo” por parte de homens que se acham no direito de puni-las para corrigir o que consideram um&lt;br /&gt;desvio sexual; marchamos porque ontem um pai abusou sexualmente de uma filha, porque hoje um&lt;br /&gt;marido violentou a esposa e, nesse momento, várias mulheres e meninas estão tendo seus corpos invadidos&lt;br /&gt;por homens sem seu consentimento, e todas choramos porque sentimos que não podemos fazer nada por&lt;br /&gt;nossas irmãs agredidas e mortas diariamente. Mas podemos.&lt;br /&gt;Já fomos chamadas de vadias porque usamos roupas curtas, já fomos chamadas de vadias porque&lt;br /&gt;transamos antes do casamento, já fomos chamadas de vadias por dizer “não” a um homem, já fomos&lt;br /&gt;chamadas de vadias porque levantamos o tom de voz em uma discussão, já fomos chamadas de vadias&lt;br /&gt;porque andamos sozinhas e fomos estupradas, já fomos chamadas de vadias porque ficamos bêbadas e&lt;br /&gt;sofremos estupro enquanto estávamos inconscientes, por um ou vários homens ao mesmo tempo, já fomos&lt;br /&gt;chamadas de vadias quando torturadas e curradas durante a ditadura militar. Já fomos e somos&lt;br /&gt;diariamente chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.&lt;br /&gt;Mas, hoje, marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredir. Se, na&lt;br /&gt;nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓS SOMOS VADIAS. E somos&lt;br /&gt;todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! Somos livres de rótulos, de estereótipos e de&lt;br /&gt;qualquer tentativa de opressão masculina à nossa vida, à nossa sexualidade e aos nossos corpos. Estar no&lt;br /&gt;comando de nossa vida sexual não significa que estamos nos abrindo para uma expectativa de violência, e&lt;br /&gt;por isso somos solidárias a todas as mulheres estupradas em qualquer circunstância, porque tiveram seus&lt;br /&gt;corpos invadidos, porque foram agredidas e humilhadas, tiveram sua dignidade destroçada e muitas vezes&lt;br /&gt;foram culpadas por isso. O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos mais básicos de toda&lt;br /&gt;mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hoje e marcharemos até que todas&lt;br /&gt;sejamos livres.&lt;br /&gt;Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, putas, santas, vadias...todas merecemos respeito!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-563012963721377140?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/563012963721377140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=563012963721377140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/563012963721377140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/563012963721377140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/07/carta-manifesto-da-marcha-das-vadias-de.html' title='Carta Manifesto da Marcha das Vadias de Brasília'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-6311019041437397165</id><published>2011-06-21T10:25:00.000-07:00</published><updated>2011-07-02T08:58:37.530-07:00</updated><title type='text'>Amast e o Santa Música</title><content type='html'>A Amast (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa)  vem sendo acusada recentemente de ser "egoísta", "opaca", ditatorial, etc. por ter contribuído para o cancelamento do Festival Santa Música. &lt;br /&gt;A pergunta é: recebemos esse qualificativo por que não somos a favor do "vale tudo"?&lt;br /&gt;Como o evento se auto-denominava "culturalmente sustentável",  seus   produtores  citaram nominalmente o apoio da Amast no projeto que enviaram ao Minc em março para captar recursos.Só não se deram ao trabalho de nos consultar nem informar. Logo, obviamente, nunca receberam nosso apoio. Nossa postura foi:  logo que soubemos das características do evento.. no final do mês de MAIO, fomos consultar as bases...  Na verdade, informar as bases, os vizinhos.&lt;br /&gt;A gente, em suma,  resolveu ser prudente,  responsável e DEMOCRÁTICA.. Informamos e preocupados. Beth, nossa presidente, solicitou informações da prefeitura, para saber se a "infra" necessária para um evento que traria 30 mil pessoas a Santa Teresa estaria garantida, mas não recebemos respostas... .&lt;br /&gt;Informamos aos vizinhos e começamos  a acolher as posições das pessoas. Ou seja: escutamos a população interessada. A população que representamos.&lt;br /&gt;A maior parte desta  população reclama. Cinquenta e duas dessas pessoas a serem atingidas pelo evento - vai ver por viverem nas cercanias dos palcos  - entram em contato com o Ministério Público, com a ouvidoria da Prefeitura, etc. Em suma, dada uma coisa cara à democracia: as vozes da rua, representando isso,  tomamos algumas atitudes.  Não somos nós que decidimos pelas pessoas. Somos uma associação. Representamos pessoas... Se essas pessoas, moradoras do bairro, tem uma visão "opaca" e "egoísta", sinto muito D. Natacha, mas é isso mesmo.  O morador não é necessariamente um empresário arrojado... E ele querer ter direito de ir e vir onde mora é um direito, não é?&lt;br /&gt;Sinto muito pelos jovens motivados e treinados... Mas  a questão deles  efetivamente não se resolveria nesse evento.&lt;br /&gt;Bom, é importante frisar que não somos o Poder Público!&lt;br /&gt;E mais do que isso, as experiência que temos nos informam que quando o interesse privado dos  economica e/ou politicamente poderosos quer se valer... tanto faz se existem leis ou não. Diante disso é que se reunem pessoas para fazerem manifestações de massa, para provocar visibilidade... para expor o que a maioria deseja, já que os  os poderosos possuem canais de vários tipos de contato com o poder. E  valem-se disso para obter seus privilégios e  para imporem sua visão de mundo.&lt;br /&gt;Disseram que haveria uma  manifestação musical aqui em Santa Teresa no domingo. Pois eu gostei da idéia de que o pessoal incomodado com o cancelamento do festival tivesse vindo aqui com sua  música nas garagens, nas ruas, sem palcos e grandes aparatos. Vi no meu percurso de domingo um casal tocando violão no sol do fim de tarde, na frente de uma garagem. O bairro estava cheio, como tem sido em todos os fins de semana, mas sem os LOGOS das empresas patrocinadoras, que se aproveitam de espaços públicos para fixar sua marca......&lt;br /&gt;Músicos! Sejam bem vindos! Mas sem poluição  visual!&lt;br /&gt;E é sempre bom respeitar direitos adquiridos, né?&lt;br /&gt;E espero que não entrem  nessa de direcionar seu protesto contra uma comunidade, que têm, sim, o direito de se insurgir contra o poder público irresponsável e o interesse financeiro e profissional de algumas pessoas que, ok, querem ganhar dinheiro,  mas que aqui  no pasaran às custas do sossego daqueles que  tinham o efetivo direito de serem escutadas ANTES, bem antes do anúncio do festival.&lt;br /&gt;Aí, quem sabe, até a maioria concordaria com o projeto, né?&lt;br /&gt;Mas, 12 palcos de música e  30 mil pessoas guela abaixo, não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Débora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-6311019041437397165?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/6311019041437397165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=6311019041437397165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6311019041437397165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6311019041437397165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/06/amast-e-o-santa-musica.html' title='Amast e o Santa Música'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7996036895041178479</id><published>2011-06-06T18:18:00.000-07:00</published><updated>2011-06-06T18:18:09.123-07:00</updated><title type='text'>Luta pela terra na Globo</title><content type='html'>O bom do jornalismo é que a saia justa chega mesmo para aqueles que defendem a liberdade de imprensa desde que não se abordem certos temas. Certos eventos obrigam explicações.  Quatro trabalhadores rurais assassinados no Pará em 15 dias empurra os holofotes para o Pará e para os nosso mal resolvido problema agrário.&lt;br /&gt;Os holofotes, enfim, se voltam  para a luta pela terra em um estado bang-bang.&lt;br /&gt;A irrelevância social de um tema profundamente aterrador e relevante para o país volta a ocupar espaço na telinha da Globo.&lt;br /&gt;Veremos como o assunto se move.&lt;br /&gt;Mas a sociedade se move com ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7996036895041178479?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7996036895041178479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7996036895041178479' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7996036895041178479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7996036895041178479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/06/luta-pela-terra-na-globo.html' title='Luta pela terra na Globo'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-3875981950276497265</id><published>2011-06-04T16:40:00.001-07:00</published><updated>2011-06-04T16:40:51.048-07:00</updated><title type='text'>Bombeiros</title><content type='html'>Talvez o Rio de Janeiro seja a cidade brasileira que mais arrecada grana para o Corpo de Bombeiros. Todo domicílio paga uma taxa anual. Nunca vi isso em Porto Alegre nem em São Paulo. E os bombeiros do Rio são os que menos ganham no país? O Cabral, se liga!&lt;br /&gt;Onde tá a grana? &lt;br /&gt;Quem não paga essa taxa de incêndio fica na dívida ativa do município! E bombeiros vivem à míngua? &lt;br /&gt;Que Vergonha.&lt;br /&gt;Vergonha da cara de pau desse pessoal que diz governar o Rio de Janeiro e não explicam o inexplicável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-3875981950276497265?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/3875981950276497265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=3875981950276497265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3875981950276497265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3875981950276497265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/06/bombeiros.html' title='Bombeiros'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7589127279130521177</id><published>2011-06-04T16:17:00.001-07:00</published><updated>2011-06-04T16:17:56.536-07:00</updated><title type='text'>Falta coragem de se enfrentar o problema agrário brasileiro</title><content type='html'>Március A. Crispim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Associação Nacional dos Servidores do MDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seção Sindical – SINDSEP-DF&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 16 de junho os servidores do MDA realizam paralisação das atividades do ministério do desenvolvimento agrário. Internamente, o ato se dará num contexto de jornada de lutas pela melhoria das condições de trabalho e salários no órgão. Externamente, num contexto de derrotas e mortes na agricultura familiar brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante que entendamos estes dois contextos, aparentemente desconexos, através dos fatos que deles se intercalam. Pois exprimem uma mesma situação: o desprestigio no qual se mantém a agricultura familiar e a reforma agrária junto ao Estado brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo dia em que no Congresso Nacional se votava o “código de desmatamento” em substituição ao Código Florestal, em Nova Ipixuna no Pará um casal de assentados era brutalmente assassinado justamente por lutar contra o desmatamento. Novamente no Congresso, os deputados davam um espetáculo vergonhoso ao vaiar a notícia de que estes dois trabalhadores brasileiros foram assassinados. Dois dias depois, em Vista Alegre do Abunã em Rondônia, outro líder camponês era assassinado por seu envolvimento na luta pela reforma agrária. Uma semana depois, mais um camponês morto, justamente num assentamento em Eldorado dos Carajás, cidade onde ocorreu, em 1996, o massacre de dezenove sem-terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um ano, a CPT entregou ao Ministro da Justiça a relação de 1.546 trabalhadores assassinados em 1.162 ocorrências de conflitos no campo nos últimos 25 anos, de 1985 a 2009. Destas, apenas 88 foram a julgamento, tendo sido condenados somente 69 executores e 20 mandantes. Dos mandantes condenados, apenas um, isso mesmo, apenas um, permanece na cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pressão sobre as populações que ocupam tradicionalmente áreas de florestas, ribeirinhas e litorâneas (mangues), populações sem terra e camponeses vem se acentuando; como resultado da opção política do Estado brasileiro, que deu suporte ao bloco de poder que alia o capital bancário, as corporações agro-químicas e os latifundiários que monopolizam a terra. Processo que empurra os agricultores familiares à marginalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O censo de 2006 revelou que a atual concentração da propriedade no Brasil é maior do que em 1920, quando recém tínhamos saído da escravidão, e havia quase um monopólio da propriedade da terra. Temos a maior concentração fundiária do mundo e produzimos em escala crescente a expulsão das populações do campo. Em São Paulo, por exemplo, o crescimento da cultura de cana-de-açúcar (estimulada pelo governo) fez a concentração da terra aumentar 6,1%, no período de 1996 a 2006. As populações rurais marginalizadas são empurradas para as periferias das grandes cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se houveram avanços na política destinada à agricultura familiar no último governo (se comparada em relação a governos anteriores), estes são silenciados ante a avalanche dos recursos, também governamentais, destinados à agricultura empresarial. Recursos infinitamente superiores aos destinados ao modelo camponês. Tal característica contraditória do governo, em seu resultado final, ajudou na concentração de terras e expulsão dos pobres do campo, muitos a bala, inclusive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o Censo Demográfico de 2010 a população rural no país perdeu 02 milhões de pessoas somente entre 2000 e 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Quando olhamos internamente no Estado, para os órgãos estatais destinados à promoção da agricultura camponesa, verificaremos que a situação também é de desprestígio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MDA está em crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a crise do MDA se expressa no acúmulo de desvios do Estado brasileiro. Uma crise política agravada por problemas de gestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É política porque o fundamento de promoção da agricultura camponesa se dá de forma marginal. Não há o confronto com a estrutura de posse e uso da terra no Brasil. As políticas públicas desenhadas são focais, desprovidas de fundamentos que alicerçam uma mudança de modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após as mortes de camponeses na Amazônia, após a aprovação do Código Florestal na Câmara surgem dúvidas na sociedade: o que foi feito do MDA? Qual a posição do ministério sobre os temas? Como poderão resolver a questão das mortes camponesas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre as mortes, e ante o imobilismo do ministério, o governo federal assumiu as rédeas do processo, e anunciou a formação de uma Comissão Interministerial, que fiscalizará e protegerá, daqui por diante, os pobres do campo, ameaçados de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez o governo o seu espetáculo televisivo. Mas sejamos sinceros, todo esse “kit tragédia” não dará em nada. Continuarão a acontecer mortes no campo. Continuará a impunidade. Isso porque qualquer leigo no tema agrário sabe que a violência no campo não é uma doença, mas um sintoma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que a violência no campo não é uma briga de conto de fadas, como parece crer o governo. É uma questão econômica. Tem gente que ganha muito dinheiro com o modelo de concentração de terras no Brasil. E se a roda começar a girar para o outro lado, da democratização do acesso a terra e da fixação dos trabalhadores no campo, vão perder dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta a se fazer é: o Estado brasileiro, e todos os seus poderes constituídos (executivo, legislativo e judiciário), estão dispostos a construir reformas estruturais no modelo agrícola brasileiro? Estão dispostos a investir na produção de alimentos saudáveis, dentro de sistemas de produção agroecológicos que estimulem a diversificação, cooperação e o respeito à biodiversidade? Estão dispostos a ampliar a defesa de um desenvolvimento sustentável, com investimentos na instalação de agroindústrias, levando a industrialização ao interior do país para garantir renda, agregar valor aos produtos, além de criar oportunidades de trabalho aos jovens e mulheres? Estão dispostos a quebrar o sistema concentrador de terras no Brasil, de reinventar as práticas governamentais e sacudir o modelo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo demonstrado até o momento, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise do MDA é também de gestão. Se não há uma política estrutural de promoção da agricultura camponesa como modelo de desenvolvimento agrário no Brasil, o próprio órgão que cuida da promoção da agricultura camponesa também padece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MDA não existe enquanto estrutura de Estado. Possui um corpo técnico formado basicamente por pessoas estranhas ao serviço público: cargos em comissão e as duvidosas “consultorias”. Uma estrutura marcada pelo apadrinhamento político e pelas disputas fratricidas de recursos entre as forças políticas. Onde a debate sobre desenvolvimento agrário é o último ponto a ser feito, quando é feito. A equipe hoje dirigente no ministério sequer apresentou, até o momento, o seu plano de trabalho para o próximo período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate do Código Florestal no Congresso foi exemplar nesse sentido. As mudanças empreendidas pela nova legislação ambiental modificarão profundamente a produção agrícola brasileira, interferirão substancialmente nas políticas de agricultura familiar, e o nosso ministério, dormindo em berço esplêndido e se corroendo em disputas internas, não emitiu uma única palavra sobre o tema, até o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, buscam correr atrás do prejuízo, e segundo a secretaria executiva, o MDA terá participação ativa nos debates sobre o Código Florestal no Senado, procurando defender os interesses da agricultura familiar no novo código. Esperar pra ver. A equipe hoje dirigente no ministério sequer apresentou até o momento seu plano de trabalho para o próximo período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os servidores do MDA, por sua vez, possuem os mais baixos salários do serviço público e condições de trabalho que beiram o ridículo. Quando aqui chegamos em 2009 (a primeira turma de concursados do ministério) nem mesas e cadeiras existiam para todos os servidores. Alguns ficavam em pé enquanto outros trabalhavam. Conseguidas as mesas e cadeiras foi o momento de brigarmos pelos computadores e telefones. Agora, os 159 servidores remanescentes desse treinamento de choque, brigam por inserção no processo decisório do MDA e por novas melhorias nas condições de trabalho e salário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A continuar esse espetáculo vergonhoso, de lutarmos por migalhas da política agrícola e mantermos o corpo técnico do ministério sem estruturação, a agricultura familiar brasileira continuará a padecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja internamente ao órgão, seja na política geral empreendida, falta coragem do Estado Brasileiro para se enfrentar o problema agrário. Falta coragem para se estruturar o órgão estatal promotor da agricultura familiar. Falta coragem para mudar o modelo agrícola brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7589127279130521177?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7589127279130521177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7589127279130521177' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7589127279130521177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7589127279130521177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/06/falta-coragem-de-se-enfrentar-o.html' title='Falta coragem de se enfrentar o problema agrário brasileiro'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5198424546936980100</id><published>2011-06-02T18:01:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T18:13:44.442-07:00</updated><title type='text'>O código anti-florestal</title><content type='html'>Toda essa novela triste em torno do Código Anti-Florestal esconde  que os cínicos supostos "nacionalistas" da turma do Aldo Rebelo e da Bancada Ruralista na verdade estão defendendo interesses genuinamente estrangeiros quando defendem a agricultura brasileira, porque quem ganha efetivamente grana com a abertura  constante de nossa "fronteira agrícola" são as "tradings" estrangeiras como a Cargil e a Bunge. Eles é que realmente têm lucro  com a devastação das florestas brasileiras. Esses paladinos do anti-desenvolvimento do Brasil, mais uma vez conseguiram, pela mágica da nossa tragicamente perene oligarquia. Eles  demonstraram mais uma vez  a capacidade, o escandaloso poder  dos interesses minoritários desse país em impedir que os  desmatadores pagassem multa. ou seja, impedir uma mudança institucional voltada para a defesa do bem comum. Como antes, o Código Florestal só era colocado em prática por promotores exigentes, podia manter a lei como estava. A lei, mais uma vez, não pegava neles. Quando se instituiu que se quisessem obter empréstimo do Banco do Brasil  os grandes fazendeiros brsaileiros iam ter que pagar uma multa pela inadequação de sua propriedade ao Código Florestal,  esses caras cerraram as suas fileiras e partiram para mudança do Código. Sim, enquanto não funcionava a legislação, estava tudo bem. Ameaçou incomodar, eles simplesmente resolveram mudar a lei, usando de desculpa os "agricultores familiares" ameaçados.  Eles podem mudar a lei porque eles representam apenas os 22.000 bem aquinhoados donos de grandes extensões territoriais do Brasil e as empresas interessadas em seus negócios, que, sim, estão se lixando para o nosso patrimônio ambiental.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5198424546936980100?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5198424546936980100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5198424546936980100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5198424546936980100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5198424546936980100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/06/o-codigo-anti-florestal.html' title='O código anti-florestal'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8492277684389081415</id><published>2011-05-24T10:19:00.001-07:00</published><updated>2011-05-24T10:19:23.431-07:00</updated><title type='text'>Spanish Revolution por Bernardo Gutierrez</title><content type='html'>Da #spanishrevolution à #brazilianrevolution&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos amigos brasileiros estão perguntando para mim sobre a #spanishrevolution. O mídia mainstream brasileira publicou pouco e entendeu quase nada. Por isso, vou fazer um exercício muito simples para entender a chamada #spanishrevolution. Imagina que uma ministra de Cultura (Ana Buarque do Holanda, por exemplo) aprova uma lei sobre direitos de autor da Internet que despreza licenças como Creative Commons, corta liberdades civis na rede e faz o jogo da indústria audiovisual. Um grupo de ativistas digitais cria uma plataforma #navoteneles, pedindo para castigar os partidos que aprovaram a lei (imaginemos aqui, PT, PSDB e PMDB). O grupo, indignado com os casos de corrupção, começa fazer ´wikimapas´ feitos em redes com os candidatos corruptos. Depois, milhares de grupos que lutam por causas diferentes entram na luta pedindo uma “democracia real” mais participativa e transparente e outro sistema económico alternativo ao liberalismo. A revolução #democraciareala estoura quando a policia despeja um grupo de pessoas que estavam acampadas na principal praça da capital do país. As redes sociais espalham rapidamente a #brazilianrevolution e os cidadãos, altamente conectados, descentralizados e organizados, invadem as praças do país inteiro e discutem, no asfalto e na Rede, uma nova sociedade. A campanha política em andamento para as eleições regionais fica paralizada e o mundo começa olhar para uma nova revolução digital de consequências imprevisíveis. Entendeu agora o que aconteceu na Espanha e as ideias que se espalham pelo mundo? Só falta temperar isso com uma crise económica (internacional) e a explosão de uma gigantesca bolha imobiliária (espanhola) para completar a ecuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fácil para a mídia brasileira era falar que o alto desemprego da Espanha (por volta do 20%) provocou a revolta. É lógico: a crise e o desemprego influenciaram, mas o desemprego não foi o motivo principal, entre outras coisas porque ainda funciona o seguro desemprego. O simples era comparar a #spanishrevolution às reviravoltas do mundo árabe. Só tem um ponto em comum, a importância das redes sociais no processo. Na Espanha tem democracia consolidada. As causas da revolta foram outras, várias, muitas. Os objetivos também são diferentes aos do mundo árabe. O 92% dos jovens espanhóis usa Internet, doce pontos por cima do resto da Europa, segundo o próprio Estado. Espanha lidera também o uso de banda larga nos celulares (19,5% da população, 6,9% na Europa). O cocktail se completa com uma elevadíssima porcentagem de jovens formados na universidade: o 39% da população espanhola entre 25 e 34 anos tem formação superior (ano 2009), mais que a França ou outros países europeus. E muitos estão desempregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama minha atenção que a poderosa conta de @wikileaks em Twitter , a reportagem de Preseurop, A revolta islandesa da Espanha, reparou na hora que um dos links mais importantes da #spanishrevolution vem do norte, da Islândia, o país que já teve o Índice de Desenvolvimento Humano (IDN) mais elevado do mundo e que afundou na tormentas dos mercados. De fato, uma das principais petições da #spanishrevolution é exigir do governo que não ajude mais ao sistema bancário que provocou a crise internacional. O link islandês-espanhol, a procura de alternativas a um mundo governado pelos mercados e as agências de rating, é tão claro que Hordur Torfason, o homem que fez o povo islandês reagir contra banqueiros e políticos, gravou um video para parabenizar o povo espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A juventude espanhola, é claro, admira o que aconteceu nos países árabes. Foi um exemplo para todos. Mas a #spanisrevolution é diferente. É um passo na frente. É claramente europeia. E sem pretendê-lo, se converteu na revolta digital mais avançada do mundo. Gerou o debate sobre a democracia. E pode ser fundamental para o mundo atingir um Sistema 2.0 verdadeiramente participativo. Um detalhe: a plataforma de ciberativismo Actuable.es, que nasceu no final de ano 2010, foi vital para evitar que o Governo despejasse a Puerta del Sol de Madri. Em menos de 24 horas, quando a Junta Elitoral proibiu o protesto, Actuable.es incentivou o envio de mais 150.000 mails para o Alfredo Pérez Rubalcaba, ministro do Interior e evitou a represãao policial e um banho de sangue. O suplemento do Estado de São Paulo publicou na passada segunda-feira o melhor trabalho sobre o assunto na imprensa brasileira: Reiniciar o sistema. Esse é o foco. E nem todo o mundo entendeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas principais forças políticas espanholas, Partido Socialista Operário Espanhol (no poder) e o direitista Partido Popular (PP), depois das eleições regionais do passado domingo, fizeram de conta que nada aconteceu. Se a abstenção (pessoas que não votaram) fosse uma força política, teria sido a grande ganhadora, com um 33% dos votos.O Partido Popular, que foi o grande ganhador , só foi votado por um 24% do pais. Por exemplo, em Madri, só 1 em cada 3 votantes deu a sua confiança no Partido Popular, mas governará com maioria. Em Barcelona, o escândalo foi maior. O 47% dos votantes ficou em casa (ou seja, muitos na gigantesca acampada da Plaça de Catalunya, no centro de Barcelona). E Convergència i Unió (CiU), nacionalistas conservadores, vão governar a cidade com um 14% dos votos. A #spanishrevolution quer uma lei eleitoral mais justa, mais representativa. Quer uma lei de transparência das contas públicas. Quer criar um espaço para participação constante da política nacional, regional e local. Quer fazer um redesenho profundo da democracia. Mas, por em quanto, ninguém parece ter entendido o recado. E os protestos continuam. E as praça estão ainda cheias de pessoas. E já tem iniciativas, como “Madrid toma los barrios” http://madrid.tomalosbarrios.net/ para expandir o debate e participação nos bairros, praças e ruas das cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem causas, motivos e condições para uma #brazilianrevolution? Os mesmos motivos que lá e , suponho, que outros. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Espanha, apesar da crise, ainda é um dos mais elevados do mundo. O Brasil, apesar do crescimento económico, tem alguns motivos para uma #brazilianrevolution: uma nova ministra de Cultura, Ana Buarque de Holanda, que não respeitou a herança de cultura livre do Governo Lula; altos níveis de corrupção (muitos mais que lá); democracia pouco participativa; um rumo econômico focado no macro e não no micro (agronegócio, exportação, grandes obras); sérios problemas ambientais; inflação; uma especulação imobiliária crescente que vai rumo ao da bolha que estourou na Espanha; desigualdade; violência… Além, o Brasil tem um ativismo admirável. Aquí nasceu o Fórum Social Mundial e o orçamento participativo. Aquí cresceu o apoio de governos ao software livre e licenças como o Creative Commons. O Brasil foi e é importantíssimo na luta pela cultura livre e os direitos civis na Internet, uma referência internacional. O ciberativismo brasileiro, até agora, era mais forte que o espanhol, que só estourou depois da crise, quando o país inteiro saiu da mordomia da prosperidade. Os brasileiros, graças à Avaaz, conseguiram encaminhar uma lei de “ficha limpa”. Brasil é dos países mais ativos em redes sociais e tem a terceira maior penetração de Twitter do mundo (23%).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não serei eu, estrangeiro, quem vai inventar uma #brazilianrevolution, um movimento além das esquerdas e direitas, um movimento que lute pela liberdade, pela transparência e pela democracia 2.0. Isso corresponde ao meu querido povo brasileiro. Mas pense bem: Tem causas, motivos e condições para uma #brazilianrevolution?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Democracia Real Brasil en Facebook. http://www.facebook.com/democraciarealbrasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardo Gutiérrez é espanhol, jornalista, escritor e consultor de mídia. Mora em São Paulo. Seus trabalhos aparecem em La Vanguardia (Barcelona), Esquire (Madri), Expresso (Lisboa), Tage Spiegel (Berlim) ou National Geographic Brasil, entre muitos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8492277684389081415?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8492277684389081415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8492277684389081415' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8492277684389081415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8492277684389081415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/05/spanish-revolution-por-bernardo.html' title='Spanish Revolution por Bernardo Gutierrez'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-2235574375339617925</id><published>2011-04-15T10:25:00.000-07:00</published><updated>2011-05-23T07:16:38.148-07:00</updated><title type='text'>Chuvas,  UPP e a especulação imobiliária no Frei Caneca</title><content type='html'>Faz pouco mais de  um ano que se enterraram mortos aqui na cidade do Rio de Janeiro  por conta das chuvas. As vítimas, em sua maioria, moravam em lugares inadequados. Condenados. De vez em quando essas chuvas acontecem neste estado e matam muita gente. Basta o poder público tomar iniciativas voltadas para essas populações que boa parte dessas mortes pode ser evitada. &lt;br /&gt;Mas eis que este mesmo governo do Estado, que prometeu casa aos moradores recentemente vitimados pelas chuvas...  que costuma,  depois de passada a comoção da trajédia, atrasar o aluguel social e os serviços prometidos....acaba de dizer que não vai mesmo cumprir uma promessa voltada para o atendimento dessa gente sem escandalizar meio mundo!&lt;br /&gt;O terreno onde havia o presídio Frei Caneca terá outro destino. Implodido para dar lugar a habitações populares  que, além de abrigar as vítimas, desafogaria as favelas do entorno, permitindo uma  urbanização decente, será vendido. &lt;br /&gt;Agora, veja só que curioso:  isso vai ocorrer porque  graças às UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) os terrenos nesta região deram uma súbida valorizada!!!&lt;br /&gt;Então, meus caros amigos, o lance é o seguinte:  a valorização de um imóvel do Estado, efeito colateral de  outra política deste mesmo Estado, vai com certeza favorecer ainda a mais  especulação imobiliária: ele será  vendido a alguma incorporadora para fazer um condomínio, geralmente direcionado à classe média e alta...aumentando, por sua vez o preço dos imóveis em torno e expulsando mais moradores pobres das regiões centrais da cidade. Tudo muito limpinho.&lt;br /&gt;Os pobres, obviamente, não vão mais uma vez participar do banquete que está cidade está preparando para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Esse é o recado.&lt;br /&gt;A propósito, os pobres no Rio de Janeiro optaram em morar em morros por quê? Vontade de ter uma vista espetacular? Acho que não, né? O negócio deles sempre foi  ficar perto de seu mercado de biscates...das casas e apartamentos onde faziam serviços domésticos. O transporte público cada vez mais caro sempre impulsionou essa prática.... A pergunta que fica é: qual é a perspectiva dessa população?&lt;br /&gt;Bom, a caldeira pode explodir. Por sinal, costuma explodir de vários jeitos nessa cidade. Se a coisa continuar desse jeito acho que teremos anos quentes e não muito favoráveis aos grandes eventos esportivos... Pelo visto a  panela de pressão dos interesses dos bem aquinhoados sempre tentados a abocanhar mais de seu quinhão,  vai  continuar chiando. Mas, como sabemos, sempre pode explodir e de maneira imprevisível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-2235574375339617925?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/2235574375339617925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=2235574375339617925' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2235574375339617925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2235574375339617925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/04/chuvas-upp-e-especulacao-imobiliaria-no.html' title='Chuvas,  UPP e a especulação imobiliária no Frei Caneca'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-2443279502850784706</id><published>2011-02-17T04:32:00.000-08:00</published><updated>2011-02-17T16:51:34.305-08:00</updated><title type='text'>O destino de Battisti nas mãos de Ruby</title><content type='html'>Alguém ouviu falar da decisão sobre o Battisti? O Gilmar Mendes já deve ter voltado de férias...mas a turma do Berlusconi está tão enrolada com o escândalo de seu chefe com a marroquina que o governo italiano  deve estar  dando um tempo dessa quebra de braço  em torno do azarado do Battisti. Pelo visto, o destino dele depende do rumo  do escândalo sexual do premier italiano.&lt;br /&gt;No ano passado, quando Gilmar Mendes proferiu a decisão do STF sobre a deportação do Battisti, ou seja, que ele, enquanto presidente do STF, lavava as mãos jogando a batata quente do destino do ativista de extrema esquerda italiano para as mãos do presidente Lula, achei que, dada a polêmica que este caso havia gerado no país, a decisão seria rápida. Na época já era evidente que Battisti havia se tornado um símbolo que explicitava um tipo de polaridade política que estava em jogo no Governo Lula: os lulistas de tradição de esquerda versus  os anti-lulistas, anti-PT, anticomunistas... &lt;br /&gt;Sim, porque só em um contexto de polaridade infantil e primária  é que um Superior Tribuna de Justiça poderia proferir  uma sentença classificando de comuns os crimes de que Battisti é acusado na Itália, quando era ativista de extrema esquerda. O mais curioso era  ver comentários de gente batendo palma para esta decisão em blogs, como o de Reinaldo Azevedo,  colunista da revista “Veja” que, hoje em dia, representa o partido mais azedo e estridentes contra Lula, PT e presidentes latino-americanos de esquerda, como Chaves e Evo Morales. Suas matérias sobre eles são um exemplo primoroso de como funcionam as visões panfletárias dos jornais de quinta categogria. Sempre fui uma jornalista de posições políticas abertas, portanto, sei bem a diferença entre  crítica jornalística e  panfletagem travestida de jornalismo.&lt;br /&gt;Claro que, no casi Battisti,  se destaca a posição de uma  figura como  Mino Carta, que torce pela deportação de Battisti não por compartilhar da visão política desta turma, mas provavelmente pelo ressentimento que nutre com o estrago que fez o pessoal da extrema-esquerda italiana, como Battisti, ao panorama político possível da década de 70 na Itália, quando ocorreu um dos piores crimes deles: o traumatizante sequestro e o assassinato do político da Democracia Cristã italiana, Aldo Moro.&lt;br /&gt;Mas, a meu ver, o pior neste caso particular, é a quantidade de gente que acha normal a pressão que o governo italiano do Berlusconi vem fazendo em cima do Brasil. Digamos que um país,como a Itália, que não entregou um criminoso de colarinho branco como o Cacciola, humilhando, a meu ver, o governo e a justiça brasileiros, não tem o menor direito de pedir reciprocidade da nossa parte, ainda mais quando se sabe que a condenação de Battisti foi à revelia. Ele não estava presente no julgamento, não teve direito à ampla defesa e pode ter sido o bode-expiatório que seu ex-companheiro delator encontrou para livrar-se de condenação maior. Só o fato de haver essa dúvida justifica sua permanência no Brasil.&lt;br /&gt;A não ser que eles anunciem novo julgamento ou algo do gênero...Mas não é isso que eles querem, senão, não teriam esquecido dele em meio ao escândalo envolvendo seu chefe maior...&lt;br /&gt;Independente de todos essas questões, como já escrevi em outro momento, acho importante  explorar a similitude existente entre a traumática entrega de Olga Benário para os alemães em 1936 e a imputação hoje recorrente da responsabilidade do então presidente Getúlio Vargas nessa decisão. Esta memória histórica compartilhada me veio à tona quando o Gilmar Mendes decidiu responsabilizar Lula por qualquer decisão final referente ao destino de Battisti. O divertido disso tudo é que dada a pressão italiana, a batata quente voltou para o colo do Mendes.&lt;br /&gt;Mas voltando ao caso da Olga, o livro de Fernando Morais aponta alguns dos juízes do STF responsáveis pela vergonhosa entrega de uma mulher grávida, judia e comunista ao governo nazista. Outro livro que li sobre a época aponta que o presidente do STF de então, o Gilmar Mendes da época, era o Vicente Rao.&lt;br /&gt;Quando se pensa nesse caso escabroso, acho curioso que que ninguém comenta é que é bem provável que esta decisão do Supremo Tribunal Federal da época estava vinculada ao clima de opinião pós-Intentona, provavelmente histérico contra os comunistas, após seu fracassado levante de 1935, que foi, de fato, uma iniciativa equivocada. Ao contrário de alguns ignorantes em história, não estávamos ainda na ditadura Vargas em 1936, portanto, as instituições que funcionavam na época tiveram liberdade de ação para decidir. Mas a pecha de culpa foi para Vargas que, efetivamente talvez pudesse ter feito algo para coibir tal decisão, mas não fez, agradando a Filinto Muller que, como sabemos era o chefe da polícia política da época e havia sido expulso da Coluna Prestes... ou seja, era um desafeto público do pai da criança que Olga trazia na barriga. &lt;br /&gt;O que importa é recordar que, na época, a decisão final sobre a deportação foi mesmo do STF. Mas a responsabilidade histórica é atribuída ao então presidente Getúlio Vargas.&lt;br /&gt;Embora não corra o risco de morrer em um campo de concentração, o fato de a decisão sobre o destino de Battisti ter sido passada por Mendes para às  mãos de Lula continha  o mesmo tipo de capciosa armadilha que caiu sobre Vargas sobre esse tema específico. Muitas pessoas,  intelectuais até de certo peso, não tem meias palavras para chamar Getúlio de fascista tanto por esse caso, como pelo Estado Novo... como pela Carta del Lavoro, de Mussolinni, que inspirou as Leis trabalhistas que seu governo implantou no país.&lt;br /&gt;Objetivamente, as pessoas esquecem que, após a implantação do Estado Novo, Vargas teve que enfrentar de arma na mão golpistas de tons nazistas e integralistas que, em 1938, invadiram o Palácio das Laranjeiras, onde então presidente vivia, ameaçando toda a sua família. Esta turma era formada pelos descontentes com o fato de que a instituição do Estado Novo colocou tanto a esquerda como a direita do tabuleiro político, da época representada sobretudo pelos Integralistas, fora da lei.. Depois de terem comprovado  a participação de funcionários ligados à embaixada alemã  no atentado à famíla do presidente, o Brasil  foi o primeiro país  a expulsar um embaixador nazista do país, pouco depois de a Inglaterra e a França terem "engolido o sapo" de ver Hitler anexar impunemente os Sudetos, parte da hoje República Checa, à Alemanha. Os franceses e ingleses erroneamente achavam que aplacariam a fome de expansão nazista, tolerando isso, mas a atiçaram ainda mais.&lt;br /&gt;Voltando ao caso que hoje envolve o governo brasileiro atualmente, o que se imagina que pode vir a acontecer com Battisti se for enviado para a Itália? Executado ele não será, mas certamente, a responsabilidade por qualquer coisa que lhe aconteça no futuro seria   imputada a Lula se ele tivesse enviado Battisti à Itália, sendo, talvez na posteridade, considerado traidor dos direitos humanos pela mesma turma que estridentemente faz campanha para dá-lo de presente para o governo Berlusconi. Na verdade, a maioria dos antepassados políticos dessa turma são os mesmos que fizeram a estridente campanha pública contra os comunistas na década de 30, criando o clima de opinião que favoreceu a expulsão ilegal de Olga. É uma turma que possui uma ojeriza quase patológica contra a esquerda. Nos últimos tempos um de seus representantes políticos mais ativos era  o jurista que até recentemente presidia o STF, Gilmar Mendes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-2443279502850784706?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/2443279502850784706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=2443279502850784706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2443279502850784706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2443279502850784706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/02/o-destino-de-battisti-nas-maos-de-ruby.html' title='O destino de Battisti nas mãos de Ruby'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-4213021592282362743</id><published>2011-01-14T16:45:00.000-08:00</published><updated>2011-01-14T18:02:46.745-08:00</updated><title type='text'>As chuvas do Rio e o código florestal</title><content type='html'>Todas autoridades que estiveram no poder no Rio de Janeiro, desde que essas terras existem com esse nome são responsáveis pelas tragédias das chuvas que assistimos hoje desolados e tristes. Assassinaram os cursos das águas com essa mania de estradas.... tiraram as navegações de rios....arrancaram as matas ciliares, colocaram loteamentos irregulares na beira dos rios e morro  e assim eles levaram seu povo ladeira abaixo nas enxurradas.  As mortes foram aumentando na medida em que a falta de uma reforma agrária e uma reforma urbana, enfim, dividissem melhor o território nacional.  Mas não satisfeitos de monopolizarem todas as terras do Brasil, as autoridades locais e federais ainda brigam para aprovar um Código Florestal que anistia esses crimes e não previne que eles voltem a acontecer novamente.&lt;br /&gt;E por que não há 30 helicópteros hoje na região serrana do Rio? &lt;br /&gt;Que tipo de autoridades são essas que ainda governam o Rio dessa maneira? Com o aumento das calamidades naturais como aguentar autoridades como essas? Por quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-4213021592282362743?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/4213021592282362743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=4213021592282362743' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4213021592282362743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4213021592282362743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2011/01/as-chuvas-do-rio-e-o-codigo-florestal.html' title='As chuvas do Rio e o código florestal'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5661247382025318829</id><published>2010-12-15T14:57:00.001-08:00</published><updated>2010-12-15T15:50:53.726-08:00</updated><title type='text'>Internacional</title><content type='html'>Tive um cutuque ontem de que o Inter podia perder por conta do excesso de racionalidade...&lt;br /&gt;Ficaram estudando apostilas. O "Deus do Futebol" que prefere mandingas e jogo no campo se enfureceu. Apoiou os africanos. Desde quando jogo de futebol pode ser algo "esperado", "não surpreendente"...? Então não é futebol.&lt;br /&gt;Doeu. Mas os congoleses mereceram.&lt;br /&gt;Honraram o deus ou os deuses do futebol...&lt;br /&gt;Já os jogadores do Inter pareciam paralisados!!!&lt;br /&gt;Aquela mandinga no gol foi boa, hein???&lt;br /&gt;Agora temos que torcer que o Internacional de Milão também perca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5661247382025318829?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5661247382025318829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5661247382025318829' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5661247382025318829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5661247382025318829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/12/internacional.html' title='Internacional'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-2057804169903134614</id><published>2010-12-03T12:23:00.000-08:00</published><updated>2010-12-03T12:26:58.593-08:00</updated><title type='text'>A guerra do Rio</title><content type='html'>Tirar populações do jugo de criminosos organizados é sempre um benefício. O problema é saber se essas populações não vão cair nas mãos de outra quadrilha, melhor posicionada frente aos "poderes constituídos". O problema do Rio é que ele é disputado essencialmente por algumas quadrilhas dos de baixo e uma grande quadrilha dos de cima. Essa última, instituída no Estado ou com estreitas relações com ele, é  bem mais difíceis de combater. Mas vamos indo. Em última instância, a vida pulsa sempre radicalmente nesta cidade. E os cariocas são mais gente boa do que menos. Venceremos algum dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-2057804169903134614?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/2057804169903134614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=2057804169903134614' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2057804169903134614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2057804169903134614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/12/guerra-do-rio.html' title='A guerra do Rio'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-4370550894237646938</id><published>2010-10-24T17:17:00.000-07:00</published><updated>2010-11-27T07:31:05.336-08:00</updated><title type='text'>John  Lennon, Chico, Caetano e Gil  e o voto de classe</title><content type='html'>O Brasil é um país refinado em termos musicais. E acaba que nossos grandes nomes são, como em muitos lugares, homens públicos. E é interessante a gente avaliar a trajetória política de nossos ícones. Penso nisso desde que vi o  excelente documentário, "Estados Unidos contra John Lennon". Neste filme é possível ver como  esse genial beatle foi politizando sua música, concomitante a seu encontro com  Yoko Ono, o que explica também porque ela foi tão demonizada: a japonesa que acabou com os Beatles..&lt;br /&gt;Mas vendo esses filme, basicamente se vê que um garoto, filho da classe operária de Liverpool, simplesmente amadureceu aquilo que ele trazia nas entranhas. E com seu talento musical, seu enorme poder de comunicação, colocou sua arte a serviço de suas idéias. E na época, plena Guerra do Vietnã, ele criou um belíssimo fundo musical para as manifestações pacifistas que tomaram conta dos Estados Unidos, ameaçando claramente a reeleição de Nixon.&lt;br /&gt;Hoje sabemos que teria sido bom que o Edgar Hoover, do FBI,  não tivesse tanto poder, perseguindo Lennon e Yoko como foram, ameaçados de expulsão. Isso teria poupado os norte-americanos do vexame de reelegerem Nixon e  tomarem o Watergate na cara. De qualquer modo, Lennon fez um belíssimo fundo musical para as enormes manifestações pacifistas que inundaram Washington na época e também teve uma contribuição musical importante na luta pela descriminalização da maconha.&lt;br /&gt;Aqui, temos Chico Buarque, filho de um intelectual que é autor de uma obra clássica sobre a formação do Brasil, que tranquilamente abraçou as causas que levantou com elegância e lirismo. E quanto a Gil, já vi nosso grande músico e Ministro da Cultura, com seus "do-ins culturais" cristalizados como energéticos "pontos de cultura"  ser  homenageado por ministros da Cultura de outros  países por seu importante papel na assinatura do acordo internacional em defesa da diversidade cultural patrocinado pela Unesco.&lt;br /&gt;Caetano é nosso polemista. Acho interessante a forma como ele escreve. Me dá impressão de que ele é verborrágico. Escreve como quem estivesse ditando para um gravador. Ás vezes é cansativo. Mas  gosto de sua firmeza. Posso não concordar com  suas opiniões, mas aprecio ele ser polêmico. A polêmica faz o senso comum entrar em desasossego e provoca que verifiquemos até onde vão nossos argumentos. &lt;br /&gt;Mas o fato, como bem lembrou Gil em uma célebre entrevista para a Carta Capital há alguns anos atrás, é todos eles são hoje classe dominante. E sendo brasileiros, país onde nunca houve uma verdadeira reforma social profunda,  eu acho mais nobre os artistas da classe dominante se juntarem aos mais pobres. E o que ocorreu nessas eleições foi que despolitizada ou não... o voto foi claramente de classe.&lt;br /&gt;Os municípios, regiões e estados mais pobres votaram na Dilma. Já os mais ricos, votaram no Serra. Até em uma cidade como o Rio de Janeiro isso tornou-se nítido: a Zona Sul e alguns bairros de classe média da Zona Norte votaram no Serra. Todas as demais regiões, incluindo as zona sul dissidente do Cosme Velho e de Santa Teresa, votaram majoritariamente na Dilme. &lt;br /&gt;Em suma,  o PT acabou fazendo o Brasil se dar conta de sua divisão de classe e isso é profundamente politizante. Quem diria, apesar dos pesares, o governo do PT fez aquilo que era sonho do partido em seus primórdios claramente socialistas. Ele fez avançar uma percpeção social e tornar evidente a divisão de classes da sociedade. Os lugares ricos, que sempre ganharam com o padrão vigente, votaram em Serra. Os pobres, cuja qualidade de vida melhorou substancialmente nos últimos anos votaram na Dilma. &lt;br /&gt;Espero que esse trunfo  não seja desperdiçado.&lt;br /&gt;Talvez o tempo do Brasil estamental esteja realmente chegando ao fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-4370550894237646938?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/4370550894237646938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=4370550894237646938' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4370550894237646938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4370550894237646938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/10/john-lennon-chico-caetano-e-gil-i.html' title='John  Lennon, Chico, Caetano e Gil  e o voto de classe'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-6419699890085818379</id><published>2010-10-15T07:44:00.000-07:00</published><updated>2010-10-15T07:57:07.884-07:00</updated><title type='text'>Zé Serrote e o Código Florestal</title><content type='html'>O fato de o Serra ser apoiado pela bancada ruralista e ter tido massiva votação em um município como Marcelândia, cuja economia se baseava na  extração ilegal de madeira, indica claramente o que pode acontecer com o Código Florestal e a biodiversidade brasileira se ele for eleito. Em nome de toda a sua luta e história de vida, Marina não poderia ficar neutra nesses segundo turno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-6419699890085818379?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/6419699890085818379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=6419699890085818379' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6419699890085818379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6419699890085818379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/10/ze-serrote-e-o-codigo-florestal.html' title='Zé Serrote e o Código Florestal'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-6351910955481423077</id><published>2010-10-13T16:00:00.000-07:00</published><updated>2010-10-15T07:32:21.224-07:00</updated><title type='text'>Imunologia informativa</title><content type='html'>Sugestão do El Milongueiro: imunologia informativa contra o PIG.&lt;br /&gt;DILMA OU ZÉ-SERROTE&lt;br /&gt;http://www.opiniaoonline.com.br/index.php&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-6351910955481423077?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/6351910955481423077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=6351910955481423077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6351910955481423077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6351910955481423077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/10/imunologia-informativa.html' title='Imunologia informativa'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8696222781166361634</id><published>2010-10-12T16:57:00.000-07:00</published><updated>2010-10-12T16:57:46.984-07:00</updated><title type='text'>Sujeito e objeto</title><content type='html'>Para ver como se faz uma manipulaçãozinha dizendo-se imprensa idependente, basta observar as vezes em que o Serra é sujeito nas manchetes que aparecem impressas em jornais e sites dos grandes grupos de comunicação nesta semana.&lt;br /&gt;Vocês vão ver que a Dilma agora virou objeto de análises.... objeto de opiniões. Não é mais sujeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8696222781166361634?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8696222781166361634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8696222781166361634' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8696222781166361634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8696222781166361634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/10/sujeito-e-objeto.html' title='Sujeito e objeto'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5408024419959294585</id><published>2010-10-12T16:55:00.000-07:00</published><updated>2010-10-12T16:55:34.791-07:00</updated><title type='text'>Aborto</title><content type='html'>Gostei de ver que ao contrário do que quer fazer entender o Serra, a Dilma não voltou atrás na declaração que ela deu sobre o aborto à revista Marie Claire no ano passado. Entre prisão e atendimento, ela prefere atendimento. E é isso que tem que dizer alguém que pretenda governar esse país.  Ainda mais uma mulher. A luta pelo controle de sua reprodução é uma bandeira fundamental do movimento feminista. A pílula tinha dado  essa possibilidade, mas até para tomar pílula as mulheres tiveram que fazer revoluções domésticas. E todos esses movimentos tiveram grandes impactos na vida individual e social de um país como o Brasil. &lt;br /&gt;O  debate sobre o aborto tomar  proporções morais e religiosas nessa eleição só se explica pela costumeira dupla moral nacional.&lt;br /&gt;Se morrem brasileiras quase todos os dias por conta de abortos mal feitos, digam-me: elas são mulheres, amigas, filhas, irmães de quem? Quem pode ser contra a descriminalização do aborto, tendo um caso desses na família? O debate só fica nesse plano porque o movimento feminista no Brasil é realmente insignificante. Onde vocês estão agora? Por que vocês não se organizam e vão dar plantão em um hospital onde se registrem vários casos desse tipo? Chamar atenção dos números. Das pessoas por trás dessas tragédias absolutamente evitáveis. O ato em si já penaliza muitas mulheres. Em uma sociedade de tradição matrifocal nas classes populares, em suma, onde as mulheres costumam carregar toda o peso da criação dos filhos, é muita hipocrisia esses padres e esses políticos evangélicos terem espaço para dar lição de moral. E as mulheres baixarem a cabeça para isso. Levarem ainda essa culpa. Mais essa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5408024419959294585?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5408024419959294585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5408024419959294585' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5408024419959294585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5408024419959294585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/10/aborto.html' title='Aborto'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8801313935471991909</id><published>2010-10-07T20:15:00.000-07:00</published><updated>2010-10-07T20:41:25.418-07:00</updated><title type='text'>Será que enfim a imprensa tupiniquin vai ficar nua?</title><content type='html'>O episódio da demissão de Maria Rita Kehl do "Estadão" pelo que ela mesma denominou de "delito de opinião", por ter criticado em seu artigo semanal a desqualificação que se fazia do voto dos pobres nesta eleição, me encheu de esperanças de que talvez a era das nove famílias donas dos meios de comunicação do Brasil esteja mesmo chegando a seu ocaso.&lt;br /&gt;Tudo bem. Sou meio otimista. Já vi um caso parecido com esse há anos atrás envolvendo o Veríssimo e a Zero Hora. Mas ele, que declarara voto ao PT ou a Lula, não me lembro mais, já era tão maior do que a Rede Brasil Sul de Comunicação que eles tiveram que continuar engolindo suas opiniões. Nada mudou muito. Mas foi um escândalo e tanto em Porto Alegre. &lt;br /&gt;Mas os sinais desse ocaso dos barões da mídia já estavam evidentes nas últimas eleições presidenciais, em 2006, quando o Alkmin conseguiu chegar no segundo turno. Um correspondente espanhol, amigo meu, me chamou atenção para o fato de que ele nunca tinha visto uma situação em que a imprensa de um país simplesmente não tinha a menor conexão com a vontade e a opinião da maioria da população. Ele me deu a entender que lhe parecia que a mídia brasileira funcionava como um ente em separado de sua sociedade. Havia um fosso entre o que os colunistas e a maioria dos jornalistas publicava nos jornais e a opinião da população. Mas ele não falava da maioria esmagadora que não lia jornais. Falava das pessoas com quem ele convivia, com quem ele lidava fazendo seu trabalho, vivendo no Brasil. &lt;br /&gt;Mas não se pode subestimar o poder dessa turma. Mais ou menos as mesmas famílias apoiaram o Golpe de 64, atemorizados com a "república sindicalista do Jango". Só não esperavam, junto com o Carlos Lacerda, que os milicos iam gostar de ficar no poder, não iam devolver o controle do Estado assim de mão beijada para eles, e até, que iam engrossar também com eles a partir de 68.&lt;br /&gt;Mas tudo isso, afinal de contas começou antes. Quem leu o belo livro de memórias do Samuel Wainer sabe que o clima começou a ficar pesado com o Getúlio justamente porque o Banco do Brasil, sob sua batuta, ousou dar um empréstimo para aquele judeuzinho metido montar uma cadeia de jornais que tinha condições de competir com eles, pois embora mais simpática ao ex-ditador que voltou nos braços do povo, a cadeia de jornais "Última Hora" foi feita por um jornalista experiente, criativo, que levou ótimas cabeças para trabalhar com ele e, com isso, arrebatou leitores, ameaçando os latifúndios de opinião da época, entre eles os Mesquita e os Marinho.  &lt;br /&gt;Em suma, mexer com essa turma é complicado. Sempre foi. Eles jogam o jogo sujo de quem tem muitos privilégios a preservar. Tinham sempre ótimos contatos e contratos com o Estado. E devem ter perdido nos últimos anos.&lt;br /&gt;São efetivamente competentes no que fazem, mas de repente, quem diria, estão efetivamente ameaçados.&lt;br /&gt;Sempre achei que era incompetência da esquerda brasileira não ter conseguido nunca implantar um jornal diário mais progressista. Ter essa crônica dificuldade de ter veículos de comunicação que não sejam meros "lisonjeadores de fatos", parafraseando o Balzac. Afinal, jornalismo sempre vai ser, "publicar algo que alguém não quer ver publicado, o resto é publicidade", como bem definiu George Orwell.&lt;br /&gt;De qualquer modo temos  grandes jornalistas e corajosos editores, como o Mino Carta, que sempre levam adiante essa idéia. Mas é muito pouco para um país como o nosso, não é? &lt;br /&gt;Mas pensando bem, o jogo contra essas iniciativas sempre foi bem pesado. Tanto é que que os próprios jornalistas, apegados a seus empregos e visibilidades nos grandes meios de comunicação, nunca tenham sequer conseguido se organizar e se unir para  apoiar um Conselho Nacional de Jornalistas e tenham perdido a validade de seus diplomas, em uma época em que até flanelinha anda conseguindo ter registro profissional em Brasília.&lt;br /&gt;Felizmente, na era dos blogs e das redes sociais, as pessoas agora buscam se informar de outras formas. Iniciam movimentos para cancelar assinaturas, como já houve no Rio Grande do Sul, com o "Zero Fora" e como parece ter ocorrido em São Paulo recentemente com a "Falha de S. Paulo".&lt;br /&gt;Mas realmente alguma coisa de muito séria deve estar ameaçando eles com a possível continuidade do governo Lula  através da Dilma.&lt;br /&gt;Só assim, um jornal com a credibilidade que tinha o Estadão, sempre claramente conservador, mas com articulistas arejados....dá esse vexame!!!&lt;br /&gt;Enfim, eles estão ficando enfim nus para a sociedade brasileira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8801313935471991909?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8801313935471991909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8801313935471991909' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8801313935471991909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8801313935471991909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/10/sera-que-enfim-imprensa-tupiniquin-vai.html' title='Será que enfim a imprensa tupiniquin vai ficar nua?'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8838541142686583237</id><published>2010-09-23T07:55:00.000-07:00</published><updated>2010-09-24T05:29:55.607-07:00</updated><title type='text'>Um braço do corpo</title><content type='html'>As mulheres, podem e talvez devam ver o filho pequeno como um braço de seu corpo, que se afasta dela só a medida em que ele puder projetar-se pleno e em segurança.&lt;br /&gt;Cabe ao filho se projetar  pleno  para longe do seu corpo, em direção ao mundo dele, que ele irá criar para ele, não importa o tamanho desse mundo. A segurança possível é a  capacidade que se procura desenvolver na criança de avaliar os riscos pelas quais vai passar, já que nunca há total segurança. E assim começa a partida nesse tabuleiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8838541142686583237?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8838541142686583237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8838541142686583237' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8838541142686583237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8838541142686583237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/09/um-braco-do-corpo.html' title='Um braço do corpo'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-1531652550373353822</id><published>2010-09-19T18:35:00.000-07:00</published><updated>2010-09-19T18:35:23.447-07:00</updated><title type='text'>20 de setembro</title><content type='html'>Me contaram que os funcionários de lojas de cadeias como o Ponto Frio e  Casas Bahia em Porto Alegre estão usando lenço vermelho em homenagem à Revolução Farroupilha, comemoranda no dia 20 de setembro. Creio que esses grupos comerciais  compraram pontos das antigas cadeias de lojas de eletrodomésticos que haviam no Rio Grande do Sul. Havia o Grazziotin, o Manlec...outros mais....Mas é curioso a necessidade de que os funcionários das lojas forasteiras tenham que usar esse adereço como que para pedir licença para estar aí, explorando o mercado gaúcho.&lt;br /&gt;Também cantaram o hino rio-grandense na abertura do jogo do Inter contra o Vasco. Deve ter espantado os vascaínos tal demonstração de patriotismo regional.&lt;br /&gt;Mas foi o 20 de setembro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-1531652550373353822?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/1531652550373353822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=1531652550373353822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1531652550373353822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1531652550373353822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/09/20-de-setembro.html' title='20 de setembro'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5087542081392295725</id><published>2010-08-28T16:14:00.000-07:00</published><updated>2010-08-28T17:24:05.026-07:00</updated><title type='text'>O futebol foi inventado pelos Kambebas no Amazonas</title><content type='html'>Leia em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/colunistas/rsamuel/rs0174.php&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5087542081392295725?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5087542081392295725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5087542081392295725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5087542081392295725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5087542081392295725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/08/o-futebol-foi-inventado-pelos-kambebas.html' title='O futebol foi inventado pelos Kambebas no Amazonas'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-2716537195532043542</id><published>2010-08-21T08:12:00.000-07:00</published><updated>2010-08-21T08:17:04.213-07:00</updated><title type='text'>A  zona de guerra carioca</title><content type='html'>Mais uma cena de guerra aqui no Rio....traficantes voltam, doidões, de uma festa no Vidigal e provocaram simplesmente uma zona de guerra no Rio.... cidade sempre à flor da pele...Morre uma pessoa. Uma mulher com mandato de prisão. Imagino em que em um ambiente totalmente armado como o Estados Unidos... Ia virar um massacre. Em suma, temos grandes chances de nos salvar de nós mesmos. É só deixarmos de ser hipócritas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-2716537195532043542?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/2716537195532043542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=2716537195532043542' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2716537195532043542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2716537195532043542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/08/zona-de-guerra-carioca.html' title='A  zona de guerra carioca'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-219569436116283351</id><published>2010-08-13T17:19:00.000-07:00</published><updated>2010-08-13T17:51:01.667-07:00</updated><title type='text'>Malandro</title><content type='html'>Para existir malandro, tem que existir otário.&lt;br /&gt;Mas quando o malandro pensa que é o mais malandro dos malandros, o otário vira malandro e o malandro se estrepa. &lt;br /&gt;by Diniz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-219569436116283351?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/219569436116283351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=219569436116283351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/219569436116283351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/219569436116283351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/08/malandro.html' title='Malandro'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-627619021882106145</id><published>2010-08-06T18:08:00.000-07:00</published><updated>2010-08-06T19:11:10.123-07:00</updated><title type='text'>Internacional na final da Libertadores pela Globo</title><content type='html'>É curioso, mas de fato, a cobertura jornalística do futebol brasileiro é sudeste-centrada. Mas é curioso quando a gente se dá conta disso  de forma escandalosa. Pode ser que eu tenha pego a tal síndrome de perseguição, mas vocês já viram um jogo em que um time bateu tanto e claramente no outro e nenhum comentador do jogo observou isso como no de ontem, dia 5 de agosto de 2010, entre o Internacional e o São Paulo por uma vaga na final da Libertadores???&lt;br /&gt;Nem mesmo o suposto colorado do Falcão.&lt;br /&gt;Os jogadors do São Paulo não ganharam nenhum cartão amarelo apesar de cotoveladas e faltas homéricas em cima dos jogadores do Inter. E nem uma linha, uma palavra sobre isso. &lt;br /&gt;O negócio é tão sudeste centrado que só porque o efetivo ganhador é um jogador da província é que ao invés dos repórteres irem atrás dos ganhadores, foram atrás dos perdedores. O áudio da cobertura de fim de jogo era simplesmente meio esquizofrênico. Enquanto câmaras pareciam mais afinados com o espírito do resultado, os repórteres entrevistavam não os ganhadores, mas sim os outros...chorando suas mágoas.&lt;br /&gt;É muito curioso. &lt;br /&gt;Felizmente, apesar de considerar trágico ter que ganhar do time do Fernandão, herói da conquista do Mundial de 2006,  o Inter, demonstrou raça e um jogo efetivamente superior. Embora o futebol seja imprevisível como a vida e nem todo melhor time ganhe o campeonato...o fato é que o Inter é que merecia ganhar essa. E que alívio ele ter ganhado mesmo. &lt;br /&gt;Mas esse episódio me faz pensar como foi a cobertura na década de 70 das vitórias do Inter no Brasileirão. Será que sempre foi assim??&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-627619021882106145?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/627619021882106145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=627619021882106145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/627619021882106145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/627619021882106145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/08/internacional-na-final-da-libertadores.html' title='Internacional na final da Libertadores pela Globo'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-2324223141676169692</id><published>2010-07-15T08:32:00.000-07:00</published><updated>2010-07-15T08:35:13.315-07:00</updated><title type='text'>Paulo Moura</title><content type='html'>Dois discos do Paulo Moura, o clássico “Mistura e Manda” e o célebre “Encontro” com Clara Sverner, Turíbio Santos e Olívia Bynton me abriram uma senda musical que é marcante na minha vida e, provavelmente,  na de outros de seus ouvintes da minha geração.  Chorinho, música clássica, samba, tudo do que melhor foi produzido na nossa música sendo tocado e   servindo de matéria-prima para improvisos de tirar o fôlego  por um virtuose do clarinete, do sax, com sua nobre e negra elegância. Sua forma de tocar, seus gestos e seu refinamento musical me abriram as portas para a estonteante música instrumental brasileira tão repleta de maravilhosos artistas. &lt;br /&gt;Foi, provavelmente, escutando duas fitas que reproduziam esses discos na gélida Dinamarca, que devo ter decidido que algum dia tinha que morar no Rio de Janeiro para me “banhar” de Brasil. &lt;br /&gt;Alguns anos mais tarde ampliei minha reserva de suas obra quando topei com um CD que reproduzia o célebre encontro de Paulo Moura com Artur Moreira e Lima, Elomar e Heraldo do Monte, o “ConSertão” em que Paulo Moura arrasa solando na “Valsa da Dor”, de Villa Lobos e em mais outras faixas também eternas. Minha admiração por ele me fez certa vez despencar de carona, com uma amiga companheira de aventuras, de uma praia em Santa Catarina para ver um concerto dele em Porto Alegre em pleno Teatro São Pedro. Quando, enfim,  chegamos o concerto já tinha começado, mas sorvi aquela música como um presente inesquecível. Achava imperdível vê-lo encher com sua música aquele que é ainda o mais belo teatro da capital gaúcha. Me parecia o único cenário a altura para vê-lo ao vivo a primeira vez.  Morei ano em São Paulo e devo tê-lo visto tocando lá algumas vezes. Mas foi em uma visita no Rio, quando topei com ele saindo daquele antiquário  que se fazia de bar com chorinho à noite, na rua Lavradio, que me senti perto. Não o escutei tocando, mas me senti tão feliz de cruzar tão normalmente com ele que devo ter esboçado alguma reação. Talvez ele não estivesse acostumado com tietes. &lt;br /&gt;Só não entendo o que deu em mim por não tê-lo visto tocar aqui no Rio nestes últimos seis anos que moro nesta cidade. Vai ver que o considerava tão eterno que não me esforcei o bastante. Ele então estava tão acessível que me contentei em escutá-lo nos meus discos e no meu CD. Estou inconformada de ter perdido o show que ele fez o ano passado toda quinta-feira em um bar da Gomes Freire, assim, tão simples, na minha vizinhança, na Lapa. Não consigo entender como não fui. Mas me lembro de sempre ter pensando em ir. Esperava alguma oportunidade. Mas não a construí. E agora?  Me resta isso: expressar minha gratidão por tudo o que sua música representou para mim. E que você, aí nesse firmamento, brilhe muito e eternamente.&lt;br /&gt;Pois o dia 13 de julho de 2010 só representou sua ida para outra dimensão. Vais deixar muitas saudades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-2324223141676169692?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/2324223141676169692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=2324223141676169692' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2324223141676169692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2324223141676169692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/07/paulo-moura.html' title='Paulo Moura'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-4078981023474102713</id><published>2010-06-26T19:29:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T19:33:22.605-07:00</updated><title type='text'>Os duelos da Copa</title><content type='html'>Os duelos da Copa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasil jogou contra Portugal. Chile contra a Espanha. E nos dois jogos  havia uma espécie de  cerimônia. Depois que fez seu gol que diminuiu a diferença na derrota para Espanha, os chilenos  pararam de pressionar. Estavam contentes com o resultado. A derrota que os levou a disputar as oitavas de final com o Brasil. Já o Brasil não perdeu para Portugal. Empatou. E havia um certo clima de se buscar um resultado bom para ambos. Um certo alívio de não ser o mata a mata. E talvez uma certa incompetência com o escrete canarinho desfalcado. Mas o fato é que eram duas ex-colônias jogando com seus países colonizadores. &lt;br /&gt;Hoje, Gana, único representante da África nesta fase, elimina os Estados Unidos. E aqui como em outros lugares do mundo, muitos senão a maioria torciam para que os africanos levassem. Os ianques não! Era um alívo não tê-los no futebol, esporte mais popular do mundo mas que ironicamente era ignorado pela grande potência mundial.&lt;br /&gt;Todos dissemos que são apenas jogos, mas a grande verdade é que na Copa do Mundo se encenam conflitos entre os países que vão além das chuteiras. Algumas rivalidades e suas torcidas de ocasião possuem um pano de fundo geopolítico que apimenta mais a disputa simbólica que se trava em uma partida de um mundial. Dá para se dizer que nós, os seres humanos evoluímos dos circos romanos onde a massa assistia a carnificinas ao vivo e a cores para essa batalha de chuteiras. Alguns pingos de sangue aparecem involuntariamente. É um jogo muitas vezes violento. Mas o futebol e o circo chamado Copa do Mundo encenam rivalidades já domesticadas mas que nos fazem tomar contato com essa concorrência tribal que está impressa em  nossas subjetividades e que jogam os seres humanos e as sociedades que eles formaram sempre para algum tipo de disputa. É muito bom que essa que dura somente 90 minutos tenha esse poder de nos fazer sentir coisas extremadas em tão intensos minutos.. e que de alguma forma tenham o poder de aliviar essa nossa compulsão animal de lutar com os Outros para destruí-los e para não ser destruído. E o bom é que nesse tipo de duelo o país mais poderoso do mundo pode ser eliminado pela África. E na maior alegria e paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-4078981023474102713?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/4078981023474102713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=4078981023474102713' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4078981023474102713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4078981023474102713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/06/os-duelos-da-copa.html' title='Os duelos da Copa'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7722755091705970371</id><published>2010-06-21T08:50:00.000-07:00</published><updated>2010-06-21T08:51:25.158-07:00</updated><title type='text'>O  funk dos nossos ouvidos</title><content type='html'>É muito legal saber que uma música desenvolvida nos morros e favelas, o chamado “funk carioca”, tenha conquistado adeptos em todo mundo, ampliando o mercado musical de músicos brasileiros. Mas honestamente não sou simpatizante da música, simplesmente porque ela invade meus ouvidos sem a menor consideração. Para corroborar minha implicância é líquido e certo que os adeptos dos bailes funks irão ensurdecer por volta dos 40 e  50 anos. É meio triste ver uma geração fadando-se à surdez. É um problema deles. Uma opção. Como é uma opção de quem é fumante escolher a manutenção do vício e uma probabilidade alta de desenvolver um câncer nos pulmões. &lt;br /&gt;O aborrecido é que essa mania deles ensurdece também a vizinhança. Fico pensando o que fazem os moradores das redondezas dessa quadras de bailes funks. Bom, quem não gosta deve saber com alguma antecedência e mudar para casas de parentes durante o fim de semana. Sim porque eu moro longe e, provavelmente por uma questão de acústica... já que a tal quadra é no meio de um vale (eis aí o início dessa ciência) sinto que o baile é no apartamento do lado da minha casa.  A estridência e o ritmo são tão fortes que fazem balançar as vidraças do meu apartamento. Creio que com um volume um pouco  mais alto elas se espatifarão. E esse é sem dúvida o grande problema da surdez.  Já surdos, os freqüentadores desses bailes devem estar precisando escutar sua música a um ritmo cada vez mais alto.&lt;br /&gt; Já ouvi falar que o “estilo estouro” de tímpanos faz parte de uma provocação social dos criadores desses bailes. Uma forma de incomodar a vizinhança mais abastada dessas favelas.  A clássica luta de classes em forma musical. &lt;br /&gt;Pois, assim como ocorre com as greves, nós temos que chamar esse pessoal para negociação.  Temos que estabelecer códigos de conduta para eles poderem fazer os bailes quando quiserem e nós podermos dormir quando quisermos.  Deve ser legal estar em uma festa ao ar livre, escutando e dançado a música que se gosta. Mas não é justo impor essa festa para a vizinhança. E convém eles se darem conta do risco que andam correndo...Em suma, estou chamando esse pessoal para negociação. Tem que haver um jeito. Por exemplo, uma divulgação da festa para a gente ir procurando um lugar para passar a noite de sexta e sábado. Quem tem criança não pode passar a noite na boemia e tem que ter alternativa... Para a criança e para os pais.  E uma certa parcimônia nas festas. Datas previstas e divulgadas. Que tal? No desespero da madrugada até liguei para o 190. Mas a polícia não serve para resolver esse assunto. Até porque não pode. E eu não sou a favor de repressão policial. Sempre vai ser violenta e exagerada. Tem que ter um meio termo, não é?&lt;br /&gt;Já de antemão, sugiro que todos se submetam a exames de ouvido. Pois a surdez já está a caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7722755091705970371?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7722755091705970371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7722755091705970371' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7722755091705970371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7722755091705970371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/06/o-funk-dos-nossos-ouvidos.html' title='O  funk dos nossos ouvidos'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-1136168312268449480</id><published>2010-06-14T16:28:00.000-07:00</published><updated>2010-06-14T16:29:43.519-07:00</updated><title type='text'>A Redenção da África em nós</title><content type='html'>A redenção da África em nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A priori, a Copa da África do Sul já seria importante só por ser realizada na África. Mas ao assistir algum jogo é possível dar-se conta de que algo bem maior está acontecendo. Colocar os holofotes na África, falar de seus países, de sua gente. Mostrar imagens. Falar do “Ubuntu” para nós, brasileiros médios, que parecemos tanto com os africanos, mas conhecemos e ouvimos falar tão pouco deles, promove, a meu ver uma espécie de redenção da África que temos em nós. Sim, temos uma África na nossa cultura. Isto é uma das grandes qualidades da cultura brasileira. E só ao olharmos para os africanos, os negros e negras que vivem na África, é que podemos perceber a qualidade da nossa negritude. E é realmente muito bom sermos negros também. Que sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-1136168312268449480?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/1136168312268449480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=1136168312268449480' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1136168312268449480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1136168312268449480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/06/redencao-da-africa-em-nos.html' title='A Redenção da África em nós'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-4697278628704898765</id><published>2010-05-03T08:31:00.001-07:00</published><updated>2010-05-03T10:04:31.121-07:00</updated><title type='text'>A principal revolução do século XX e a maternidade</title><content type='html'>Desconfiava que ser mãe era bom. Afinal, geralmente toda mulher saudável gosta. Mesmo as que enfrentam duras condições de vida. Dá trabalho. Mas nenhuma cogita em voltar o filme para percorrer outro caminho. Os filhos, como são, como vieram parar em nossos colos, alteram completamente a percepção da vida. Ao se tornar mãe, toda mulher tem a oportunidade de se transportar para outra dimensão.&lt;br /&gt;Por outro lado, achava espantoso pensar como a maior revolução do século XX, a das mulheres ocidentais, deixou a maternidade pelo caminho. Se bem que não, se formos observar do ponto de vista da demanda por direitos sociais, como saúde e educação, especialidades femininas.&lt;br /&gt;O fato é que o debate atual sobre as diferenças entre os sexos, o chamado discurso pós-feminista, é produto do fato de que, depois de tantas conquistas na cena pública, as mulheres da atual geração passaram a buscar a maternidade conscientemente.  A vantagem que é ser mãe não é é mais uma obrigação inescapável para uma mulher de vida sexual ativa, não exige casamento formal nem é necessário uma união com o pai, embora seja bom contar com eles... Além disso, independe de orientação sexual.&lt;br /&gt;Foi uma memorável aula de Yvone Knibiller que me esclareceu o quanto o feminismo, não visto sob o prisma das lutas de fato, mas sob o prisma da ideologia da igualdade entre os sexos havia deixado a maternidade pelo caminho. Sobretudo para as leitoras de Simone de Bouvoir, para quem a maternidade simplesmente é o que igualava as mulheres aos animais, não produzindo maior transcendência.&lt;br /&gt;Há pouco descobri um artigo acadêmico que fala do tal “maternalismo”, conceito usado por alguns historiadores para descrever lutas de mulheres que a partir do século XIX tiveram como ponto de partida demandas sociais vinculadas à maternidade. Foi uma surpresa saber que o pontapé inicial das algumas mobilizações de mulheres foi justamente a maternidade. Parece até que houve um Congresso Nacional das Mães nos Estados Unidos no século XIX. Ou seja, todos os movimentos feministas da primeira fase, portanto do século XIX e do início do século XX podiam ser classificados como “maternais”, já que a maternidade constituía a principal definição social das mulheres brancas, protestantes e da pequena burguesia norte-americana que deram início a esse movimento.&lt;br /&gt;Para alguns historiadores esses movimentos eram conservadores, para outros revolucionários. O fato é que, embora desconsiderem provavelmente a questão das classes sociais, estes movimentos desembocam em uma compreensão sobre esta atividade altamente vinculada ao gênero feminino.&lt;br /&gt;Não podemos esquecer que  as operárias também apreciavam poder se consagrar a seus filhos. Muitos sindicatos de trabalhadores do século XIX lutavam contra a contratação de mulheres nas fábricas, influeciados por Proudhon e seu culto à mãe de família devotada.&lt;br /&gt;Pessoalmente gosto de ver aquelas pessoas que gostam de “criar” crianças,  e é mais comum  ver mulheres assumindo estas tarefas, vindas  da barriga dela ou não. E acho importante que algumas lutas tenham desembocado no reconhecimento do papel das mães como um “trabalho”, ou seja, tendo este valor, mesmo não sendo  “pago”,monetariamente falando, pois isso  favoreceu ao aumento da autonomia das mulheres no interior da instituição conjugal e sustentou direitos sociais que estão associados a papéis considerados femininos e, portanto, subalternos, de uma sociedade. Embora haja o risco de reforçar a ideologia patriarcal, é fato que muitas mulheres despertaram para lutas sociais porque gostariam apenas ter seus filhos com a traquilidade de contar com um bom atendimento público de saúde, creches, licenças-maternidades, horários justos de trabalho, educação pública de qualidade e moradia.. Eis o sonho que embalou muitas lutas sociais aparentemente insignificantes, por serem lutas micro, não pautadas para grandes transformações sociais, mas que deixaram valores perenes em sociedades, como a brasileira. Valores aos quais os próprios partidos conservadores hoje têm que se dizer partidários.&lt;br /&gt;É por essa e outras razões que a luta das mulheres do século passado foi a que trouxe transformações mais perenes para o mundo. Tirando a mania dos fundamentalistas islâmicos, cuja suposta cultura resolveu retroceder neste assunto, os passos que foram dados adiante pelas mulheres ocidentais não voltaram atrás. Seu exemplo para mulheres de outras sociedades incomoda porque como toda e qualquer emancipação, ela destrona alguns senhores simbólicos e reais e redesenha profundamente o mundo social.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-4697278628704898765?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/4697278628704898765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=4697278628704898765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4697278628704898765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4697278628704898765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/05/principal-revolucao-do-seculo-xx-e.html' title='A principal revolução do século XX e a maternidade'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-295025948431709623</id><published>2010-03-05T04:10:00.000-08:00</published><updated>2010-04-29T13:00:28.889-07:00</updated><title type='text'>Cesar Battisti, Olga Benario e o STF</title><content type='html'>Há alguns meses atrás, quando  Gilmar Mendes proferiu a decisão do STF sobre a deportação do Battisti,  ou seja, que ele, enquanto presidente do STF,  lavava as mãos jogando a batata quente do destino do ativista de extrema esquerda italiano para as mãos do presidente Lula, achei que, dada a polêmica que este caso havia gerado no país, a decisão seria rápida. Acompanhei meio atrasada os lances da polêmica, mas ficou claro que estava em jogo um caso que no fundo era para explicitar o tipo de polaridade política que vem permeando o Governo Lula.&lt;br /&gt;Sim, porque só em um contexto de polaridade é que poderia sair uma sentença classificando de comuns os crimes de que  Battisti é acusado na Itália, quando era ativista de extrema esquerda. O mais curioso foi ver comentários de gente batendo palma para esta decisão em blogs, como o de Reinaldo Azevedo.  Quem não conhece, esse tal de Azevedo é colunista da revista “Veja” que, hoje em dia representa o partido  mais azedo e estridentes contra Lula, PT e presidentes latino-americanos de esquerda, como Chaves e Evo Morales. Sem querer entrar no mérito das atuações destes presidentes, é fato que algumas matérias desta revista, publicada pela Editora Abril, referentes a essas figuras  parecem tão panfletárias quanto qualquer  jornaleco partidário de quinta.&lt;br /&gt;Claro que, neste panorama, se destaca a figura de Mino Carta, que torce pela deportação de Battisti não por compartilhar  da visão política desta turma, mas provavelmente pelo ressentimento que nutre com o estrago que fez o pessoal da extrema-esquerda italiana, como Battisti,   ao panorama político possível da década de 70 na  Itália, quando ocorreu um dos piores crimes desse tipo: o sequestro e o assassinato do político da Democracia Cristã italiana, Aldo Moro. &lt;br /&gt;Mas, a meu ver,  o pior neste caso particular, é a quantidade de gente que achava normal a pressão que o governo italiano do Berlusconi vem fazendo em cima do Brasil. Digamos que um país,como a Itália, que não entregou um criminoso de colarinho branco como o Cacciola, humilhando, a meu ver, o governo e a justiça brasileiros, não tem o menor direito de pedir reciprocidade da nossa parte, ainda mais quando se sabe que a condenação de Battisti foi à revelia e pode ter sido a saída que seu ex-companheiro delator encontrou de livrar-se de condenação maior. &lt;br /&gt;Independente de todos essas questões, acho interessante explorar a similitude existente entre a traumática entrega de Olga Benário para os alemães em 1936 e a imputação hoje recorrente da responsabilidade do então presidente Getúlio Vargas nessa decisão. Esta memória histórica compartilhada me veio à tona quando o Gilmar Mendes decidiu responsabilizar Lula por qualquer decisão final referente ao destino de Battisti. &lt;br /&gt;O livro de Fernando Morais aponta alguns dos juízes do STF responsáveis pela vergonhosa entrega de uma mulher grávida, judia e comunista ao governo nazista...mas um outro livro que li sobre a época  aponta que o presidente do STF de então, o Gilmar Mendes da época era o Vicente Rao.&lt;br /&gt;O que ninguém comenta é que provavelmente esta decisão do Supremo Tribunal Federal da época estava vinculada ao clima de opinião pós-Intentona, provavelmente histérico contra os comunistas após seu fracassado levante de 1935. Ao contrário de alguns ignorantes em história, não estávamos ainda na ditadura Vargas em 1936, portanto, as instituições que funcionavam na época tiveram liberdade de ação para decidir. Mas a pecha de culpa foi para Vargas que, efetivamente talvez pudesse ter feito algo para coibir tal decisão, mas não fez, agradando a Filinto Muller que, como sabemos era o chefe da polícia política da época e havia sido expulso da Coluna Prestes... ou seja, era um desafeto público do pai da criança que Olga trazia na barriga. Mas o que importa é que,  na época a decisão final sobre a deportação foi mesmo do STF. Mas a responsabilidade histórica é atribuída ao então presidente Getúlio Vargas.&lt;br /&gt;A meu ver hoje, embora não corra o risco de morrer em um campo de concentração, o fato de a decisão sobre o destino de Battisti ter sido entregue nas mãos de Lula contém o mesmo tipo de capciosa armadilha que caiu sobre Vargas sobre esse tema específico. Muitas pessoas, intelectuais até de peso, não tem meias palavras para chamar Getúlio de fascista tanto por esse caso, como pelo Estado Novo... como pela Carta del Lavoro, de Mussolinni, que inspirou as Leis trabalhistas que seu governo implantou no país.&lt;br /&gt;Objetivamente, as pessoas esquecem que, após a implantação do Estado Novo,  ele teve que enfrentar de arma na mão golpistas de tons nazistas e integralistas que, em 1938, invadiram o Palácio das Laranjeiras, onde então presidente vivia, ameaçando toda a sua família. Esta turma era formada pelos descontentes com o fato de que a instituição do Estado Novo colocou tanto a esquerda como a direita do tabuleiro político da época representada sobretudo pelos Integralistas, fora da lei.. Depois desse episódio, tendo se comprovado a participação de funcionários ligados à embaixada alemã no Brasil, Vargas foi o primeiro governo do Ocidente a expulsar um  embaixador nazista do país, pouco depois de  a Inglaterra e a França engolirem o sapo de ver Hitler anexar impunemente os Sudetos, parte da hoje República Checa, à Alemanha. Provavelmente, estes países achavam que aplacariam a fome de expansão nazista, tolerando isso, mas a atiçaram ainda mais. &lt;br /&gt;Voltando ao caso que hoje envolve o presidente Lula, o que se imagina que pode vir a acontecer com Battisti se for enviado para a Itália? Executado ele não será, mas certamente, a responsabilidade por qualquer coisa que lhe aconteça no futuro será provavelmente imputada a Lula que, será considerado traidor dos direitos humanos pela mesma turma que  estridentemente faz campanha  para dá-lo de presente para  o governo Berlusconi. Na verdade, a maioria dos antepassados políticos dessa turma são os mesmos que fizeram a estridente campanha pública contra os comunistas na década de 30, criando o clima de opinião que favoreceu a expulsão ilegal de Olga. É uma turma que possui uma ojeriza quase patológica contra a esquerda e seu grande representante político atual, como  hoje em dia sabemos, é o jurista que até recentemente presidia o STF,  Gilmar Mendes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-295025948431709623?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/295025948431709623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=295025948431709623' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/295025948431709623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/295025948431709623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/03/cesar-battisti-olga-benario-e-o-stf.html' title='Cesar Battisti, Olga Benario e o STF'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5678308163584869373</id><published>2010-02-21T07:18:00.000-08:00</published><updated>2010-03-05T04:12:45.342-08:00</updated><title type='text'>Carnaval 2010: o ensaio geral do caos olímpico de 2016?</title><content type='html'>Os cariocas em geral possuem fama de serem “exxxperrrtos”. No entanto, depois deste Carnaval de 2010, cheguei à conclusão que eles são talvez os cidadãos mais otários do Brasil. &lt;br /&gt;Temos que esclarecer que esta situação vigora com a colaboração explícita dos verdadeiros “anestesiantes sociais” que são os meios de comunicação de massa.&lt;br /&gt;Não pude curtir a cidade como foliã, e como moradora, durante o Carnaval,  limitei-me a tentar exercer meu direito de ir e vir pela cidade, o que me deu oportunidade de ver o caos do transporte público que a assolava durante estes dias em que esteve lotada e repleta de blocos por todos os lados.&lt;br /&gt;No entanto, a percepção e os transtornos do público não foram parar no jornais, TVs e rádios que trataram com normalidade ônibus lotados emperrados em engarrafamentos, estações de metrô fechadas e a via crucis  dos passageiros que tinham que passar uma hora rezando até aparecer um táxi vazio disponível para sua viagem. Basta dar um singelo “Google” para ver que o caos do transporte urbano na cidade não recebeu atenção de nenhuma linha sequer.&lt;br /&gt;Se um evento que faz parte do calendário normal do Rio leva a cidade ao caos, o que podemos esperar dos mega-eventos Copa do Mundo e Olimpíadas no futuro?&lt;br /&gt;A julgar-se pelas manchetes dos jornais, o grande problema do Rio de Janeiro foram os “mijões”, que diante da opção de um banheiro para cada 600 pessoas, se aventuraram a fazer seu xixi na rua e foram sumariamente presos.&lt;br /&gt;Obviamente, ninguém gosta de sentir cheiro de mijo pelas ruas, mas este era de longe um dos menores problemas deste carnaval. Aí é que entra a “otarice carioca”. Como uma cidade que ficou totalmente caótica desde o pré-carnaval pode acordar na quarta-feira de cinzas e julgar que agora tem uma prefeitura que se preze... que está instaurando a ordem... por prender gente mijando nas ruas enquanto o transporte público da cidade estava totalmente caótico e efetivamente atrapalhando o cotidiano tanto do folião como do morador que procurava viver sua cidade sem necessariamente cair no Carnaval.&lt;br /&gt;A verdade é que esse clima é possível de parecer verossímil por que desde que assumiu a prefeitura, o senhor Eduardo Paes vem se notabilizando em “instaurar ordem” onde as coisas meio desordenadamente funcionavam.... e deixar de lado todos os problemas efetivamente estruturais desta cidade.&lt;br /&gt;Como mencionou um taxista logo no início dessa gestão, quando um administrador começa seu governo atacando os mais humildes, os mais fracos, já sabemos onde isso vai parar. Ou seja, factóides contra o Rio informal (camelôs, barraquinhas de praia, mijões de ocasião) que amenizam a sede de alguma governabilidade sensata por parte de setores da população que vivem no Rio formal, enquanto a cidade, de fato, vive um tremendo caos que atinge, isso sim, toda a população e seus desavisados turistas.&lt;br /&gt;E o pior, o Rio informal dos camelôs, barraqueiros e vendedores de praia, etc. em sua aparentemente caótica autogestão funcionava. Rendia uns trocados para os do andar debaixo e. fora alguns excessos, incomodava bem menos do que a falta de uma infra-estrutura urbana  minimamente planejada, como é o que de fato ocorre no Rio de Janeiro desde sempre&lt;br /&gt;Já a falta  de notícia sobre as arbitrárias decisões de se fecharem estações de Metrô só pode ser considerada normal em uma cidade em que a mulher do governador, responsável pelo serviço, é advogada da companhia que recentemente recebeu um aumento da concessão da exploração da linha para “investir” no transporte. Sim, porque até então, quem investia era apenas o governo estadual... a concessionária tinha apenas que cuidar do serviço... coisa que como vemos nos últimos meses, não tem a menor competência. Mas isso não importa. Merecia tirar a sorte grande e ficar seus trinta anos sugando os lucros desta concessão.  Minha curiosidade é ver em 2014 e 2016 como esta sorte grande vai ser vista pelo resto do mundo quando estes estiverem enfrentando caos instalado nesta cidade por conta de suas gangues que administram transporte público como um assunto de família.&lt;br /&gt;A propósito, para completar, convém mencionar que a violência continua também a de sempre... Um casal de jovens turistas holandeses foi assaltado na estrada das Paineiras em seu segundo dia de visita ao Rio. Mesmo sem reagir, o rapaz foi baleado por um assaltante de 15 anos. No mesmo dia, o primeiro do Carnaval 2010, a delegacia de Santa Teresa estava lotada....adivinhe com quem? Os inadvertidos "mijões" deste Carnaval....como se realmente não houvesse nada mais importante para ocupar a polícia desta cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5678308163584869373?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5678308163584869373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5678308163584869373' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5678308163584869373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5678308163584869373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2010/02/carnaval-2010-o-ensaio-geral-do-caos.html' title='Carnaval 2010: o ensaio geral do caos olímpico de 2016?'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-2420810210322214056</id><published>2009-11-17T15:46:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T15:59:57.229-08:00</updated><title type='text'>As associações de moradores e o Rio de Janeiro</title><content type='html'>Durante a década de 80, nos fins dos anos da ditadura, o Rio de Janeiro fervia com suas associações de moradores. Talvez tenha ocorrido aqui neste período o mesmo que ocorrera em Porto Alegre. Muitos militantes de esquerda, sem outra alternativa de militância segura, passaram para as lutas comunitárias. São as associações de moradores o que está na origem do hoje, graças ao Governo Fogaça, moribundo Orçamento Participativo de Porto Alegre. A verdade é que a Prefeitura do PT, recém-eleita em 1988 com a bandeira da "inversão de prioridades", diante da falta de caixa para colocar a promessa em ação, resolveu afixar em  um caminhão  placas enormes onde expunha, de forma ambulante,o minguado orçamento da prefeitura para as várias comunidades onde, então, aguerridas associações de moradores cobravam as novas prioridades do novo governo.&lt;br /&gt;Depois de morar onze anos em São Paulo, onde não vi rastro nem vestígio de associação de moradores, me surpreendi que essa militância existia no Rio. Aterrisei em um bairro peculiar neste quesito, Santa Teresa, mas isso me fez buscar informações e descobrir que esta cidade compartilhou da mesma efervecência comunitária da década de 80. Não sei como foi que se deram os processos por aqui, mas é fato que eu vejo que esta cidade ainda guarda importantes associações e um tecido social organizado, o que não é pouco. Estas associações não estão só no asfalto, estão também nas favelas onde cumprem um papel fundamental, como os correios comunitários. E deve ser bem  difícil manter uma associação nas favelas, obrigada a andar em um espaço delimitado por  um Estado ausente e um movimento "armado". Isto certamente torna muito mais complicado manter lutas sociais.  Mas é fato que a permanência desses movimentos no Rio indica que há muito mais potencialidades políticas auto-organizativas nessa cidade do que a gente imagina. Vide os "transportes alternativos" geralmente criados onde os serviços oficiais não funcionam.... Que o carioca tem grande talento auto-gestionário, isso sabemos, visto a capacidade com que em várias localidades dessa cidade o pessoal se organiza para fazer uma festa, seja ela, junina, bloco de carnaval... etc.&lt;br /&gt;Mas esse savoir faire vai mais além...senão não existiriam essas associações ainda pulsantes nessa cidade. Ouso até dizer que um governo que quisesse ser realmente transformador  deveria começar justamente potencializando essas energias organizativas e não as coibindo ou as comprando com clientelismo e favores de ocasião. Mas, por enquanto,  isso é querer demais... Do jeito que assistimos na TV, nas ruas e mesmo nas lutas do meu bairro, tenho chegado à conclusão que o grande problema do Rio são suas supostas "autoridades", geralmente desqualificadas para os cargos que ocupam. Nem tanto por incapacidade técnica, mas geralmente corrompidas por conchavos de todos os tipos, que, geralmente de forma autoritária,  jogam na vala comum de negociatas o bem público e lamentavelmente, com muita frequência,  desrespeita  a  vida de seus concidadãos menos afortunados economicamente. Mas acho que o povo, o cidadão carioca, sabe muito bem do que ele precisa. Geralmente não tem acesso a canais para fazer essa vontade prevalecer. Geralmente é humilhado, quando não obrigado a se curvar para obter o que lhe é de direito. Mas a vida e a consciência política pulsam nessa cidade. Muitas vezes está dissimulada. Mas está aí, viva. Um dia, quem sabe, virá à luz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-2420810210322214056?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/2420810210322214056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=2420810210322214056' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2420810210322214056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/2420810210322214056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/11/as-associacoes-de-moradores-e-o-rio-de.html' title='As associações de moradores e o Rio de Janeiro'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5220974884456118073</id><published>2009-11-17T15:11:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T15:46:03.233-08:00</updated><title type='text'>50 anos sem Villa-Lobos e a devoção brasileira ao violão</title><content type='html'>Talvez não tenha sido acaso que o extenso e riquíssimo Festival Villa-Lobos deste ano, que celebra o cinquentenário da passagem de Villa-Lobos por esta terra, tenha escolhido um mestre do violão para tocar sua obra integral hoje, dia 17, data em que Villa efetivamente faleceu há 50 anos atrás. Ao contrário dos dois outros concertos que assisti do festival, que além da grande qualidade da programação tem preços populares, foi neste que vi a maior afluência de jovens. Provavelmente jovens amantes do violão...violonistas...em devoção a uma obra que realmente é um marco para este instrumento não só no Brasil como no mundo.&lt;br /&gt;Durante o concerto, dei-me conta que a primeira parte do programa, a Suíte Brasileira, Choros nº1, e os 5 Prelúdios, de fases diversas... fazem parte do meu repertório musical há anos. E que saudades de escutar essa sonoridade coloridos e elegante. Sim porque a música de Villa é colorida. Infelizmente um ataque de tosse me impediu de assistr os 12 Estudos que ele compôs pensano em André Segóvia.... Uma tragédia para mim. Mas nos trechos em que retornava à sala, quando esta imbecilidade conspirativa do meu corpo amainava, pude perceber que nesses estudos talvez residam toda a base do violão moderno brasileiro... não só o clássico. Sou uma devota do violão, portanto, não entendo os meandros desse intrumento... Só fico no seu encantamento....E pude perceber que, sim, boa parte dos grandes violonistas e compositores brasileiros tiveram que passar horas estudando Villa-Lobos.E sem dúvida é um privilégio.&lt;br /&gt;O que fica é que, dada a platéia, a tradição brasileira do violão continuará produzindo novos violonistas, compositores e sua devota tribo de seguidores encatados pela sonoridade graciosa e colorida deste  mágico instrumento sempre presente nas rodas popuares, mas também imortalizado por grandes mestres como Villa-Lobos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5220974884456118073?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5220974884456118073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5220974884456118073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5220974884456118073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5220974884456118073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/11/50-anos-sem-villa-lobos-e-devocao.html' title='50 anos sem Villa-Lobos e a devoção brasileira ao violão'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8412138439969424130</id><published>2009-11-02T07:02:00.001-08:00</published><updated>2009-11-03T03:17:30.967-08:00</updated><title type='text'>Hotel Santa Teresa: mais uma do François</title><content type='html'>Sem pejo de não atender às reclamações de seus vizinhos de que maneirasse nos barulhos e festas semanais que faz em seu estabelecimento sem tratamento acústico,  François Delort, o dono do Hotel Santa Teresa, resolveu apelar para um juiz para impedir que seus vizinhos fizessem uma ação barulhenta em protesto contra seu descaso com a boa vinhança.&lt;br /&gt;É interessante pensar o que se passa na cabeça desse juiz. Pode fazer manifestação, mas desde que seja silenciosa. &lt;br /&gt;Onde já se viu manifestação silenciosa?&lt;br /&gt;E esse cidadão francês, autor da ação, parece jogar no lixo toda a história de "droit des hommes" tão cara a seu país. Afinal, direito a se manifestar faz parte de uma das cláusulas pétreas dessa magnífica regulação, tão cara às lutas sociais do século XIX, XX e XXI....Este direito continua sendo, de fato, um fator de disputa, dependendo do país, mas o curioso é estarmos em um país dito democrático onde um juiz pode se dar o direito de impedir uma manifestação pública.... ferindo a nossa Constituição....&lt;br /&gt;Bom, digamos que Delort agora colocou sua batata para arder. A vizinhança já o via com enorme desconfiança depois que ele demoliu um dos prédios mais antigos do bairro, reconstruíndo-o com um gabarito maior, ou seja, ocupando muito mais área construída de seus terreno, ferindo a legislação e, ainda por cima, tapando a vista de seus vizinhos. &lt;br /&gt;Conta-se que ele simplesmente não resolve esse problema do barulho porque seu sistema de ar condicionado não funciona bem. Ora, mande consertar! Para quem gastou uma banana para fazer a demolição e reconstrução do hotel, essa parte do ar condicionado e do tratamento acústico não poderia ser deixada como detalhe. A não ser que ele realmente, como de fato demonstra,  não dê a mínima para a boa vizinhança. Seu negócio é manter relação com a Coligação de Favelas de Santa Teresa que selecionou para ele os 80 funcionários do Morro dos Prazeres que trabalham no hotel. É uma questão de aritmética. Enquanto a "representativa" Coligação de Favelas defende o direito de seus 80 funcionários, que se lixem os seus vizinhos, menos afeitos às "migalhas" de sua política de "boa ação social". Que fiquem eles aguentando os barulhos de seus clientes, transmitidos  diretamente pelas janelas abertas de seu estabelecimento chique, onde um hamburguer custa R$ 90 reais.&lt;br /&gt;Me dei conta que essa luta curiosa contra o Delort em pleno "Ano da França no Brasil" expressa bem como funciona a nossa sociedade atualmente. Os ricaços fazem alianças com os escroques estrangeiros para desfrutarem do que supostamente é "chique" no mundo, dão migalhas em forma de "projetos pontuais", estilo ONGs, para as classes populares, fazem o maior marketing disso (sim porque supostamente o Canal Plus francês está fazendo um documentário sobre as "boas ações do Delort") e a classe média esmagada e politizada(que é este o caso de que se trata), que fique de bico fechado....pare de incomodar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8412138439969424130?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8412138439969424130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8412138439969424130' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8412138439969424130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8412138439969424130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/11/hotel-santa-teresa-mais-uma-do-francois.html' title='Hotel Santa Teresa: mais uma do François'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-884444534032693675</id><published>2009-10-13T18:56:00.000-07:00</published><updated>2009-10-14T06:58:15.120-07:00</updated><title type='text'>O MST e a Cutrale</title><content type='html'>Já faz tempo que o MST deveria ter se dado conta de que menos pode ser mais. Em outras palavras. Seria melhor do que fazer ocupações com 250 famílias, juntar 20 bons militantes, que sabem direitinho o que estão fazendo, para   empreender uma ação simbólicamente  forte. Não precisa de muita gente para fazer isso. Basta ter imaginação. Esse problema de sempre "juntar pobre" e cada vez "mais pobre" é que nesse bolo vem de tudo. E geralmente a metade do acampamento não sabe direito o que está fazendo ali. Fora aqueles que querem se aproveitar da situação para tirar as suas lasquinhas. Depois não dá para reclamar de infiltrações, etc. É óbvio que o MST vai sempre estar sujeito a essas "cascas de banana". Tem que saber evitar. E ações no Estado de São Paulo tem um poder de repercussão grande. Tem que ser muito cuidadoso com isso.&lt;br /&gt;Por outro lado, aplaudo todas as tentativas de denunciar grilagens do país e acho até que se o Estado brasileiro tivesse vontade política para fazer reforma agrária bastava verificar nos cartórios o que é terra com dono legítimo e o que é terra do Estado e já resolvia o assunto. Dizem que tem pelo menos três Mato Grossos em títulos, e deve ter o mesmo no Pará...&lt;br /&gt;Mas o problema é que a tal da ação na área dos laranjais da Cutrale foi sim uma opção completamente infeliz.&lt;br /&gt;Houve um problema de tempo. As imagens saíram em rede nacional na segunda e eu, que recebo mensagens de vários militantes do MST, só fui a saber por que diabos tinham destruído aqueles laranjais na quarta. Até então, fiquei achando que era ação de uma "quinta coluna" do MST. &lt;br /&gt;Que diabos, em plena discussão sobre a aprovação dos índices de produtividade, uma semana depois da divulgação de dados do Censo Agrário tão amplamente favoráveis à agricultura familiar, por que fazer uma ação tão estúpida?&lt;br /&gt;Sim, porque ninguém gosta de ver trabalho sendo destruído. Pode ser trabalho em terra grilada, mas é trabalho. Muita gente ficou horrorizada com a destruição da pesquisa de 20 anos da Aracruz.... e a pesquisadora chorando... Era trabalho. Trabalho tem que ser respeitado. Pode ser de empresa exploradora, não importa... Esse não é um bom alvo. E não era um bom momento.&lt;br /&gt;E depois começaram a vir os textos em apoio à ação do MST. Em um deles, de autoria de Osvaldo Russo, ele denuncia o fato de a sociedade ter se escandalizado com a destruição dos laranjais, mas não costumar dar a mínima para  os enormes números trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão,  com a não aprovação de uma atualização dos índices de produtividade, que ainda são de 1975, e que hoje sofre renhida oposição da bancada do agronegócio, curiosamente sempre tão orgulhosa de seus feitos produtivistas..&lt;br /&gt;O que tanto o MST e Russo esquecem é que estamos falando de uma sociedade que tolera a escravidão, a grilagem, enormes  faixas de terras improdutivas, etc. E portanto, essas situações não escandalizam mesmo. É papel dos movimentos sociais questionar esses valores, essa orientação da sociedade para transformá-los... Mas tem que saber dialogar com essa sociedade. Convencê-la. E não vai ser destruindo trabalho que vão conseguir isso.&lt;br /&gt;Agora, também não me venham com essa conversa de que "para mim, o MST acabou". Saída fácil. Obviamente o MST é um movimento incômodo, porque a reforma agrária é incômoda nesse país construído em cima da grilagem e do monopólio da terra. É facil dizer, bom, agora que eles fizeram essa enorme estupidez, melhor que sumam do mapa. É o que deixaria muitos aliviados.. para não ter que ver esse incômodo constante....que joga na cara desta sociedade louca para esquecer, que essa dívida social, sim, tem que ser resgatada. E viva o MST por sempre nos lembrar disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-884444534032693675?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/884444534032693675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=884444534032693675' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/884444534032693675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/884444534032693675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/10/o-mst-e-cutrale.html' title='O MST e a Cutrale'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7845200093454376016</id><published>2009-09-30T14:05:00.000-07:00</published><updated>2009-09-30T14:07:38.915-07:00</updated><title type='text'>Tacanhice da mídia brasileira II</title><content type='html'>quarta-feira, 30 de setembro de 2009, 08:39 | Online&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reprodução da reprodução que o Estadão faz de matéria da Time sobre o Brasil...&lt;br /&gt;Para uma das leitoras, a matéria da Times era ainda mais elogiosa... Isso confirma a hipótese de que fora a mídia brasileira, o resto do mundo aplaude o "abrigo" de Zelaya na embaixada brasileira em Tegucicalpa....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para 'Time', Brasil é 'primeiro contrapeso real aos EUA no Ocidente'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revista americana diz que Lula se tornou 'o mais efetivo intermediário entre Washington e a esquerda anti-EUA na região'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Uma reportagem publicada nesta quarta-feira na edição online da revista americana "Time" diz que, ao mediar a crise hondurenha, o Brasil se tornou "o primeiro contrapeso real" à influência americana "no hemisfério ocidental".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que o Brasil foi "trazido" para o coração do imbróglio pelos vizinhos, mais especificamente pela Venezuela do presidente Hugo Chávez, a revista diz que "Brasília se vê no tipo de centro das atenções diplomático do qual no passado procurou se afastar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, diz a "Time", o país "não deveria se surpreender" com o fato de ser chamado a assumir tal responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a publicação americana, "nos últimos anos, a potência sul-americana tem sido reconhecida como o primeiro contrapeso real aos EUA no hemisfério ocidental - e isto significa, pelo menos para outros países nas Américas, assumir um papel maior e mais pró-ativo em ajudar a resolver distúrbios políticos do Novo Mundo, como Honduras".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lula e Obama são colegas e almas gêmeas de centro-esquerda, mas quando Obama disse, no mês passado, que aqueles que questionam sua resolução em Honduras são hipócritas, porque são 'os mesmos que dizem que nós estamos sempre intervindo na América Latina'", recorda a reportagem, "ele estava incluindo o Brasil, que expressou sua preocupação em relação aos esforços dos Estados Unidos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diplomacia ativa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citando a participação brasileira em crises regionais, como os conflitos diplomáticos envolvendo Colômbia e Venezuela, e a liderança das tropas do país no Haiti, a revista nota que a diplomacia brasileira é "dificilmente ociosa" na América Latina. "E Lula, um dos mais populares chefes de Estado do mundo, se tornou talvez o mais efetivo intermediário entre Washington e a ressurgente esquerda antiamericana latino-americana".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem discute a preferência da diplomacia brasileira por atuar nos bastidores, e sua autodefinição como sendo "decididamente não-intervencionista".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ao mesmo tempo, Lula está em uma cruzada para tornar o Brasil, que tem a quinta maior população mundial e a nona economia do mundo, um ator internacional sério", diz o texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É difícil manter uma tradição não-intervencionista pristina com ambições como estas - e, cada vez, o hemisfério está dizendo ao Brasil que é um tanto ingênuo insistir que é possível fazer as duas coisas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a "Times", "goste ou não, agora o Brasil está enfiado até o pescoço em Honduras, e o hemisfério está esperançoso de que isto signifique melhores prospectos para um acordo negociado entre Zelaya e os líderes golpistas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Porque acreditam que o golpe hondurenho envia um recado perigoso para as nascentes democracias da região, muitos analistas acham que ter o peso do Brasil jogado mais diretamente na situação pode ajudar as negociações." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7845200093454376016?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7845200093454376016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7845200093454376016' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7845200093454376016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7845200093454376016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/09/tacanhice-da-midia-brasileira-ii.html' title='Tacanhice da mídia brasileira II'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7346078273168144302</id><published>2009-09-24T16:31:00.002-07:00</published><updated>2009-09-28T09:23:35.694-07:00</updated><title type='text'>Honduras e a tacanhice da mídia brasileira</title><content type='html'>Talvez não tenha surgido caso tão emblemático da tacanhice da mídia brasileira do que a cobertura que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) está dando para o caso de Zelaya, hoje abrigado na Embaixada Brasileira localizada na capital do país para o qual foi legitimamente eleito presidente. Pretendendo uma suposta objetividade , acabei de ver a jornalista da Record entrevistando, ou melhor, metralhando o chanceler Celso Amorim sobre a "intervenção" do governo brasileiro nos assuntos internos de Hondura.&lt;br /&gt;A mulher chegava a estar nervosa. Mal disfarçando uma certa raiva expressa nas perguntas que fazia, obrigou  Amorim repetir mais de uma vez que, para o Brasil e toda a comunidade internacional, o presidente legítimo de Honduras era Zelaya, o que justificava o fato de a Embaxada Brasileira em Tegucicalpa ter aberto as portas para abrigá-lo. A insistência da jornalista em afirmar os pontos de vista dos que indisfarçavelmente consideram que o governo de Micheletti tem algum traço de legitimidade acabou fazendo Amorim dar a entender que esse tipo de questão só a mídia brasileira vinha colocando.&lt;br /&gt;Eis um exemplo de como o rapto do horizonte social é feito na sociedade brasileira por uma mídia tacanha que já há algumas décadas patrocina golpes de formas variadas.&lt;br /&gt;Mas poucas vezes a sociedade consegue se dar conta disso. São poucos os momentos que eles se auto-denunciam com tanta veemência. É só porque a comunidade internacional está do lado do Brasil que isso fica evidente.&lt;br /&gt;Enquanto não houver "pluralismo regulado" na mídia brasileira não se pode falar que existe liberdade de imprensa. Segundo a definição de John Thompson, trata-se do estabelecimento de uma estrutura institucional  que abriga e garante a existência de uma pluralidade de independentes organizações de mídia. É um princípio que leva a sério a tradicional ênfase liberal na liberdade de expressão e na importância de sustentar as instituições de mídia independentemente do poder do estado. Mas é um princípio que também reconhece que o mercado deixado a si mesmo não pode garantir necessariamente as condições de liberdade de expressão e promover a diversidade e o pluralismo na esfera da comunicação.  &lt;br /&gt;"O princípio sugere a descentralização dos recursos nas indústrias da mídia: a tendência para uma crescente concentração de recursos deveria ser controlada e se deveriam criar condições tanto quanto possíveis, para o crescimento de independentes organizações de mídia. Isto exige não somente uma legislação restritiva – isto é, que limite as fusões e outros tipos de cartéis entre as indústrias da mídia – mas também uma legislação que crie condições favoráveis para o desenvolvimento de organizações da mídia que não façam parte dos grandes conglomerados já existentes. &lt;br /&gt;A intervenção legislativa nas indústrias da mídia deveria ser vista não comente como meio de truncar o excessivo poder dos grandes conglomerados, mas também como meio de facilitar o desenvolvimento de novos centros de poder simbólico fora da esfera de controle dos conglomerados e de suas redes de produção e intercâmbio".&lt;br /&gt;Enquanto a mídia brasileira for propriedade de umas 10 famílias com interesses altamente vinculados aos grupos economica e politicamente dominantes, aspectos da realidade brasileira e do nosso horizonte social simplesmente não irão fazer parte do dia a dia da população e não teremos como amadurecer como sociedade, discutindo os problemas que realmente interessam. Vamos simplesmente continuarmos  "presas" dos golpes simbólicos aprontados pelos funcionários dessas organizações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7346078273168144302?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7346078273168144302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7346078273168144302' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7346078273168144302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7346078273168144302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/09/honduras-e-tacanhice-da-midia.html' title='Honduras e a tacanhice da mídia brasileira'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5338301703836127320</id><published>2009-09-24T16:31:00.001-07:00</published><updated>2009-09-24T16:31:41.846-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5338301703836127320?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5338301703836127320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5338301703836127320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5338301703836127320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5338301703836127320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/09/blog-post_24.html' title=''/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8663015771491952440</id><published>2009-09-23T14:19:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T14:43:34.321-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8663015771491952440?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8663015771491952440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8663015771491952440' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8663015771491952440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8663015771491952440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/09/blog-post.html' title=''/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-6761174557806036486</id><published>2009-09-03T14:06:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T14:08:01.249-07:00</updated><title type='text'>Bonde fora dos trilhos:Justiça Estadual e Federal dão ganho de causa à AMAST duas vezes</title><content type='html'>Justiça dá ganho de causa para a Amast no Ministério Público e na Justiça Federal &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em menos de uma semana, dois processos promovidos pela Amast (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa), um na Justiça Federal e outro no Ministério Público Estadual, tiveram decisões favoráveis para as demandas da Amast. E isso sem considerar a decisão do TCE (Tribunal de Contas do Estado) que declarou ilegal o contrato da Central, empresa estadual que administra o bonde, com a T-Trans, empresa privada contratada para transformar os bondes em VLT(Veículo Leve sobre Trilhos), que na verdade é um trem, não um bonde. &lt;br /&gt;No dia 20 de agosto, a Justiça Federal determinou a imediata paralisação da circulação de VLTs “Franksteins” e de seus “testes” com a população do bairro e os turistas, até que as partes envolvidas: a a Central, a  T-Trans, apresentem o projeto de modernização, e o Inepac (órgão estadual por onde foi tombado o bonde em 1988) e o Iphan (responsável pelo tombamento dos Arcos da Lapa) se manifestem sobre o atendimento à legislação que rege o tombamento dos bondes, em função de eventuais danos causados pelos novos bondes, mais pesados do que os tradicionais nos Arcos da Lapa. Já 3ª Vara de Fazenda Pública do Estado do Rio, em atendimento à ação pública movida pela Amast desde 2004, determinou em 24 de agosto, que o governo estadual pague indenização por desrespeitar o tombamento no processo de modificação dos bondes. A sentença ainda proíbe que se continuem fazendo intervenções irregulares nos bondes para transformá-los em VLTs e ordena a restauração dos bondes nos moldes tradicionais em 60 dias e, da oficina, em 120 dias, incluindo a recuperação da rede aérea, da vida permanente e do gradil dos Arcos da Lapa, sobe pena de multa diária de R$ 50 mil. Ela determina também a reforma das estações Carioca e Curvelo.&lt;br /&gt;É pena que tenha que ter havido a morte da professora Andrea de Jesus Resende, a jovem de 28 anos, morta no acidente ocorrido no domingo, dia 16/08, para que essas decisões judiciais tenham sido tomadas. Mas estas sentenças demonstram a correção das denúncias, das mobilizações, dos abaixo-assinados constantes realizados pelos moradores e amigos de Santa Teresa com referência ao uso dado pelo governo estadual para os 24 milhões obtidos do Banco Mundial para fazer uma reforma completa do sistema de bondes do bairro, patrimônio público do povo do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;Ou seja, as alegações do governo estadual  que os VLTs foram tirados dos trilhos até que se organize o trânsito de Santa Teresa é falsa. O governo estadual está obedecendo a determinações judiciais que condenam a reforma insegura e onerosa dos bondes promovida pelo governo estadual. É também falso a recorrente alegação do Secretário Júlio Lopes e de seu subordinado Fabio Tepedino de que não são mais fabricadas as peças dos bondes antigos. Há vários fornecedores de peças para o bonde. Um deles até alegou para moradores do bairro que “adoraria ser o único”.  Trata-se de peças de fácil fabricação. Basta ter um torno para produzi-las.&lt;br /&gt;A AMAST AGORA EXIGE QUE O GOVERNO ESTADUAL CUMPRA EMERGENCIALMENTE COM AS SENTEÇAS JUDICIAIS PROFERIDAS PELA JUSTIÇA REAPARELHANDO A OFICINA E REFORMANDO OS QUATRO BONDES TRADICIONAIS QUE ESTÃO PARADOS NA GARAGEM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-6761174557806036486?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/6761174557806036486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=6761174557806036486' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6761174557806036486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6761174557806036486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/09/bonde-fora-dos-trilhosjustica-estadual.html' title='Bonde fora dos trilhos:Justiça Estadual e Federal dão ganho de causa à AMAST duas vezes'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-3308243764107207491</id><published>2009-07-14T13:33:00.000-07:00</published><updated>2009-07-14T14:18:48.035-07:00</updated><title type='text'>Cinematografia indígena e os debates sobre o Brasil</title><content type='html'>Neste último domingo, dia 12 de julho se encerrou a mostra audiovisual  "Primeiros Povos", no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal no Rio. O filme de encerramento foi um belíssimo documentário sobre Mário Juruna, o único deputado federal indígena que o Brasil elegeu até hoje, eleito pelos cariocas, ainda durante a ditadura. &lt;br /&gt;Durante os 15 dias em que fiquei sabendo por acaso da mostra, procurei me programar para assisti-la e fui brindada por filmes belíssimos. Documentários feitos por brancos, por indígenas. Filmes de ficção, baseados em fatos reais....  &lt;br /&gt;Na última sessão, somente cerca de dez pessoas assistiam ao filme sobre Juruna, de Armando Lacerda, jornalista que fez questão de abrir a palavra para perguntas da platéia. &lt;br /&gt;Estabeleceu-se um diálogo rico e revelador. Alguns espectadores estavam inconformados com a divulgação tacanha de uma mostra tão importante como essa. Uma  francesa criticou as pouquíssimas páginas de livros escolares dedicadas aos povos indígenas no Brasil. &lt;br /&gt;Sem entrevista com Juruna, que já andava muito doente com a diabetes que lhe levou embora, a memória deste grande personagem brasileiro é lembrada neste filme por seus parentes.Seu pai, seu filho, primos.  A fotografia é belíssima. Os rostos filmados com textura. Os vincos. As cores das pinturas. As expressões dos xavantes. Chegamos à conclusão que uanto mais isoladas as aldeias, mais vida natural, mais os indígenas são saudáveis, belos, livres, dignos.&lt;br /&gt;Mais perto da civilização branca, mais macarrão e, portanto, epidemia de diabetes.&lt;br /&gt;O pai de Juruna, ainda vivo, mantém-se como seus ancestrais. É crítico de quem se aproxima muito da sedutora cultura dos brancos. E é saudável. Forte.&lt;br /&gt;Mas como as imagens dos parentes têm como pano de fundo os discursos de Juruna na Câmara Federal, um dos espectadores fez a pergunta cabal: cadê as falas do Juruna? como podemos ter acesso a elas? Por que não usou mais?&lt;br /&gt;Pois bem, o diretor explicou que  dois  picaretas contumazes da nossa Câmara Federal faziam questão de discordar do que Juruna falava e ele, sem experiência, não pedia para publicar. Resultado: pouquíssimas falas do nosso único deputado indígena foram publicadas nos Anais do Congresso Nacional! Elas estão registradas, mas não estão publicadas!!!!&lt;br /&gt;Pelo que entendi, para ter acesso a elas, as coisas não são portanto, fáceis, como seriam se todas os seus discursos tivessem sido publicados. &lt;br /&gt;Ou seja, os dois "nobres" deputados, um de nome japonês, que infelizmente não guardei, faziam questão de impedir isso. Manobras regimentais para apagar com uma memória, com a presença do Juruna naquela "Casa". Isso me fez lembrar as criminosas manobras perpetradas pelo "Centrão" durante a Constituinte de 1988 para enterrar a reforma agrária. A coisa foi bem pesada e está bem relatada em livro do saudoso José Gomes da Silva. É de deixar os cabelos e pé. No caso da reforma agrária, os caras do Centrão nem mediram esforços: feriram o regimento e mandaram ver.... passando por cima de figuras que tentaram segurar as pontas, como o Severo Gomes, e sobretudo, da vontade popular que na época havia conseguido 1 milhão de assinaturas para enfim dividir os latifúndios do Brasil...&lt;br /&gt;Mas é isso, a sina dos povos indígenas, a sina dos posseiros, dos sem-terra e dos quilombolas. Eles sempre tentam de qualquer jeito  apagar de alguma maneira a memória e com a visibilidade dessas demandas.&lt;br /&gt;Filmes como o "Serra da Desordem", "Terra Vermelha", retratam bem o outro lado os interessados nesse silenciamento: fazendeiros truculentos, criminosos. Um Estado frágil para fazer valer os direitos desses povos que são de fato os verdadeiros brasileiros de quatro costados.&lt;br /&gt;No fim das contas, toda a questão da terra no Brasil passa pelo reconhecimento do direito ancestral de posse, de todos esses povos. Mesmo os sem-terra, que originalmente entram em uma terra improdutiva, geralmente tiveram seus ancestrais, seus parentes expulsos,  seja economicamente ou à bala, de suas roças há algum tempo atrás. &lt;br /&gt;O monopólio da terra no Brasil é usualmente  fruto de crimes de grilagem. Isso rola no país desde a fatídica Lei de Terras de 1850. O problema é que quem fez o grilo já não está mais na terra, passou ela adiante,  e o atual dono apresenta um "papel" provando sua propriedade. &lt;br /&gt;Independente do papel, é  é a posse que deveria valer. Em todos os casos. E, como em muitos países europeus,deveria haver limite para o tamanho das propriedades para que todos, literalmente todos os brasileiros, tivessem direito de ter um naco de terra para fazer dela o que bem entender, desde que respeitando a legislação ambiental, trabalhista e a função social da propriedade....&lt;br /&gt;O fato de uma mostra como essa não ter tido repercussão e filmes como o "Juruna, o espírito da floresta", "Serra da Desordem" e "Terra Vermelha" não terem sido objeto de debates públicos intensos, quando foram lançados, até mesmo por suas qualidades estéticas, demonstra que a permanência de uma estrutura fundiária injusta no Brasil  é produto do fato de que seus jornalistas, pensadores e intelectuais, os que produzem os debates públicos, não usam seus espaços de expressão para debater filmes como esses. Cultura é debate. Perto dos filmes anódinos que o Brasil vem lançando recentemente, podemos considerar que o pano de fundo de toda a tragédia agrária brasileira é a ignorância de setores influentes desta sociedade. E essa ignorância provavelmente é  produzida conscientemente pelos grupos interessados de sempre na manutenção desse silenciamento e dessa ordem social injusta, tanto é que, lá pelos idos da ditadura, se  organizaram para que as falas do Juruna não fossem devidamente publicadas nos Anais do Congresso Nacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-3308243764107207491?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/3308243764107207491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=3308243764107207491' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3308243764107207491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3308243764107207491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/07/cinematografia-indigena-e-os-debates.html' title='Cinematografia indígena e os debates sobre o Brasil'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7622837666241389932</id><published>2009-05-22T11:33:00.000-07:00</published><updated>2009-05-22T12:24:27.877-07:00</updated><title type='text'>O petróleo e a nossa curiosa oposição autofágica</title><content type='html'>Espero que o governo Lula encare a CPI da Petrobras como a deixa que faltava para investigar os danos que a gestão que o governo do PSDB fez à empresa. Uma medida que todos aguardavam em relação a todas privatizações e meia-privatizações efetuadas pelo governo anterior. Infelizmente, nunca se sabe. &lt;br /&gt; Mas é curioso pensar como essa oposição ousa propor uma CPI como essa.  Bem eles, do PSDB, cuja gestão da Petrobras é vista pelos funcionários de carreira da empresa como completamente desastrada e atrelada a interesses estrangeiros que asfixiaram a expansão da empresa. Então, agora o problema é o PT  ter 17 cargos de confiança, localizados estrategicamente na direção da empresa? Se a Petrobras não estivesse andando de vento em popa até poderia se aceitar esta crítica. Mas foi durante o governo Lula que a Petrobras tornou o Brasil autônomo em petróleo e ainda descobriu uma reserva deste recurso que torna o país podre de rico, nos levando segundo as estimativas menos otimistas  do 24º lugar para 10º lugar na posição do ranking dos maiores produtores de petróleo do mundo. &lt;br /&gt; Existe em qualquer país da era moderna uma política de Estado. Esta política de estado deveria visar o desenvolvimento econômico e social de seus respectivos Estados-nacionais. Foi isso que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos e que os levou a serem considerados países “desenvolvidos”.O problema é que certos países, sobretudo os latino-americanos, volta e meia constituem governos anti-nacionais  que bloqueiam o desenvolvimento. Geralmente são governos encabeçados por elites deslumbradas pelos estrangeiros,  que adoram mostrar sua erudição em inglês, francês e que costumam achar que tudo que há de melhor no mundo se encontra na Europa ou nos Estados Unidos. Parte expressiva de nossa elite política e econômica é assim. Além de não pensar em termos de país, costuma colocar seus interesses acima dos de sua coletividade. Não fosse isso, não teríamos a taxa de desigualdade social secular que continuamos a apresentar ao mundo e extratos importantes da população em condição de miséria.  &lt;br /&gt; Não podemos esquecer que o governo FHC fez uma política anti-desenvolvimento e entregou o Brasil literalmente quebrado para Lula governar. No que se  refere à Petrobras, além de destruir a Fronape (Frota Nacional de Petroleiros), abriu o capital da empresa, chegando a franquear informações estratégicas para estrangeiros, supostamente parte dos ritos necessários para suas ações serem vendidas na Bolsa de Nova Iorque. Nos Estados Unidos, por sinal, qualquer petróleo encontrado em seu território é deles. Depois da alteração da Lei de Petróleo, feita pelo tucanato as empresas estrangeiras que venceram os leilões da ANP podem facilmente mandar esse petróleo embora sem que ninguém aqui fique sabendo. &lt;br /&gt; Já os 17 tais cargos estratégicos ocupados pelo PT, que os tucanos estão tentando vender como “empreguismo”,  na verdade articularam a visão de governo do PT com a da Petrobrás - cujo corpo de funcionários é sabidamente eficiente - para garantir soberania nacional. Não fosse isso, a empresa, que representa 15% do PIB brasileiro não teria alcançado os resultados expressivos que alcançou nos últimos anos. Houve, em suma, uma grande conciliação entre o empreendorismo da empresa e os interesses políticos É perfeitamente fácil comprovar isso, pois pouco tempo depois desse corpo de dirigentes assumir a empresa, chegamos à autonomia energética em termos de petróleo e, recentemente, com os terminais de gás na Baía de Guanabara (RJ) e em Pecém (CE), conquistamos mais autonomia em relação a esse recurso, até então comprometida pela política de dependência do gás boliviano implementada pelo governo FHC. &lt;br /&gt; É interessante observar como a mídia brasileira, que parece odiar  a Petrobras, lida com esse assunto. Na quinta-feira passada, dia da manifestação organizada por vários e distintos setores da esquerda brasileira contra a CPI da Petrobrás, sites como o do “O Globo”, jornal localizado Rio, onde ocorreu a mobilização, curiosamente não apresentou a notícia da mobilização organizada pela FUP (Federação Única dos Petroleiros), mas deu destaque à opinião da oposição, para quem a manifestação “politiza” a questão e defende as eventuais práticas de corrupção realizadas pela estatal. “Nem se começaram as investigações e já se fazem movimentos políticos. Nós não vamos embalar nisso. A atitude do bloco da minoria será de investigar sem politizar”, afirmou o líder do DEM, José Agripino Maia (RN). &lt;br /&gt; Essa posição é até curiosa, para não dizer outra coisa.  Não foram eles que começaram a politização, ao inventarem uma CPI, que costuma ser o grande palco da politização dos assuntos nacionais?  E que interesses são esses que estão querendo investigar uma empresa que, sob o governo Lula, deslanchou, superando os entraves que eles, durante o Governo FHC criaram? Ninguém esquece dentro da Petrobrás o fato de que, na época,  o 12º andar do prédio-sede da Petrobrás simplesmente ficou fechado para seus funcionários, mas franqueados para “consultores estrangeiros”. E, mais que isso,  como uma empresa auditada constantemente, pode ser o antro de corrupção que eles tentam fazer parecer? E será justamente os holofotes de uma CPI o melhor lugar para se investigar eventuais irregularidades que possam ter ocorrido na empresa? Por fim, a grande questão é trazer à luz o que está por trás de uma CPI criada justamente quando a Petrobras está indo atrás de recursos no exterior para investir na exploração da camada Pré-sal e setores da sociedade brasileira estão querendo revisar a Lei do Petróleo, tirando as empresas estrangeiras da exploração de nossas reservas e garantindo que o destino dessa riqueza beneficie o conjunto do povo brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7622837666241389932?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7622837666241389932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7622837666241389932' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7622837666241389932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7622837666241389932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/05/o-petroleo-e-nossa-curiosa-oposicao.html' title='O petróleo e a nossa curiosa oposição autofágica'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-802199778729568587</id><published>2009-04-26T10:24:00.000-07:00</published><updated>2009-04-26T10:37:51.759-07:00</updated><title type='text'>Palavra Encantada</title><content type='html'>O documentário "Palavra Encantada", de Helena Solberg, deveria ser obrigatório nas escolas.&lt;br /&gt;Fazer grandes sessões de debates com os alunos, estimulados pelos professores de português. Assim, estimula-se o amor a nossa língua. O português do Brasil. Língua rica, semelhante ao português dos anos do descobrimento. Curiosamente mais conservadora que o português de Portugal, embora com léxico tão enriquecido pelas palavras indígenas e africanas. Por ser assim tão conservadora é que a nossa língua permite aos  brasileiros ler Camões ainda na métrica; coisa que os portugueses não  falam mais.  &lt;br /&gt;Só não tenho a acrescentar que o filme partiu de um ponto  equivocado. A riquíssima lírica da música popular brasileira não é herdeira dos trovadores provençais, ou seja, de Provença, na França, como explica o filme. O movimento trovador em Portugal era tão ou mais rico. E um grande rei reformador português, D. Diniz, chegou a ser um dos trovadores mais famosos. Seus versos são estudados nas faculdades  de Letras, pelos alunos interessados no português medieval.  Creio que na época, para os lusitanos, era como se o Chico Buarque fosse o rei deles. E o cara foi um bom reformador. Além disso, com sua mulher, a rainha que depois virou Santa Isabel, criou  a Festa do Divino. &lt;br /&gt;Em suma, a origem do amor dos portugueses e brasileiros por versos musicados tem uma origem muito mais interessante, ignorada pelo filme, mas que  vale muito a pena ser resgatada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-802199778729568587?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/802199778729568587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=802199778729568587' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/802199778729568587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/802199778729568587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2009/04/palavra-encantada.html' title='Palavra Encantada'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-3510868072786250700</id><published>2008-12-04T04:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-04T04:17:52.946-08:00</updated><title type='text'>Não gostar do Rio</title><content type='html'>Não gostar do Rio é um ato de sabotagem. É não gostar de seu idioma próprio. É um ato de solidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-3510868072786250700?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/3510868072786250700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=3510868072786250700' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3510868072786250700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3510868072786250700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/12/no-gostar-do-rio.html' title='Não gostar do Rio'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7248669498383124395</id><published>2008-10-06T20:21:00.000-07:00</published><updated>2008-12-04T04:31:12.206-08:00</updated><title type='text'>Irmã Dorothy  e a “mãe dos problemas do Brasil”</title><content type='html'>Em tempos em que as manchetes dos jornais são tomadas com a informação mal apurada de que o INCRA (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) é o responsável pela maior parte dos desmatamentos do país, foi um alívio a estréia do documentário “Mataram irmã Dorothy” com debate mediado pelo ator Wagner Moura na terça, dia 30, no Festival de Cinema do Rio. &lt;br /&gt; Alívio porque, enfim, um filme com informações sobre um tema que está selando o destino da Amazônia,  fronteira agrícola disputada a ferro e fogo, obviamente sem o grande charme narrativo dos grandes Westerns, que, afinal de contas, foi o jeito que os norte-americanos inventaram de celebrar a sangrenta conquista do Oeste deles.  Infelizmente, no nosso caso, os esfarrapados sem-terra não são vistos como heróis nem são tão charmosos quanto os cowboys deles. Infelizmente, nossos heróis e heroínas, como irmã Dorothy, quando ficam conhecidos, já é porque se tornaram mártires.&lt;br /&gt; Além disso, seria pedir muito que o filme explicasse que  os responsáveis diretos sobre essa realidade são oriundos do incensado “agronegócio” da soja e da carne, que junto com os minérios explorados pela privatizada Vale do Rio Doce são os atuais filões da carreira exportadora que o Brasil repete em maior ou menor grau desde 1500 na esteira das altas cotações do mercado mundial. Afinal, desde então, somos exportadores de matéria-prima e exploradores predatórios especializados em deixar à margem de seus surtos desenvolvimentistas uma imensa população de  pobres agricultores humildes,  freqüentemente obrigados a colocar a trouxa nas costas quando aparecem homens armados com falsos registros de cartório reivindicando a terra que em viviam desde sempre. &lt;br /&gt; O interessante do filme é que sua história praticamente foi se desenrolando diante da própria equipe de filmagens, liderada pelo diretor norte-americano Daniel Junge, que não tinha idéia de qual ia ser o desfecho dessa trama.  O diretor, que começou a filmar exatos 10 dias depois do assassinato, ao acompanhar o irmão de Dorothy em sua viagem para o Brasil, tinha intenção de não fazer um filme sobre uma santa e um bando de homens diabólicos, mas a força dos fatos que ele apura, incluindo-se memoráveis depoimentos dos advogados de defesa dos acusados, acaba depondo contra sua intenção. Isto porque a escandalosa impunidade e devastação retratada pelo filme, promovida por setores vinculados ao latifúndio, à monocultura e à escravidão continua a se reproduzir porque o Sul do país vive de costas e muito distante da Amazônia, como ilustrou comovente depoimento de uma participante do debate. É a desinformação e a falta de presença do Estado na região que permite que bandos de  grileiros  continuem a queimar a floresta para criar gado, repetindo um.processo de ocupação de terras já denunciado no século XIX por figuras derrotadas da história como José Bonifácio e Joaquim Nabuco. &lt;br /&gt; O interessante do filme é que ele, inclusive, demonstra que tipo de gente hoje em dia anda esgrimindo o argumento da “soberania nacional ameaçada” quando se trata de Terras Indígenas, como a da  Raposa Serra do Sol, e do engessamento do desenvolvimento, quando seus interesses são ameaçados pelas reivindicações de posse de quilombolas e caboclos ribeirinhos. &lt;br /&gt; Mas foi no debate, mediado pelo ator Wagner Moura, que classificou a questão da terra como “a mãe dos problemas do Brasil”, onde surgiu à tona depoimentos reveladores dos mundos paralelos que hoje acossam os brasileiros. Uma estudante contou ter feito um estágio de seis meses na Amazônia, onde descobriu surpresa que se sentia mais estrangeira lá do que no exterior. Emocionada, contou a história de Bruna, colega que fez parte do mesmo programa, e que, já formada, decidiu viver na Amazônia para contribuir com os movimentos sociais, mas faleceu recentemente, aos 20 poucos anos, em um suspeito acidente de carro. &lt;br /&gt; No entanto, foi talvez a questão de uma moça da Vila Penha, subúrbio do Rio, que trouxe mais para perto de todos os presentes a compreensão do que se passa na Amazônia e da própria vida de Dorothy.  A moça perguntou aos participantes da mesa como continuar lutando quando se enfrenta uma realidade tão violenta como a de seu bairro, onde até a procissão da padroeira tem que ser em determinado horário por conta das ordens dos traficantes.Companheiro das lutas da irmã, o procurador da República Felício Pontes confessou que logo que soube do assassinato da freira - ocorrido no dia em que comemorava-se a criação de uma enorme  reserva extrativista (Resex) na Terra do Meio, também no Pará - ele se sentiu tão impotente que achou que não adiantava mais fazer nada. Logo que chegou a Anapu, para o enterro, foi cercado e abraçado pelos agricultores do projeto de desenvolvimento sustentável (PDS), cujas terras custaram a vida de Dorothy. Nesse momento o procurador percebeu que ali estava a energia para ir adiante. Todos ali estavam dispostos a continuar lutando até o fim. Afinal, agora iam ter que matar todos para lhes tomar aquela terra. Um sentimento que só sente quem tem a experiência de participar de um desses combates, geralmente deflagrados sem grandes repercussões, mas que vão delineando o destino da humanidade e deste planeta.  Em suma, um sentimento compartilhado por pessoas que tiram grande parte de sua satisfação emocional do fato de se sentirem atores de lutas, às vezes derrotadas, às vezes vitoriosas, mas que implicam a escolha de caminhos voltados para a emancipação humana e não para o lucro individual. Daí talvez venham os laços duráveis de amizade e solidariedade e que, em si, sempre valem a pena cultivar contras as almas que insistem em ficar pequenas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7248669498383124395?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7248669498383124395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7248669498383124395' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7248669498383124395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7248669498383124395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/10/irm-dorothy-e-me-dos-problemas-do.html' title='Irmã Dorothy  e a “mãe dos problemas do Brasil”'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-100919733831110774</id><published>2008-09-12T07:54:00.000-07:00</published><updated>2008-09-12T08:09:13.181-07:00</updated><title type='text'>A Plutocracia contra Lacerda</title><content type='html'>É curioso, enquanto o Daniel Dantas continua solto, há vários indícios de que sua atuação é criminosa, vide a necessidade de aprender mais de 500 milhões de reais que ele movimentava suspeitamente no início de setembro, os punidos são os responsáveis pelas investigações que apontaram sua extensa ficha criminal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula demonstra ser um presidente covarde, como poucas vezes se viu em ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou o PT de Lula realmente tem muitos interesses com Daniel Dantas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pode haver outra razão do que esta para ele afastar definitivamente um policial honrado, com ficha limpa e vários serviços prestados ao Estado, como Paulo Lacerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só isso justificaria a sanha do governo contra policiais que estavam simplesmente cumprindo sua função de defender o Estado brasileiro dessa curriola de plutocratas que infestaram a república brasileira depois do governo FHC e da qual, Nelson Jobin, hoje Ministro da Defesa, foi sempre um prócere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provavelmente Jobin que manda os recados do PSDB e da plutocracia nacional sobre o que Lula pode ou não fazer. Qual é seu espaço de manobra para atuar sem mexer nos interesses de uma gente hoje podre de rica e que enriqueceu sobremaneira durante as privatizações encabeçadas pelo PSDB, seus economistas de plantão e que, agora, envergonhadamente, Lula tem que encampar....para, quem sabe, conseguir arrancar dessa gente a tal estatal petrolífera...Lula subestima o quanto a sociedade brasileira pode lhe dar respaldo para isso, neutralizando esses setores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só gostaria de saber onde anda o movimento estudantil. Todo um arcabouço de escândalos infestam vários poderes da república, a começar pelo que deveria parecer mais isento, o STF de Gilmar Mendes, e essa juventude anda aí fazendo não sei bem o quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o curioso é os jornalistas repetirem o que fontes do governo ou do PSDB acham. De que a carreira de Protógenes Queiroz foi para o brejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de ver a estupidez dos que andam em volta do poder. Eles subestimam a capacidade de indignação da sociedade, que, na verdade, já foi contaminada com a sensação de que algo de muito podre existe no reino de Lula, para entrar tão de mansinho nesse esquema de encamapar os golpes que essa imprensa tucana vive lhe aprontando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles só esquecem que já há um setor difuso na sociedade que faz leituras independentes e que, diante de um pequeno rastilho de pólvora, podem explodir. Não porque eles dominem o poder institucional, mas porque eles estão infiltrados profissionalmente em setores importantes da sociedade. Da mesma maneira que a onda parece varrer agora figuras como Lacereda e Queiroz do mapa, ela pode voltar com muito mais altura e força, varrendo todos esses esquálidos representantes de um poder mesquinho, como o do PSDB, e apequenado, como o de Lula.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-100919733831110774?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/100919733831110774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=100919733831110774' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/100919733831110774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/100919733831110774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/09/plutocracia-contra-lacerda.html' title='A Plutocracia contra Lacerda'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7684960007172034386</id><published>2008-07-13T17:41:00.000-07:00</published><updated>2008-07-13T17:46:44.726-07:00</updated><title type='text'>O fidalgo e a vagabunda</title><content type='html'>Até trazer uma desnutrida gatinha para fazer companhia a meu gato de meia idade, não sabia que tinha criado um gato fidalgo. Foi a esfomeada e vagabunda gatinha que me fez dar-me conta de que o gato amarelo e branco, com uma pinta charmosa na bochecha....era um gato nobre. Fresco eu já sabia que ele era, mas a nobreza dele é algo que tem a ver com disposições felinas curiosas.&lt;br /&gt;Ela, batizada de Filó, come qualquer coisa que lhe coloquem no prato.  Prefere sempre ir direto no prato dele pois parte do princípio que o que tem no dele é melhor do que o dela.&lt;br /&gt;Ele, diante do ataque em seu prato, ao invés de uma patata certeira e um grunhido feroz... simplesmente se afastava. Mas como o convívio sempre vai contaminando uns aos outros, hoje me surprendi com meu Gato, diante das mesma ração colocada nos dois pratinhos... preferir comer no prato dela...Deve ter começado inclusive a checar os restos de carne e coisas afins que coloco no prato dela...e quem sabe vai começar a experimentar novas sensações na vida do que as aborrecidas rações de gatos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7684960007172034386?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7684960007172034386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7684960007172034386' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7684960007172034386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7684960007172034386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/07/o-fidalgo-e-vagabunda.html' title='O fidalgo e a vagabunda'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-3318642535987683800</id><published>2008-07-13T17:27:00.000-07:00</published><updated>2008-07-13T17:41:38.298-07:00</updated><title type='text'>Sol de Inverno</title><content type='html'>Não há nada mais sinalizador da falta que nos faz o sol quando depois de um longo período de frio e chuva, ele nos aparece em todo o seu esplendor em um dia de inverno para aquecer nossa carne.&lt;br /&gt;Enquanto sentia seu calor suave, me dei conta que talvez a única coisa que nos liga de fato  a outros seres humanos é a carne.&lt;br /&gt;A gente vem da carne dos nossos pais e pela carne nos unimos a outra pessoa com possibilidade ou não de gerar descendentes. Toleramos essa intimidade porque  algo nessa carne alheia nos parece vital. Mas nos resumimos a isso: sensíveis tecidos transpassados de odores e irrigados por  sangue quente.&lt;br /&gt;Mas essa seleção das carnes vitais é estranha e permeada de apectos menos tácteis os sonhos e as decepções. Assombrada por expectativas, temores e fantasmas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sempre um dia de sol no inverno seja lá onde for tem o poder de despertar algo confortável e esperançoso que renova algo na nossa carne.  Pode ser  puramente etéreo. Já tá valendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-3318642535987683800?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/3318642535987683800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=3318642535987683800' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3318642535987683800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3318642535987683800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/07/sol-de-inverno.html' title='Sol de Inverno'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-9011998874635778994</id><published>2008-04-09T13:42:00.001-07:00</published><updated>2008-04-09T13:48:40.343-07:00</updated><title type='text'>Imprensa fofoqueira e mira obtusa</title><content type='html'>Apesar dos inestimáveis serviços que muitas vezes a imprensa "livre" nacional desempenhou para a nação, em períodos como o chamado "mar de lama" que levou Getúlio Vargas ao suicídio, o "golpe de 64" sobre o governo sindical do Jango, temos que reconhecer que a imprensa tupiniquim continua a se superar.... Mas na falta de coisa melhor, o tema é cartões corporativos.&lt;br /&gt;É uma fofoca sem fim. A única coisa que eu constato é que ninguém nesse governo, nem mesmo a "bola da vez" chamada Dilma Roussef, tem "peitos" para questionar esse assunto como se devia.&lt;br /&gt;Afinal, qual é o problema investigar o uso dos cartões corporativos pelo governo anterior?&lt;br /&gt;Não foi aquele governo que implementou essa prática? Devemos investigar o uso dos cartões corporativos anualmente e de todos os governos. Assim se constrói vigilância pública sobre representantes eleitos e membros de seu governo o tempo todo! E é disso que os brasileiros precisam. Verificar constantemente os gastos públicos de seus governos de modo a efetuar um controle verdadeiramente público sobre eles.&lt;br /&gt;A histeria da imprensa tucana engana quem quer.  Por isso, esse tema vai sumir rapidamente, logo que explodam os conflitos reais e sangrentos que se desenham no norte desse país, mais precisamente em sua fronteira, na reserva da Raposa da Serra do Sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-9011998874635778994?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/9011998874635778994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=9011998874635778994' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/9011998874635778994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/9011998874635778994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/04/imprensa-fofoqueira-e-mira-obtusa.html' title='Imprensa fofoqueira e mira obtusa'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7361343161812588515</id><published>2008-03-06T06:01:00.000-08:00</published><updated>2008-04-09T17:29:15.699-07:00</updated><title type='text'>O que se perde com a privatização do Bonde de Santa Teresa</title><content type='html'>Dia desses, pegando o bonde do Largo do Carioca para subir para Santa Teresa vi uma cena que, para mim, sintetiza porque é um absurdo que ainda seja possível algum "ser" que se considera "político" propor a privatização do Bonde de Santa Teresa, pois isso revela a visão torpe, distorcida e burra que costumeiramente acomete alguns "administradores" de bens públicos no Brasil.&lt;br /&gt;O bonde tinha acabado de encostar e, vazio, pude escolher o lugar para sentar enquanto tinha que esperar uns 10 ou 15 min para dar a hora dele partir rumo ao morro. Pouco depois de eu me aboletar estrategicamente na ponta esquerda, para tomar todo o vento que tenho direito, chegou um grupo de turistas alemães da chamada "terceira idade". Aposentados ricos que agora passam a vida a conhecer o mundo. A guia, uma brasileira, provavelmente de origem alemã, com seu irrepreensível domínio do idioma estrangeiro explicava ao grupo para onde íamos, etc. Claro que ela também não deixou escapar a oportunidade de mostrar a seus turistas o quão brasileira ela era, tirando onda da moça que queria subir o morro pendurada no estribo do bonde, para quem insistentemente ofereciam um dos lugares livres para ela sentar.&lt;br /&gt;O bonde começou a encher e, justamente quando motorneiro ia partir, chegaram os retardatários. Como se já soubesse da turma que sempre chega na última hora, ele estava lá aguardando esse grupo.&lt;br /&gt;Desnecessário dizer que todos os turistas alemães são brancos... branquelas, mais precisamente. Mas comecei a prestar atenção nisso, comparando-os com os brasileiros que chegavam, com aquelas morenices variadas. Entre as retardatárias, apareceu uma morena esguia, com saias longas, cebelos compridos, uma verdadeira "moura", do tipo das que na Alemanha, por conta de sua religião, vivem com os lenços tapando os cabelos e sua beleza. Um dos velhos alemães não conteve o espanto com aquela visão e virou-se para trás no banco, para melhor contemplá-la. Sua virada de corpo para trás, onde ela sentou, foi quase um reflexo. Fiquei admirada em como ele, já corcunda pela idade, mantinha-se vivo.&lt;br /&gt;Quando o bonde deu a partida, andou poucos metros e parou novamente. Estavam chegando duas mulheres negras. Uma delas com um bebê no colo. Provavelmente moradoras de uma das favelas do bairro. Eram conhecidas ou não dos funcionários do bonde. Não importa. Eram moradoras do bairro, e o motorneiro deu marcha ré no bonde para que elas subissem e se instalassem mais confortavelmente, no caso, no lado dos alemães que achavam que iam poder subir folgados no bonde. Afinal, cada banco é para quatro pessoas. E essa regra é cumprida à risca.&lt;br /&gt;Na hora me dei conta de como eu nunca poderia ver isso na Europa Ocidental. Não sei nem mesmo se isso é ainda possível na Itália, em Portugal ou na Espanha. Lá se deu o horário; se o ônibus parou no ponto e fechou a porta, mesmo que o motorista ainda não tenha arrancado, ele não vai abrir a porta para o esbaforido passageiro que vê correndo em sua direção. Mas aqui no Rio de Janeiro e no Brasil, em geral, fazemos isso. Não somos dados à frieza das regras e dos contratos. Somos "personalistas". Abrimos sempre excessão para uma pessoa conhecida, ou para o que consideramos mais justo, para um brecha possível. Critica-se muito os desvios desse nosso comportamento. Afinal, a modernidade européia é contratualista e se caracteriza por regulamentos e leis que valem para todos. Mesmo que eles tenham cada um seus tipos de "jeitinhos", eles perseguem isso e criaram mecanismos eficazes para fazer vigilância para que isso se cumpra. No entanto, são muito impessoais e frios. Quase isolados em torno de si mesmos. Já nós, com todos os tipos de exceção que inventamos, volta e meia nos vemos aprisionados por interesses obscuros, de alguns poucos que se aproveitam das brechas para se "dar bem". Mas a maioria vive esse tipo de flexibilidade adotando uma espécie de bom senso. Senão, viveríamos em um inferno. A vida social, no Rio de Janeiro, pelo menos, se caracteriza por regras tácitas de convívio em torno dessas brechas. E isso se repente em maior ou menor grau em todo o Brasil Por outro lado, perseguimos essa receita européia, na qual nós procuramos nos ajustar, por considerarmos mais justa. Ma invariavelmente, adoramos abrir exceções. Não aguentamos. O único problema é que realmente, para a gente chegar perto de uma maior "justiça social", nós temos que buscar formas de administrar nosso jeito de viver com mecanismos que justamente favoreçam a maioria e não a minoria de espertalhões.&lt;br /&gt;Voltando à questão do bonde. Se como quer o tal Julio Lopes, ele privatizar os bondes, dando-os de presente para a turma dos trens do Corcovado, ele vai virar bonde de turista. Vai sair no horário. Vai ser limpinho. Sem grandes problemas de manutenção. Mas esses próprios turistas vão perder oportunidades preciosas de ver como funciona de fato a cultura brasileira. Vão ficar enclapsulados nesses oásis turísticos assépticos, tirar fotografia e esquecer o que viveram. Pois um país a gente conhece no meio de seu povo. E o povo brasileiro é peculiar e especial no seu jeito de agir. Um povo que é europeu, africano e índio ao mesmo tempo. Eles vão perder de ver uma cena como essa. De sentar ao lado de gente colorida, que expressam nessa raça brasileira vários tipos humanos. Vão perder de ver um bonde bonde que atrasa seu horário para que os passageiros retardatários cheguem e depois de andar, dá marcha ré para atender duas mulheres e uma criança. Atitude generosa. Gentil. Humana.&lt;br /&gt;Mas pior do que isso. Ao se sentir no direito de mencionar essa proposta ridícula, este senhor passa por cima de uma luta empreendida pelos moradores e funcionários do bonde para que ele continuasse existir. Sim, por que se fosse depender de políticos da laia dele, esse bonde não existiriaa mais, e o pitoresco passeio turístico que ele quer privilegiar, não existiria. Ao se dar a ousadia de pensar sobre isso, ele dá um tapa na cara da população carioca que resistiu à sanha desses políticos obtusos.&lt;br /&gt;Mas o mais grave mesmo, é que os moradores do bairro iriam perder o que lhes é de direito, pelo qual lutaram. E se dependessem só do ônibus que serve o bairro, viveriam torturados pelos gastos astronômicos que teriam de transporte. É importante ter em mente que o transporte público no Rio de Janeiro é mais caro do que em Paris e é 100 vezes pior.&lt;br /&gt;Em suma, a população pobre e de renda média, que não tem carro, que depende sofrendo do tranporte público e do bonde, perderia o serviço e ainda por cima pagaria a conta, pois esse tal empréstimo do Banco Mundial que saiu para reformar a linha permanente- que está um escândalo de mal feita- e os bondes - cujo protótipo custou 1 milhão mas seus engenheiros não se deram ao trabalho de projetá-lo para encaixar nos trilhos - é pago por toda a população do estado do Rio de Janeiro. Se o secretário der de presente o bonde para a turma do Corcovado, como ele já declarou publicamente, a maioria dos que vão pagar esse empréstico certamente não vai poder pagar as tarifas que eles cobram, para pode&lt;a onclick="return false;" tabindex="10" href="javascript:void(0)"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;r fazer o que sempre fez: andar de bondinho para ir para casa, para ir para o trabalho, para estudar. Ela vai pagar para o turista desfrutar predatoriamente de seu direito adquirido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7361343161812588515?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7361343161812588515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7361343161812588515' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7361343161812588515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7361343161812588515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/03/ameaa-de-privatizao-do-bonde-de-santa.html' title='O que se perde com a privatização do Bonde de Santa Teresa'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5684722781165122492</id><published>2008-02-07T04:57:00.000-08:00</published><updated>2008-02-07T05:26:52.044-08:00</updated><title type='text'>Apuração do Carnaval</title><content type='html'>Até vir morar no Rio de Janeiro e, então, curtir seu carnaval, nunca havia entendido porque passava na TV a apuração das notas das Escolas de Samba e porque tanta gente acompanhava isso com imensa paixão.&lt;br /&gt;No primeiro ano que passei ca rnaval aqui, parti para a Ilha Grande no dia seguinte. Tinha assistido uma noite do desfile das escolas especiais e fiquei, de fato, maravilhada com a passagem da Beija Flor, já dia, mas com uma imponência e uma energia impressionante para quem já andava cochilando na arquibancada. Acordei quando ela entrou na avenida e fiquei tão empolgada que daí tirei energia para cantar todo o desfile e ir para casa, já exausta. Na barca, indo para a Ilha Grande, sentado ao meu lado, estava um casal daqueles brancos meio aloirados dourados pelo sol. Um casal bonito, bem alimentado, provavelmente de classe média alta  que acompanhava com impressionante emoção, para meus olhos, a apuração das escolas por um rádio de pilha. Era aquele tipo de casal, estilo Barra da Tijuca, torcendo cada qual por sua escola com incontida emoção. Em suma, quem pensa que aqui há clivagem social na paixão pelo carnaval está completamente errado.  Nenhum deles torcia pela Beija-Flor, mas achavam justo se ela ganhasse. E ela merecidamente venceu aquele carnaval de 2005. Em 2006, a Vila Isabel levou com sua homenagem à America Latina, mas em 2007, lá veio a Beija-Flor de novo.&lt;br /&gt;Neste carnaval, não vi desfile, mas acompanhei, por acaso, a apuração em um buteco.&lt;br /&gt;Notei que a cada quesito apurado, rolava aquela emoção de final de campeonato de futebol.  Na medida que a Beija-Flor ia ganhando os pontos, reinava a insatisfação. Até que um homem em uma mesa gritou: "Aqui nesse nosso país, tudo é roubado!"&lt;br /&gt;Aí entrei na conversa. Vi que o dono do buteco, silenciosamente torcia para a Beija-Flor, pois ela tinha sido, segundo ele, a melhor. Os outros, torciam para a Portela, Salgueiro, Vila Isabel.... O mesmo que reclamou da suposta roubalheira perguntou para mim para que escola eu torcia.&lt;br /&gt;Eu expliquei que não era do Rio. Era de Porto Alegre e ainda  não tinha ainda escolhido uma escola.&lt;br /&gt;E então, ele lembrou: "Terra do Mario Quintana!" e começou a falar emocionado dele.... E aí, eu tive que concordar que aqui nesse país muita coisa é roubada mesmo... Lembramos juntos como é que um poeta como Quintana foi humilhado nunca sendo escolhido para a Academia Brasileira de Letras que tem entre seus membros José Sarney.... e tinha o Roberto Marinho!!!!!&lt;br /&gt;Pois é,  pensam que o povo é bobo, mas a cafajestagem às vezes  é tão explícita que cria essa desconfiança constante das instituições a ponto de as pessoas desacreditarem dos resultados., não importam quais e de que tipo, o que contamina  a vida social com uma espécie de cinismo político.  Os cariocas em geral não são nada despolitizados. Tornaram-se cínicos. A revolta sem canal apropriado de expressão desemboca no cinismo e no salve-se quem puder. O troco, o povo  dá no carnaval e na sua inversão simbólica,  no deboche constante, na gozação.... Mas, no fundo, o que há é sempre uma espécie de frustração,  de nos terem tirado o que era justo, sem termos por onde tirara a limpo essa  sacanagem de uma vez por todas.&lt;br /&gt;De qualquer modo, a Beija-Flor ganhou..... não sei se por merecimento mesmo...Mas o gosto de que  não foi justo ficou na boca das pessoas.&lt;br /&gt;Pelo menos, a Império Serrano, a única escola que eu desfilei até hoje, quando eles homenagearam os sem-terra do MST em 96,  foi campeã do grupo de acesso e agora volta a desfilar no grupo especial. Talvez, no fundo, sempre vá torcer mesmo para ela porque quem propicia essa maravilhosa e fugaz emoção de desfilar na avenida vai sempre ter lugar cativo na minha torcida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5684722781165122492?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5684722781165122492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5684722781165122492' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5684722781165122492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5684722781165122492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/02/apurao-do-carnaval.html' title='Apuração do Carnaval'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-4022204301947370176</id><published>2008-01-09T15:28:00.000-08:00</published><updated>2008-01-09T15:35:25.498-08:00</updated><title type='text'>A pequena cidade do Rio de Janeiro</title><content type='html'>O Rio de Janeiro deve ter cerca de 7 milhões de pessoas, mas é uma cidade pequena. Pude resolver minha tendência a depressão por me sentir aparentemente   isolada (neurose típica de quem faz tese)  dando uma volta por bairros bastante populosos e frequentados dessa cidade como o Centro, o Largo do Machado e o Catete.&lt;br /&gt;Sem brincadeira: encontrei três pessoas queridas, conhecidas, que até precisava encontrar percorrendo essas ruas em plenos afazeres burocráticos do dia a dia. E eu moro aqui a apenas quatro anos!!!! Imagina se eu tivesse nascido!&lt;br /&gt;Em suma, me senti mais uma vez aqueles braços abertos dessa cidade, característica apontada pelo El Pais, na época da seleção das Maravilhas do Mundo Contemporâneo.  Na foto legenda que  falava da candidatura do Cristo Redentor, o jornal  dizia que o famoso monumento  representava como o brasileiros recebiam os visitantes: de braços abertos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-4022204301947370176?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/4022204301947370176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=4022204301947370176' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4022204301947370176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/4022204301947370176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/01/pequena-cidade-do-rio-de-janeiro.html' title='A pequena cidade do Rio de Janeiro'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8119575064733147410</id><published>2008-01-07T16:40:00.000-08:00</published><updated>2008-01-09T15:28:39.449-08:00</updated><title type='text'>À espera do Messias</title><content type='html'>Ontem era Dia de Reis. Antigamente, em todo o território de tradições ibéricas era o dia em que se ganhava presente, como ainda o é na Espanha. Aqui no Brasil, provavelmente por causa da Coca-cola que inventou o Papai Noel e por causa do Tio Patinhas e seus sobrinhos patos, aprendemos a considerar o dia 24 um  dia de se  comer Peru em uma ceia e de ganhar presentes.&lt;br /&gt;A parte penosa dessa história é ver os pobres coitados contratados para passarem por Papai Noel nos shoppings... suando em bicas.... enquanto tentam escutar os pedidos das crianças....Ainda se a gente arranjasse uma vestimenta adequada ao Natal tropical para o tal velinho... Ou quem sabe, mudamos o tipo? Talvez um saci-pererê também desse conta do recado... com aquele cachimbo matreiro... Sei lá.... O fato é que acho chato ter perdido a celebração do dia dos Reis Magos... que até na França, tem seus dia celebrado com um bolo delicioso...folhado com marzipan dentro... onde, como outrora aqui, há uma prenda e quem  ganhar o pedaço com ela pode  até fazer um pedido.&lt;br /&gt;Mas ontem, em uma casa maravilhosa, na Rua Aprazível, em Santa Teresa... esperava-se o Messias, o violeiro que daria voz a uma Folia de Reis. Eu que nunca vi uma Folia, estava ansiosa esperando naquele cenário fantástico... em uma varanda belíssima, voltada para a Baia da Guanabara.  Quem diria, o centro do Rio de Janeiro mais uma vez me brindando com uma tradição provavelmente tão antiga quanto os tijolos  do convento que dá nome a esse bairro.&lt;br /&gt;Entretanto, o Messias não veio. Havia o pandeirista, um tocador de percussão e improvisamos uma cantoria. E eu cá com meus botões achei uma pena não ter matado a vontade de ver uma Folia de Reis, mas estava tudo certo e condizente para   um dia 6 des janeiro. Afinal, celebrávamos o dia e, no fundo, no fundo,  não estamos sempre esperando o tal Messias?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8119575064733147410?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8119575064733147410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8119575064733147410' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8119575064733147410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8119575064733147410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2008/01/espera-do-messias.html' title='À espera do Messias'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-6974802886528924706</id><published>2007-12-17T16:30:00.000-08:00</published><updated>2007-12-17T16:46:35.375-08:00</updated><title type='text'>Crônicas cariocas - intróito</title><content type='html'>Esse blog, criado para desafogar minhas impressões de Paris,  afetadas pela minha disposição de prestar atenção em como  a história, sobretudo a das esquerdas,  está presente naquela cidade luz, vai dedicar-se agora a falar desta metáfora escandalosa do Brasil que é a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.  Aqui também tropeça-se na história, mas neste caso, a brasileira.  E neste mar de contradições -  felizmente  -  temperadas com o bom humor carioca, vou tentar, também, expressar também  minhas impressões.  Afinal, sou de Porto Alegre. Não cresci no Rio e tenho também um olhar estrangeiro por essa cidade. Mas adoro, vocês não imaginam o quanto, poder estar no Rio de Janeiro e, por ser brasileira, não ter que passar por barreiras linguísticas e culturais para poder  me imergir tranquilamente nas idiossincrasias dessa cidade tão fascinante, quanto ,  amedrontadora. Mas, sendo ela, a metáfora do Brasil, acredito que quando tivermos capacidade de resolver  as questões mais gritantes deste  microcosmos aterrorisantemente sedutor  é porque estaremos nos resolvendo enquanto País.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-6974802886528924706?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/6974802886528924706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=6974802886528924706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6974802886528924706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6974802886528924706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/12/crnicas-cariocas-intrito.html' title='Crônicas cariocas - intróito'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-255791844681566394</id><published>2007-09-06T08:06:00.000-07:00</published><updated>2007-09-06T08:07:29.224-07:00</updated><title type='text'>PM e sem-terra discutem o futuro do Brasil em Sergipe</title><content type='html'>No mês de agosto, Aracaju, a capital do Sergipe foi palco de um inusitado encontro entre policiais militares e sem-terra. Ao invés de confronto, do usual empurra-empurra, cacetadas e da inevitável destruição de seus barracos, os sem-terra, inicialmente, desconfiados, depararam-se com uma tropa de policiais desarmados e atentos às palestras que assistiram, lado à lado, em um auditório da Universidade Federal do Sergipe (UFS), entre elas, a do dirigente do MST, João Pedro Stédile. Depois, almoçaram juntos no RU da Universidade e debateram sobre o futuro do Brasil, dividindo-se em quatro oficinas. O objetivo do encontro, segundo seu organizador, o Tenente-Coronel da PM, Luís FernandoAlmeida, era fazer com que ambos os grupos, no mínimo, “se conhecessem” para, a partir disso, pensarem em possibilidades de “novas formas de relacionamento, que tenham como foco o respeito mútuo e a busca da paz social”.&lt;br /&gt;Esse encontro me fez voltar a maio de 1992, quando sem-terra e brigadianos, os policiais militares gaúchos, dividiram a platéia do Teatro da Reitoria da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) para assistir o Seminário “Violência, Segurança Pública e Cidadania”, em Porto Alegre. Na época, deu confusão.&lt;br /&gt;Como repórter e editora do Jornal Sem Terra, assisti a bate-bocas dos oficiais militares com Hélio Bicudo, autor do projeto que previa a desmilitarização das polícias militares do país e a perguntas tais como: “Sabemos que o Movimento Sem Terra é uma estrutura bastante hierarquizada. Que lugar você ocupa nesta estrutura? Os chefes usam o anel preto e os subalternos usam o anel branco?”&lt;br /&gt;Para agravar a surdez política na qual estes dois grupos se encontravam, os cerca de 50 “colonos do MST”, que dividiam a platéia com cerca de 300 oficiais da Brigada Militar, começaram a ser sistematicamente fotografados e filmados. O realizador do evento, o sociólogo José Vicente Tavares teve que tomar a palavra e solicitar que parassem com as filmagens.&lt;br /&gt;Em 2007, em Sergipe, viu-se um outro país, refletindo as transformações políticas pelas quais o Brasil passou nos últimos anos.&lt;br /&gt;Só um dos policiais da oficina que acompanhei declarou estar na PM porque gostava do militarismo. Mas mesmo ele começou sua fala comentando ter esperado em vão que o país “mudasse” com a eleições. Os demais policiais, mesmo enfatizando o gosto por sua função, declararam estarem na polícia por “estabilidade financeira”. Os sem-terra, por seu turno, também disseram estar no MST para ter a chance de ter algo que fosse deles nessa vida: um pedaço de terra. Todos, em suma, buscavam alguma espécie de “segurança” .&lt;br /&gt;Com o andar da discussão, o grupo foi ficando mais à vontade e podia-se escutar dos policiais: “A briga não é entre nós e vocês, é entre nós e o sistema”. Eles até se perguntaram: “Quando um de nós prendeu um rico?”, “Como podemos mudar se somos manobrados por essa classe política que envergonha a Nação?”. Houve até um questionamento direto: “Como podemos construir uma unidade de classe para transformar o país?”.&lt;br /&gt;Ao escutar essas declarações vindo de quem vieram, me pus a pensar onde esses policiais haviam desenvolvido essa percepção de sua sociedade e essa aparente simpatia pela luta dos sem-terra ? No “Jornal Nacional”? Na “Folha de S. Paulo”? Na “Veja”? Não, com certeza não. Lá, os sem-terra em geral são violentos, colocam a propriedade privada em perigo, ameaçam a Nação. Além disso, sofrem preconceitos nas comunidades onde vivem, onde muitas vezes são vistos como massa de manobra, baderneiros, vagabundos. “Não gostam de trabalhar por isso ficam embaixo daquelas lonas pretas!”.&lt;br /&gt;De onde vem essa compreensão social desses brasileiros, em posições tão diversas, que também já não toleram mais um sistema social tão iníquo que condena à asfixia econômica ou à violência tantas famílias?&lt;br /&gt;No cotidiano. No dia-a-dia das famílias das classes populares que geralmente vivem amontoadas em favelas. Para elas, cada metro quadrado ocupado por barraco é fruto de “invasões”. Neste caso, silenciosas, sem a estridência política das ocupações de terra do MST. Portanto, todo pobre brasileiro pode não admitir em alto e bom som, mas sabe que se não “invadir”, não vai ganhar nada nunca. Tem muito poucas chances de ter onde morar, onde plantar sem usar esse expediente. As “invasões”, sejamos bem claros, não são prerrogativas apenas dos pobres brasileiros. Há uma história de apropriação de terrenos de marinha por ricaços no litoral brasileiro, de grandes extensões de terra por grileiros e de nacos de terreno da prefeitura nas cidades grandes, onde algumas ruas e calçadas são fechadas por seus moradores.&lt;br /&gt;No entanto, basta ser brasileiro oriundo de classes menos privilegiadas para se dar conta que na hora da porrada, o pau come do lado dos seus vizinhos. De seus parentes. E que esses, em geral, desesperados apelam para mil e uma saídas, às vezes, arriscadas, para continuar sobrevivendo dignamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-255791844681566394?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/255791844681566394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=255791844681566394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/255791844681566394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/255791844681566394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/09/pm-e-sem-terra-discutem-o-futuro-do.html' title='PM e sem-terra discutem o futuro do Brasil em Sergipe'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5068539645678872481</id><published>2007-08-01T10:21:00.000-07:00</published><updated>2007-08-02T08:40:20.505-07:00</updated><title type='text'>Suicídio em série</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Publicado mais reduzido na revista "Carta Capital", edição de 25 de jullho de 2007&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;A França foi sacudida recentemente por uma onda de suicídios ligados ao trabalho. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O último deles ocorreu na segunda-feira passada, dia 16 de julho, na fábrica de Mulhouse do grupo automobilístico PSA Peugeot Citroen. Um operário de 55 anos foi encontrado enforcado por seus colegas &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;em pleno local de trabalho. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="q"&gt;Com esse caso, totaliza-se em seis o número de suicídios de funcionários do grupo desde o início do ano.&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Conhecidos mundialmente por seus vinhos, hábitos culinários refinados, por seu apreço à estética &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e por seu espírito revolucionário, os franceses então, entretanto, entre os povos da Europa Ocidental que mais se suicidam: são 11 mil casos, fora as tentativas que ficam na casa dos 150 mil por ano.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É a maior causa de morte violenta no país,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;bem na frente de acidentes de trânsito e de homicídios, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;O assunto, considerado tabu tanto por empresas como por sindicatos, passou a ter repercussão quando foi divulgado, no início de 2007, o segundo caso de suicídio cometido na principal “vitrine” da Renault, o futurista &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Technocentre de Guyancourt&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, complexo que centraliza a área de engenharia e projetos da empresa. De nada adiantou, entretanto,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a marcha silenciosa organizado pela CGT (Confederação Geral do Trabalho) em memória dos colegas mortos. Pouco tempo depois, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;outro engenheiro lotado no local, se suicidou em casa, deixando uma carta em que apontava dificuldades que enfrentava no trabalho como causa de seu gesto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Agora a Renault corre o risco de ser processada criminalmente por essas mortes,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de acordo com o dossiê entregue ao Procurador da República de Versalhes, na primeira semana de julho. Segundo o jornal “Le Monde”, a delegacia do trabalho adotou a tese da ligação entre os três suicídios e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;considera que a empresa não facilitou as investigações, o que significam penalidades bem mais duras para a empresa.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A Renault havia recorrido, no dia 27 de junho, contra a decisão que reconhecia o&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;primeiro suicídio como acidente de trabalho. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Sua tese é que essas mortes são casos isolados, sem relação com as condições de trabalho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Foi logo depois que veio à tona os casos de suicídio na outra montadora francesa, PSA Peugeot-Citroen.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="Em fevereiro, David Criquy" st="on"&gt;Em fevereiro, David Criquy&lt;/st1:personname&gt;,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;31 anos, operário da fábrica da Peugeot de Charleville-Mezieres deixa uma carta de adeus denunciando que seus chefes lhe impunham uma sobrecarga de trabalho sem lhe dar o menor reconhecimento. Dois dias depois, um colega segue seu exemplo, mas sobrevive. Em maio, foi a vez de três operários da seção de ferragens&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de fábrica de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mulhouse, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;antecedidos por um colega&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que se enforcou, no dia 19 de abril, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;em um pequeno local,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;onde estava fazendo o controle das peças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Para a CGT, o sofrimento destes trabalhadores está diretamente ligado à degradação das condições de trabalho com a diminuição de postos nas fábricas, ameaças de transferência e os novos métodos&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de gestão de mão-de-obra, como o japonês Hoshin, que implicam cada vez mais os trabalhadores no processo de produção, exigindo desempenho individual com&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;responsabilidades cada vez mais altas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A PSA-Peugeot&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;não considera que esses casos tenham ligação específica com o ambiente de suas fábricas, mas que refletem a situação global da sociedade francesa. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;De qualquer modo, o último caso registrado em Mulhouse, ocorreu 15 dias depois de a empresa&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;ter colocado à disposição de seus funcionários um “número verde” , que presta atendimento psicológico gratuito,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e uma semana depois &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="q"&gt;da primeira reunião de uma "célula psicológica" destinada a prevenir este fenômeno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Além dessas montadoras francesas com unidades funcionando no Brasil, a outra empresa a registrar sucessão de suicídios foi a estatal francesa de energia, a EDF-GDF. Em um período de dois anos houve&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;quatro casos de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;agentes da central nuclear de Chinon. No fim de maio, entretanto, veio à tona um caso particular: o suicídio de uma funcionária da área de recursos humanos de cerca de 50 anos, transferida um mês antes de Saint Etienne para Lyon,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;no processo de reestruturação dos serviços de pessoal de cinco unidades da empresa, que teve seu monopólio de fornecimento de energia quebrado em fins de junho, por exigência de acordos firmados entre países &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;membros da União Européia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Embora ainda não exista estatística oficial sobre o fenômeno, essa “epidemia” e seus efeitos em cadeia indicam que a França pode ser um dos países ocidentais onde mais se comentem suicídios por razões ligadas ao trabalho. De acordo com a Organização Mundial da Saúde,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o país ocupa o terceiro lugar atrás da Ucrânia e dos Estados Unidos, no ranking dos países que registram maior número de depressões ligadas a atividades profissionais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Para especialistas do CNAM (Conservatoire National des Arts et Métiers), “as novas técnicas de organização do trabalho geraram uma maior solidão entre os empregados”. Baseados em dispositivos&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;elaborados para medir desempenhos individuais dos funcionários, essas novas formas de gerenciamento exigem um maior envolvimento no trabalho, através de “políticas de mobilização” de mão-de-obra. Portanto, além da força física e da habilidade intelectual, exige-se forças subjetivas do indivíduo, seu “engajamento” , que, por sua vez,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tem repercussões salariais importantes no final do mês, como observa o&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sociólogo Yves Cohen, da Ecole des Hautes Études em Sciences Sociales, que trabalhou como operário na Peugeot&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;nos anos 70.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Como subproduto, esses dispositivos gerenciais&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;geram maior concorrência entre os colegas e aguçam a solidão em uma prática eminentemente coletiva que é o trabalho. “Não que antigamente os patrões fossem mais formidáveis, mas as pessoas suportavam juntas, havia mais solidariedade entre os funcionários”, sublinha Rachel Saada, advogada da viúva de um dos engenheiros da Renault. “Hoje os assalariados estão muito sozinhos, têm que ter resultados individuais e é muito mal visto ser sindicalizado”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Para Christophe Dejours, psiquiatra e diretor do laboratório&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de psicologia do trabalho do CNAM, o próprio convívio diário está “contaminado por jogos estratégicos que arruínam as relações de confiança e colonizam o espaço privado”. Ele observa que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;isso é mais agudo nos cargos mais altos, onde os profissionais se envolvem em uma luta para não perder sua posição e progredir na carreira. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:8;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;O psiquiatra e professor de medicina legal, Michel Debout, que preside hoje a UNPS (União Nacional de Prevenção ao Suicídio) explica que a maior parte dos suicídios na França ocorre entre homens na faixa de &lt;st1:metricconverter productid="30 a" st="on"&gt;30 a&lt;/st1:metricconverter&gt; 60 anos (6.200 dos 11 mil anuais), portanto, em plena idade produtiva. Mas, segundo ele, “ninguém pode dizer quantos desses morrem por problemas profissionais”. Ele reconhece, entretanto, que em um contexto de “guerra econômica”, de “globalização” e de desemprego, é visível o aumento de pressão sobre os trabalhadores que “são espremidos como limões”, mas não têm seus esforços reconhecidos, o que gera uma perda de confiança em si mesmo e na empresa. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Para ele, membro honorário do Conselho Econômico e Social da República da França, &lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;alguns casos dos suicídios recentes podem ser considerados “sacrificiais”, “de protesto”. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Segundo Dejours, o &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;fenômeno do suicídio no trabalho é recente. Começou de uns dez anos para cá. Até então esses casos ocorriam entre agricultores e assalariados agrícolas endividados, onde os ambientes de vida e de trabalho se confundiam. Fora desses, os arquivos de medicina do trabalho referem-se somente a casos ocorridos nos domicílios dos empregados. “Os constrangimentos &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span lang="FR"&gt;ligados à organização do trabalho mudaram na França e no mundo e estão na origem da aparição dos suicídios no trabalho. &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Isso começou a ocorrer no Brasil, na Bélgica e em outros países”. &lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Através desse ato radical, esses funcionários, sentindo-se&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;exaustos, impotentes&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e incapazes, soltam este grito silencioso que, por sua vez, gera um efeito traumático entre os colegas e mesmo entre seus superiores hierárquicos, o que explica a sucessão de casos em uma mesma unidade, como ocorreu nessas empresas. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Dejours explica que &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a reprodução do ato é justamente o efeito da cortina de silêncio e da culpabilidade que, em geral,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;cercam esses casos. “O fato de a empresa não reagir&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;acaba significando que a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pessoa morta não representava nada, pois mesmo um suicídio não tem poder de parar o trabalho”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;A empresa emblemática&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Em uma segunda-feira de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;outubro de 2006, um engenheiro de informática de 39 anos, pai de um menino de 11, saiu de casa para ir ao trabalho, contrariando sua mulher, que queria levá-lo ao médico. Depois de muitas noites em claro, às voltas com um projeto prioritário para a empresa, disse que naquela manhã teria uma reunião que seria “capital” para sua carreira. Poucas horas depois, este funcionário de elite se jogou do 5º andar do prédio principal do Technocentre da Renault. Três meses depois, um técnico que ia ser promovido a engenheiro, foi encontrado afogado em um reservatório localizado próximo ao complexo de engenharia. A perícia concluiu que ele havia cometido suicido. Um mês depois, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;foi a vez de outro engenheiro, de 38 anos, mas desta vez, em casa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Presidida &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;desde 2005 pelo brasileiro Carlos Ghosn,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a Renault é uma empresa emblemática na França. Criada por Louis Renault e nacionalizada por De Gaulle&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;em 1945, como punição pelo colaboracionismo de seu proprietário com os nazistas, ela faz parte do imaginário dos franceses não só por sua importância industrial como pelos avanços sociais obtidos por seus trabalhadores. Até ser privatizada por Mitterand, além de produzir carros, a empresa funcionava como um espécie de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;banco do Estado francês, a ponto de ser corrente a expressão, “quando a Renault pega um resfriado, a França tosse”. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Não foi, portanto, à toa que os três casos ocorridos no Technocentre gerassem grande repercussão e colocassem essa questão em pauta no país. Mesmo com a privatização, na cabeça das pessoas continuava vigente a idéia de que trabalhar na Renault era melhor do que &lt;st1:personname productid="em outras empresas. Sobretudo" st="on"&gt;em outras empresas.  Sobretudo&lt;/st1:personname&gt; no Technocentre &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;de Guyancourt&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Em funcionamento desde 1995, trabalhar nesta cidade tecnológica era considerado um privilégio, sobretudo para engenheiros amantes de automóveis. Entretanto, com suas câmaras internas e sua atmosfera impessoal, a cidade freqüentada &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;diariamente por 12 mil pessoas passou a ser apelidada de “Alcatraz”, segundo o delegado da CGT, Vincent Neveu.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“Ela&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;foi construída para máquinas, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;não para pessoas”, diz ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Ä chegada de Ghosn na presidência, com fama de “cost killer”,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;anunciando um ambicioso plano de metas para 2009,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;cobrando mais produção, mais qualidade a custos mais baixos, aumentou ainda mais a pressão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;De acordo com a advogada, &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o discurso de Ghosn de “Zero faltas para as máquinas se aplicava para os homens”. Ela acredita que o marido de sua cliente sofria com a ausência de reconhecimento e com um gerenciamento difícil de suportar. “As pessoas são colocadas em competição o tempo todo e têm que trabalhar muito”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Segundo Neveu, o delegado da CGT, dentro do Technocentro há projetos mais interessantes e melhor remunerados do que outros e se você reclama de algo, certamente te colocam na geladeira. Lá também a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;remuneração do assalariado depende justamente do envolvimento &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;no trabalho, que por sua vez vinha sendo mensurado por uma “pesquisa engajamento”, que foi objeto de denuncia da confederação no ano passado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Para melhorar o clima na empresa e as condições de trabalho no Technocentre, a Renault anunciou um plano de apoio a seus engenheiros e a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;contratação de um reforço de 110 especialistas na área automobilística. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Para a CGT, que considera as medidas insuficientes, o brasileiro tem pelo menos &lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;o mérito de assumir publicamente a existência do problema. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;“Há um noção de fracasso que foi mal interpretada”, reconheceu Ghosn recentemente. “A empresa não tem&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;direito ao fracasso. Nós devemos ter êxito nos nossos compromisso. Mas os indivíduos têm&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;direito ao fracasso, sem cair na complacência, claro. É só tentando que pode-se ter sucesso”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Segundo o consultor de empresas Didier Toussaint, que publicou um livro sobre a &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Renault, o clima pesado na empresa vem de muito tempo, bem antes de Ghosn. Segundo ele, essa atmosfera, por sinal,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;é comum na maioria das empresas francesas. Ele cita o economista, Tomas Philippon, autor de “Le Capitalisme d’héritiers”, que aponta a má qualidade das relações de trabalho  como uma das causas da perda de dinamismo da economia francesa. De acordo com Philippon, o gosto desmesurado dos franceses pela hierarquia teria como uma de suas conseqüências o bloqueio à ascensão dos mais criativos e competentes, privilegiando a herança e a reprodução social no recrutamento de suas elites. Por conseqüência, imperam relações sociais no trabalho marcadas pela insatisfação e desconfiança, que têm como única contrapartida um sindicalismo historicamente combativo. Entretanto, com a decadência das mobilizações sindicais, trabalhadores de várias categorias mais uma vez desenvolveram uma&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;forma de protesto, neste caso,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;trágico e silencioso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;box&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A morte do bom patrão&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em meio ao debate sobre suicídios&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de trabalhadores, a França foi pega de surpresa&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;pela morte de Pierre Jallate, 89 anos, ex-dono da fábrica de galochas que leva seu nome, hoje controlada pelo grupo italiano JAL. Algumas semanas antes de seu aniversário, no dia 8 de junho, o antigo patrão se matou com um tiro de fuzil &lt;st1:personname productid="em seu quarto. Seu" st="on"&gt;em seu quarto. Seu&lt;/st1:personname&gt; gesto, tomado no mesmo dia de uma reunião definitiva sobre a transferência da fábrica para a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tunísia causou comoção na pequena Saint-Hippolyte-du-Fort, vilarejo de 3 604 habitantes, onde &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Jallate construiu a fábrica que dirigiu até 1983. Para os 285 trabalhadores ameaçados de perder o emprego, não há a menor dúvida: seu antigo patrão morreu por eles. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Agora, todo o vilarejo sente-se órfão, porque, claro, Jallate era como um “pai”, amado e venerado. Um tipo, em suma, em extinção. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5068539645678872481?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5068539645678872481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5068539645678872481' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5068539645678872481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5068539645678872481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/08/suicdio-em-srie.html' title='Suicídio em série'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-557707088748025320</id><published>2007-08-01T09:03:00.000-07:00</published><updated>2007-08-01T10:20:14.462-07:00</updated><title type='text'>"Côté Fromage"</title><content type='html'>Cheguei no Brasil no dia 5 de julho e, desde então, enxergo a França e sua capital de longe, depois de ter me habituado com suas ruas, seu dia-a-dia, seu jeito de ser. &lt;br /&gt;Paris é uma cidade evidentemente muito bonita e agradável de viver. Não chovesse tanto e ficasse tão frio ela seria uma eterna beleza. Capital de um império, ela foi pensada para ser bela  e assim é mantida com orgulho por seu povo e por seu Estado nacional. Suas ruas requintadas, museus, monumentos, restaurantes e confeitarias arrebatadoras recebem cerca de 20 milhões de turistas todos os anos...  classificados por meu pai de "os abobados de Paris".&lt;br /&gt;Obviamente que com essa montanha de turistas, os parisienses não são considerados os mais simpáticos anfitriões do mundo. Mas ao contrário de sua fama mundial, eles foram geralmente simpáticos e até bem humorados durante a minha estadia. Depois de uma inicialmente ruim com uma vendedora de bilhetes de  trem, que teve uma conclusão feliz graças ao atendimento de outra vendedora, em outra agência, resolvi  cunhar a expressão "côté fromage" e me concentrar mais nela. &lt;br /&gt;Todos os lugares e pessoas têm seus lados bons e ruins. Eu resolvi denominar o lado bom de Paris e da França de "côte fromage". Esse povo é  inquestionavelmente bom nessa área: a dos queijos. Imgina que um dos queijos mais deliciosos que eles criaram, o Conté, é feito por uma associação de camponeses de uma região da França desde a Idade Média! Fico obviametne completamente encantada por isso... E como eu adoro queijo,  dei esse nome ao lado bom deles. Resolvi não batizar o lado ruim... Talvez eu tenha tapado o sol com a peneira, mas é uma estratégia interessante de sobrevivência em países estrangeiros.&lt;br /&gt;A verdade é que cheguei à conclusão que os franceses não andam assim tão distantes da gente .  A única diferença grande mesmo é o fato de eles se levarem meio a sério demais.... o que diminui inconstestavelmente seu senso de humor.&lt;br /&gt;Mas, para padrões europeus, eles sempre chegam atrasado (15 minutos é o padrão), não abrem instituições como bancos e correio na hora... e adoram serem insubordinados.  As regras estão lá, mas se der para passar a perna, eles passam. Claro que, o grau de civilidade deles é mais alto. Esqueci meu chapéu duas vezes em lugares diferentes. Voltei, e ele estava lá.&lt;br /&gt;Ninguém mexe no que pode ser de outro. Eles contam que a pessoa volte.&lt;br /&gt;Eu esqueci meu chapéu por nem 10 minutos em um restaurante em São Paulo, e  sumiram com ele.&lt;br /&gt;Os parisienses são muito educados, embora de uma maneira distante. Mas tem uma coisa deles que eu incorporei. Acho até que  eu era realmente  uma grossa antes disso. Você não entra em algum lugar sem dizer "bonjour". Antes de te responder qualquer coisa, a pessoa do lugar espera sempre por esse "bonjour" que é também uma maneira de reconhecer que tem alguém ali, que essa pessoa existe, etc. Eu cansei de entrar em lojas para dar uma olhada discreta e sair  no Brasil. Lá  eles acham grosseria você entrar em algum lugar e não dizer o tal "bonjour". Fui perguntar o preço de uma coisa em uma espécie de "Americanas" de lá e a vendedora, antes de me responder, olhou para mim e exigiu: "bonjour", né???&lt;br /&gt;De resto, eles gostam de trabalhar pouco, de jogar conversa fora nos botecos deles e fazer festa.&lt;br /&gt;São divertidos e críticos.  Só têm uma maneira diferente de se relacionar.  Não sei se é um padrão anglo-saxão incorporado nas sucessivas invasões que eles sofreram de vikings, ingleses, etc. Eles não têm uma maneira fluída de se relacionar.  Tudo tem que se agendado com antecedência. Tudo é programado. Não há lá muito espaço para o improviso. Essa necessidade de a gente saber um do outro, que é mais ou menos o que constrói a amizade, de ligar só para saber como anda a vida... saber novidades, creio que não rola.  Pelo menos não em seis meses. O telefonema é feito de maneira sempre objetiva. &lt;br /&gt;Os estrangeiros, portanto, que não fizeram amigos franceses na escola, na faculdade acabam encontrando uma sociedade aparentemente impermeável. Mas isso talvez seja o quadro comum de todo imigrante seja lá onde for.  Aqui as amizades são mais fluídas à priori. Mas sabe-se lá se acabam não se tornando mais descartáveis e superficiais.  Mas a verdade é que eu preciso dessa maneira fluída de me relacionar. Não gosto desse espaço que existe normalmente entre as pessoas nos países mais ao norte da Europa, como na Dinamarca. O dia-a-dia é mais leve, mais sociável. A França talvez fique nessa fronteira. Mas eu procurei sempre prestar mais atenção naquilo que lhes tornava mais próximos de mim, da minha cultura. E encontrei. Talvez o segredo do tal "côte fromage" seja esse: procurar sempre o que os outros têm de melhor. Aí se acha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-557707088748025320?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/557707088748025320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=557707088748025320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/557707088748025320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/557707088748025320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/08/ct-fromage.html' title='&quot;Côté Fromage&quot;'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-6436953155258070145</id><published>2007-06-20T05:07:00.000-07:00</published><updated>2007-06-20T05:24:52.256-07:00</updated><title type='text'>Havaianas falsificadas</title><content type='html'>As havaianas com a bandeirinha do Brasil continuam a fazer os pés de europeus e européias nos dias de calor. O interessante é que agora você pode encontrar nas lojas os famosos chinelinhos brasileiros falsificados.  Se o par autêntico anda pela casa dos 20 euros. O falsificado pode ser encontrado até a seis. O interessante é que se nota a falsificação nas bandeirinhas, que ficam meio borradas.&lt;br /&gt;Até aí tudo bem. Os chineses andam por tudo. Não iam deixar as havaianas imunes ao seu savoir faire.  E além disso, pelo que me consta, a  marca pertence a uma multinacional norte-americana e se os chineses quiserem ganhar com isso, tanto faz.  Os lucros não ficam mesmo com a gente.&lt;br /&gt;O aspecto curioso é que o tipo de havaianas que  faz sucesso na europa é com a bandeirinha nacional. Pés franceses, espanhóis, italianos, ingleses ostentando a nossa bandeira por aí.&lt;br /&gt;Para nós, usar a bandeira é quase um exagero. Tenho uma camizeta verde e amarelo e sinto que me uniformizo se uso a bandeira nacional. Já os europeus devem achar legal ostentar o nosso panteão nacional nos pés.&lt;br /&gt;Essa dificuldade de usar a bandeira fora das épocas de Copa do Mundo deve ser também um fator explicativo do  nosso caráter nacional.&lt;br /&gt;Para nós, a bandeira não é uma coisaligada ao nosso cotidiano, ao nosso íntimo, como para os dinamarqueses, que costumam ter um mastro próprio em casa para hastear sua bandeira em festas familiares. Qualquer aniversário dinamarquês é enfeitado com banderinhas vermelhas e brancas.&lt;br /&gt;Para mim, embora considere bonito o chinelo com a bandeirinha, me parece meio exagerado usá-la.&lt;br /&gt;Aqui em Paris,  dada a existência do Le Pen, a bandeira nacional enfeita escolas, prédios públicos, mas também não é lá muito ostentada no cotidiano.&lt;br /&gt; Mas ela é de fato muito mais presente na paisagem parisiense do que em qualquer cidade brasileira.  Temos uma bandeira bonita. Diferente, mas, creio eu, ela não está tão colada ao nosso cotidiano porque  ainda somos um país marcado por derrotas históricas.  Como temos uma situação social catastrófica e violenta, que até hoje não tem perspectiva de ser resolvida, lidamos com uma certa vergonha nacional.&lt;br /&gt;Os países cujo povo conseguiu ser protagonista de sua história, que promoveu algum tipo de reforma profunda ou revolução, creio eu, têm uma bandeira mais celebrada.&lt;br /&gt;Esse é o caso, por exemplo, da Catalunha, cuja capital, Barcelona, enfeitada de bandeiras catalãs por todos os lados, embora tenha sido derrotada em sua vontade de autonomia plena, de se tornar um país totalmente independente da Espanha, orgulha-se do seu passado.  Eles ao menos lutaram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-6436953155258070145?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/6436953155258070145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=6436953155258070145' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6436953155258070145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6436953155258070145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/06/havaianas-falsificadas.html' title='Havaianas falsificadas'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-115152037280953793</id><published>2007-05-17T14:29:00.000-07:00</published><updated>2007-05-17T14:40:47.561-07:00</updated><title type='text'>O presidente e o pesadelo Sarkozy</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eleito com 53% dos votos, Nicolas Sarkozy&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tomou posse como Presidente da República da França no dia&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;16 de maio.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Neste mesmo dia, no trem que liga Rouen a Paris, um jovem de origem árabe entrou no vagão e resolveu colocar em alto volume a música que escutava, acordando imediatamente &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;os passageiros que aproveitavam a deixa para tirar uma pestana. Duas jovens se aproximaram dele e pediram que baixasse o som, para que pudessem continuar a descansar. Imediatamente, o rapaz começou a gritar e insultar todo o vagão: “Fdp... franceses.... Sarkozy, etc!.”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ficou cerca de uma hora misturando insultos aos franceses e francesas em geral &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;com o nome do atual presidente e, segundo uma criança atenta,  repetiu  61 vezes a expressão “fdp”...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na mesma noite, em um restaurante em Paris, na hora de pagar a conta, algumas moças começam a brincar com o garçom, dizendo que só iam pagar  se ele lhes revelasse seu nome. O rapaz, meio sem graça, não teve saída: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Tenho um nome maldito: Nicolas”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estes são &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;exemplos do tipo de ruptura que representa a chegada de Sarkozy à Presidência da França. Ele domina o inconsciente dos franceses tanto em termos de sonho, como de pesadelo. Por sinal, não é sem significado que &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;na noite &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;mesma de sua eleição no dia 6 de maio, houve &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;tumultos e queimas de carros registrados em várias regiões da França.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas se o barulho é feito pelos descontentes, é importante reconhecer que Sarkozy foi eleito por uma grande margem de votos, em termos franceses: 6%. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em suma, ele representa expectativas de uma França que, por um lado, admira e quer embarcar no barco do capitalismo anglo-saxão, encabeçado pelos Estados Unidos, e &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;tem medo de figuras &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;como o rapaz árabe, que teve uma reação completamente desmedida e permeada de ressentimentos ao pedido dos passageiros de trem.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O tipo, por sinal, pode ser da terceira geração de uma família de argelinos imigrantes, que nunca foi realmente aceito e incorporado como francês de “souche”, ou seja, de raiz, não consegue bons trabalhos nem vê um horizonte social aberto para seu futuro. Sua tragédia reside no fato de ele não ser mais argelino, mas também não poder ser francês. E é um fato, já largamente estudado, que existe um muro social e cultural que bloqueia a incorporação de muito desses imigrantes pobres à sociedade francesa. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esse entretanto, não é o caso de Sarkozy,  filho de um imigrante da pequena nobreza húngara, que fugiu do país com a chegada do comunismo soviético.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entretanto, o atual presidente também é produto de ressentimentos acumulados. Tendo crescido em bairros ricos,  sua família enfrentou grandes dificuldades quando a mãe,  francesa, abandonada pelo pai,  &lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;teve que criar os três filhos sozinha. Ele já declarou publicamente que sofria de insegurança por causa de sua estatura, pela falta de dinheiro de sua família em relação aos vizinhos e pela  ausência de seu pai. “O que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;fez o que sou agora foi a soma de todas as humilhações sofridas na minha infância”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Animal político por excelência, com uma carreira meteórica repleta de traições (a Chirac, Balladour ) Sarkozy representa uma ruptura na tradição da clássica&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;direita francesa, que desde De Gaulle, funcionava como contrapeso e pedra no sapato das ambições unilaterais norte-americanas. É importante lembrar que De Gaulle rompeu com a Otan e foi sua desconfiança &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;sobre as reservas de ouro que garantiam Breton Woods que acabou revelando que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;não havia mais paridade entre reservas de ouro e o valor do dólar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Ao contrário  da linhagem de Chirac, cuja oposição à Guerra no Iraque seguia a tradição gaullista, até ser oficialmente indicado pela UMP como seu candidato a presidência, Sarkozy era conhecido por seu “atlantismo”, ou seja, por seu apoio à política externa norte-americana. Em uma visita a George Bush, ele chegou a defender a  guerra do Iraque. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Entretanto, no dia de sua investidura como candidato, moderou seu discurso, revelando em que termos ele joga com a platéia. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Deixou de ser o candidato da direita liberal e “atlantista” para representar a “direita gaullista”. Não se sabe entretanto, em que medida ele vai conduzir esse papel. Seu primeiro passo como presidente foi  nomear como primeiro-ministro François Fillon, que tem uma imagem de “gaullista social”, mas tentou realizar reformas liberais que acabaram freadas por Chirac. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Outro exemplo de seu estilo são suas conversas com antigos colaboradores de Mitterand para comporem seu governo. Em suma, enquanto o Partido Socialista francês não consegue sequer se mostrar unitário para conquistar um bom espaço nas eleições legislativas, Sarkozy joga também com a possibilidade de ter figuras antigamente vinculadas à esquerda para embaralhar mais o meio de campo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Aos 28 anos, eleito prefeito de Neully-sur-Seine, um subúrbio rico próximo de Paris, Sarkozy também se notabiliza por sua amizade com as principais fortunas da França, entre eles, “seu irmão”, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Arnaud Lagardère, presidente de um grupo que controla, entre outros, a EADS (European Aeronautic Defence and Space Company), uma indústria de armamentos e de aviões, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e a Hachette, a maior editora de revistas do mundo, com mais de 200 títulos. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Figuram também entre seus “grandes amigos”, Martin Bouygues, que controla TF1 junto a Vincent Bollore, o milionário que lhe empresou o Iate para suas férias pós-eleitorais na Ilha de Malta, que causou grande repercussão na imprensa francesa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Seu estilo de se reportar diretamente aos amigos para controlar as notícias que lhe desagradam já vem causando apreensão no país.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O caso mais notório foi o da demissão do editor do semanário “Paris-Macht”, Alain Genestar, por ele ter publicado fotos de sua mulher Cecília, com seu amigo, o publicitário Richard Attias, no verão de 2005, quando o casal ficou temporariamente separado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A mulher de Sarkozy, por sinal, foi novamente o pivô de uma novo mal-estar no ambiente jornalístico francês, já na primeira semana após sua eleição. O jornal eletrônico “rue &lt;st1:metricconverter productid="89”" st="on"&gt;89”&lt;/st1:metricconverter&gt; de ex-jornalistas do "Liberation", publicou que repórteres do "Journal du Dimanche", descobriram que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Cecília não votou no segundo turno das eleições. O editor do jornal, propriedade do Grupo Lagardère, inicialmente decidiu publicar a matéria, mas ela acabou não saindo, segundo o “&lt;st1:metricconverter productid="89”" st="on"&gt;89”&lt;/st1:metricconverter&gt;, por conta de pressões recebidas na redação do jornal pela tropa de choque de Sarkozy.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Em entrevista à agência France Presse, o diretor&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;do &lt;span style="font-family: webdings;"&gt;"&lt;/span&gt;Jornal du Dimanche", Jacques Espérandieu, negou ter recebido pressões e disse que a matéria caiu única e exclusivamente por sua decisão pessoal. Ele considerou a notícia de “cunho privado” e achou importante que o artigo fosse acompanhado de uma chamada telefônica à principal interessada, que não respondeu aos repórteres.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;De qualquer modo, a ONG “Repórteres Sem Fronteira” já manifestou publicamente sua preocupação com o estilo Sarkozy de lidar com a mídia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Resta saber se a esquerda francesa vai conseguir pelo menos se unir de algum modo para eleger um bom número de parlamentares nas eleições legislativas e ter condições de bloquear as reformas de Sarkozy, que certamente vão aterrissar. Senão, é bem provável que a temperatura volte a crescer nas ruas. Com seu estilo autoritário – reconhecido pela própria mãe – e com amplos poderes para governar, ninguém sabe bem onde isso pode parar. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="background: rgb(255, 255, 238) none repeat scroll 0%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-115152037280953793?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/115152037280953793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=115152037280953793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/115152037280953793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/115152037280953793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/05/o-presidente-e-o-pesadelo-sarkozy.html' title='O presidente e o pesadelo Sarkozy'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8932548579149094830</id><published>2007-05-17T14:24:00.000-07:00</published><updated>2007-05-17T14:29:39.287-07:00</updated><title type='text'>A influência brasileira no programa da Ségolène</title><content type='html'>obs: esta matéria foi "comprada" pelo editor de internacional de um grande jornal brasileiro que simplesmente resolveu não publicar nem dar satisfação para mim a tempo de vender a matéria para um outro veículo qualquer, na última semana da eleição presidencial na França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Por trás das propostas da candidata do Partido Socialista à Presidência da França, Ségoléne Royal, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;há influência &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;bem brasileira: o Orçamento Participativo, inventado em Porto Alegre(RS),&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;cidade que virou santuário do altermundialismo depois de sediar os Fóruns Sociais Mundiais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Enquanto o candidato da UMP, Nicolas Sarkozy, se apresenta como o “homem forte”, portador de soluções para “toda” França, a candidata socialista &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;baseia seu programa na “democracia participativa”. É esse paradigma que norteia sua prometida reforma constitucional que, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“com certeza irá mais longe do que está previsto&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;na Constituição Brasileira de &lt;st1:metricconverter productid="1988”" st="on"&gt;1988”&lt;/st1:metricconverter&gt;, afirma Yves Sintomer, diretor do Centro March Bloch, em Berlim, e professor na Paris VIII. Com &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;novos mecanismos a serem introduzidos na carta constitucional francesa, Ségolène pretende estabelecer uma lei nacional que instituirá orçamento participativo em todo país, bem como formar “júris de cidadãos”, cujos membros, sorteados, terão a incumbência de avaliar a atuação dos políticos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Um dos autores do livro “Porto Alegre: a esperança de uma outra democracia” (Editora Loyola), &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Sintomer colaborou com Ségolène na implantação do orçamento participativo das escolas secundárias públicas da região que ela preside, Poitou-Charentes. “Ela se inspirou em Porto Alegre, particularmente no que eu escrevi, para construir essa proposta”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Pais, alunos, funcionários e professores debatem o uso da verba empregada nestes estabelecimentos de ensino com o objetivo de usá-la de maneira mais eficaz. Embora estas escolas sejam o destino de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;25% do orçamento regional, ou seja, cerca de 124 milhões de euros,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a comunidade escolar decide apenas sobre a finalidade de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;10 milhões, ou seja, 8%. Essa cifra, no entanto, não fica tão longe dos 15% &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;dos recursos postos em debate por seu modelo gaúcho. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A idéia de o poder público abrir um debate, com regras claras, sobre a finalidade de um determinado recurso, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;inclusive concedendo aos cidadãos o poder de definir a ordem de prioridade dos projetos financiados, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;vem, segundo ele, “direto de Porto Alegre”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Classificado como um dos “gurus” de Ségolène, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;o primeiro contato de Sintomer com o orçamento participativo ocorreu justamente no I Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, em 2001. Desde então, ele tornou-se um de seus principais divulgadores na França. Para ele, a capital gaúcha é um verdadeiro “laboratório da democracia”, pois, &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;no momento em que possibilita que os cidadãos assumam diretamente a tomada de decisões, a cidade desenvolveu&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;um “quarto poder”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Além do orçamento participativo, Ségolène iniciou sua campanha eleitoral promovendo inúmeraveis encontros com habitantes das várias regiões do país, período que ela classificou de “fase de escuta”. Seu objetivo era conhecer as propostas e questões de seus eleitores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Embora não considere isso propriamente como a instituição da “democracia participativa” na campanha eleitoral, já que a prerrogativa da decisão continuou sendo da candidata, Sintomer reconhece que ela instituiu uma “verdadeira ruptura” no jeito como a política vem sendo feita na França, até então monopólio dos partidos políticos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Este estilo, entretanto, é visto com certo ceticismo. Para alguns de seus críticos, não passa de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“populismo participativo” e uma boa jogada de marketing. De qualquer maneira, deve-se reconhecer que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a primeira mulher a chegar tão perto do poder na França optou por uma caminho singular para vencer um candidato que, como Sarkozy, adota uma campanha de modelo clássico, apresenta um programa de governo acabado e seduz o eleitorado com uma postura quase marcial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8932548579149094830?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8932548579149094830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8932548579149094830' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8932548579149094830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8932548579149094830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/05/influncia-brasileira-no-programa-de.html' title='A influência brasileira no programa da Ségolène'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5645201292889689806</id><published>2007-05-02T10:31:00.000-07:00</published><updated>2007-05-02T10:36:56.196-07:00</updated><title type='text'>Nem Miterrand ousaria</title><content type='html'>&lt;p face="arial" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; color: black;"&gt;Fazer o showmicio de Ségolène no estado Charléty, não foi obra do acaso. Foi o cenário ideal para a candidata socialista cair em cima de de Sarkozy que no domingo passado criticou 1968.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="" face="arial"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; color: black;"&gt;Nesse mesmo estádio, no dia 27 de maio daquele ano, estudantes da esquerda reuniram também um número aproximado de 40 mil pessoas, em meio àquele ambiente convulsivo e esperançoso daquele ano que representou mudanças profundas nesse país.&lt;br /&gt;O Sarkozy pegou realmente mal ao criticar esse ano, tão representativo para o mundo e para boa parte do que realmente interessa deste país.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="" face="arial"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; color: black;"&gt;Mas o discurso da Ségolène, no entanto, em geral monocórdio, foi mais ousado, talvez do que os seus companheiros de legenda esperavam. Ao citar a história do 1º de maio, ou seja a morte de grevistas em Chicago, que lutavam por 8 horas de trabalho, 1881, que também teve seu equivalente sangrento, em uma mobilização de mineiros no norte da França, a candidata socialista fez questão de citar a II Internacional e acrescentou: “Esse dia é para recordar aqueles que pagaram para que hoje os trabalhadores sejam livres!”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: Arial; color: black;"&gt;Diante desse trecho de seu discurso, bem-humorados assistentes e apoiadores de seu partido comentaram ao meu lado. “Essa, de falar da Internacional nem o Mitterand ousaria”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: Arial; color: black;"&gt;Ségoléne, em suma, quer se apoiar justamente naquilo que a França tem de mais representativo para “aos olhos do mundo”, que são os valores universais criados pela Revolução Francesa. Ela quer fazer que esta França ganhe as eleições.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 9pt; font-family: Arial;"&gt;Resta ver se a a maioria de seus compatriotas pensa como ela.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5645201292889689806?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5645201292889689806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5645201292889689806' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5645201292889689806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5645201292889689806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/05/nem-miterrand-ousaria.html' title='Nem Miterrand ousaria'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7100679477400983748</id><published>2007-05-02T08:30:00.000-07:00</published><updated>2007-05-02T09:41:19.842-07:00</updated><title type='text'>Emanuelle Béart, a inesperada</title><content type='html'>O showmício de 1º de Maio da candidata socialista Ségolène Royal também foi um momento preparado para artistas e personalidades francesas darem seu apoio público à candidata. Além dos cantores, personalidades do meio esportivo, cultural e político foram dar as caras para o público aglomerado no estadio.&lt;br /&gt;Curiosamente, entretanto, em uma das minhas tentativas de sair do lugar, acabei vendo dois casais, meio que discutindo o que iam fazer, depois de terem conseguido abrir espaço entre a multidão que se aglomerava na frente do portão.&lt;br /&gt;Para meu espanto,  entre eles, lá estava  a bela estrela francesa de cinema, Emanuelle Béart, com cabelos curtos e sem qualquer maquiagem, como pode ser vista no  grande filme   de André Téchiné, "Le Temoins".&lt;br /&gt;Estava tirando meu caderninho da bolsa, para tentar aproveitar a deixa, quando o grupo, depois de deliberar o que ia fazer foi para a porta, conversar com o jovem, responsável pela seleção de quem podia entrar naquele recinto seleto. Enquanto lá dentro começaram a fazer sinal para entrar, ela, aparentemente constrangida, repetia  "que não era necessário que eles entrasse".&lt;br /&gt;Acabaram entrando e partiram discretos, me meio aos jornalistas  aglomerados entrevistando  alguma personalidade qualquer.&lt;br /&gt;Em suma, Emanuelle entrou muda e saiu calada. &lt;br /&gt;Fui checar com a asseoria de imprensa a situação, pois sua chegada  me pareceu  completamente inesperada. E, ele, me confirmou. "Sim, não a esperávamos".&lt;br /&gt;A atriz é conhecida por seu engajamento político. É embaixadora pela Unicef e  assumiu a  luta contra o endurecimento das leis em relação aos imigrantes.  Em 1996, quando participava de uma manifestação em defesa dos "sans papier", como são conhecidos, foi despejada junto com eles de uma ocupação realizada em uma igreja de Paris.&lt;br /&gt;Curiosamente, entretanto,  a discreção de sua chegada foi tal, que seu apoio a Ségolène passou desapercebido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7100679477400983748?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7100679477400983748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7100679477400983748' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7100679477400983748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7100679477400983748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/05/emanuelle-bart-inesperada.html' title='Emanuelle Béart, a inesperada'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-6674732858983918061</id><published>2007-05-02T07:18:00.000-07:00</published><updated>2007-05-02T10:19:35.795-07:00</updated><title type='text'>O Maracanã fez falta no 1º de maio da Ségolène</title><content type='html'>O 1ª de Maio da candidata socialista foi comemorado com um showmicio, com diversos artistas populares franceses, no Estadio Charléty, do lado da Cité Universitaire e, mais precisamente do lado da Maison du Brésil, onde estou morando.&lt;br /&gt;Saí de casa pensando em ir a uma passeata organizada pelas centrais sindicais francesas, como é de praxe em todo o 1º de Maio.  Achava um programa importante, porque, afinal de contas, foram eles, os franceses, que inventaram essas passeatas para comemorar o Dia do Trabalhador.  Na época, lá pelo ano de 1886, fazer passeata era um negócio proibido. Tinha ocorrido a Comuna de Paris fazia pouco mais de uma década e a polícia devia aparecer para descer um cacete.  O que não impedia que fosse bastante festiva, talvez  até mais do que hoje em dia,  como detalha um texto clássico de Michele Perrot.  Para ilustrar essa relação entre proibido, contravenção e luta política, temos o exemplo "francês do Petard", bombinha que eles adoram jogar em "manifs gentiles", mas que também é o nome dado para aquele cigarro de cheiro adocicado bastante consumido no Posto 9 carioca.&lt;br /&gt;Como o showmicio da Ségolène era do lado da minha casa, achei por bem tentar entrar e ver como estava o clima.&lt;br /&gt;Uns vizinhos que encontrei na rua tinha desistido. Tinha um bolo de gente para entrar.  No caminho, vi que tinha a tal idefectível porta para a imprensa e, obviamente, apliquei a minha grande carteirinha internacional de jornalista.&lt;br /&gt;Entrei, pensando que,  que no mínimo, valia a pena ver como funcionavam esses bastidores de cobertura presidencial aqui na França.&lt;br /&gt;O problema é que acabei não conseguindo sair... Simplesmente o Stade Chaterly tem capacidade para 40 mil pessoas e devem ter ficado umas 20 mil fora... Uma hora a massa de gente entrou no corredor que dava acesso à sala de imprensa e eu simplesmente não pude sair...&lt;br /&gt;Mais tarde, quando já tinham conseguido empurrar a massa que queria entrar para fora dos portões, pude ver que inúmeros jornalistas estavam presos na multidão.  Tinham que se expremer, tentar passar os equipamentos por cima do portão, para poder entrar. Resolvi, prudentemente, ficar onde estava.&lt;br /&gt;O site do yahoo francês publicou que os portões se fecharam às 18 horas e um dos organizadores, Yvan Le Bolloch teve o papel ingrato de informar à multidão que  não dava mais para deixar as pessoas entrarem porque o estádio estáva abarrotado.  Vaiado pela multidão, ele resolveu brincar.  "Da próxima vez, vamos pegar o Maracanã, que será mais simples", disse ele. " fazendo referência ao "mítico" estádio do Rio de Janeiro".&lt;br /&gt;O curioso é que o estádio estava lotado somente para os "padrões de segurança" franceses. Até os que ficaram de fora puderam ver que ele não estava assim cheio até a tampa.  E o pior: mal  a candidata socialista começou a falar, uma pequena multidão começou um lento, mas indefectível movimento para sair do estadio,    demonstrando  que o discurso monocórdio da Ségolène não era bem a atração principal do programa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-6674732858983918061?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/6674732858983918061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=6674732858983918061' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6674732858983918061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6674732858983918061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/05/no-1-de-maio-da-sgolne-fez-falta-o.html' title='O Maracanã fez falta no 1º de maio da Ségolène'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-72480971084876563</id><published>2007-04-28T02:17:00.000-07:00</published><updated>2007-04-28T02:51:18.728-07:00</updated><title type='text'>Greves na Dinamarca</title><content type='html'>O que vocês achariam de uma greve na TV Globo? Um dia, dois sem TV porque os seus funcionários estão exercendo seu direito legítimo à greve? Pois é, desmbarquei na Dinamarca na quarta-feira, dia 25,  e o principal canal de TV deles, que é público, estava em greve.&lt;br /&gt;Obviamente, me lembrei que isso também ocorreu há cerca de uns 20 anos atrás, quando vivi aqui . Me dei conta  que apesar de todas as transformacões pela qual passou o mundo desde entao, a greve do canal de televisao continua a  fazer parte do calendário anual deles.&lt;br /&gt;No Brasil, uma greve na TV Globo seria, creio eu, o início de uma grande revolucao. Sinal verde para a tomada desse nosso  potente "Palacio de Inverno".&lt;br /&gt;Mas essa greve, na verdade, explica muito do que é esse pequeno país minúsculo, com 6 milhões de habitantes, a maioria dos quais detentor de um mastro de bandeira próprio, onde hasteam seu "pavilhão" nacional  toda vez que fazem aniversário ou alguma festa familiar importante.&lt;br /&gt;A Dinamarca é um país de tradicao igualitaria. Eles pagam cerca de metade do salario deles de impostos e, em troca, tem acesso a uma serie de servicos publicos de grande qualidade.&lt;br /&gt;É um pais capitalista, mas nao existe grande diferenca social.  O dono da multinacional Lego, cuja sede é em Billund, tinha aqui uma casa tao simples que nao chega aos pés de algumas casas de praia que a gente vê no Brasil. Obviamente que ele deve ter imóveis espalhados pelo mundo, mas aqui é simplesmente muito feio ostentar riqueza.&lt;br /&gt;Eles tambem tem uma tradicao imressionante de estabilidade. A Rainha Margarethe faz parte de uma dinastia que reina a Dinamarca desde o século X, que em  alguns periodos governou todo o território escandinavo, ou seja, também a Suécia e a Noruega.&lt;br /&gt;Eles eram os tais temidos vikings que dominaram parte da Inglaterra e da Franca (Normandia).&lt;br /&gt;Quando morei aqui, com um casal de professores primarios, entendi a diferenca entre ser socialista de discurso e de prática. Eles, enquanto sociais-democratas dinamarqueses, possuem uma maneira de se relacionar com o mundo, que revela no cotidiano sua opcão política.&lt;br /&gt;Na epoca, antes da queda do muro, era possível aprender tanto o russo como o inglês na escola secundaria, além obviamente de latin, alemão e francês.  Meu amigo e "irmão" dinamarquês fez uma viagem para a Russia, trazendo vários posteres com a esfinge de Marx, Lenin, etc.  Pediu para eu escolher qual eu queria e, obviamente,  preferi o velho Marx barbudo que foi parar, anos depois, no Alojamento do MST em São Paulo.&lt;br /&gt;Também acompanhei um debate acirrado entre os estudantes da minha escola. O movimento estudantil dinamarques estava organizando o que eles chamavam de Operacao Dagsverk.  Seria um dia de feriado da escola para que  os estudantes trabalhassem em algum lugar. O salário desse dia seria destinado para ajudar o povo nicaraguense e o então regime sandinista. A escola se dividiu em relacao ao objetivo para o qual  este dinheiro seria empregado. De um lado os conservadores, do outro os socialistas. O que mais me chamou atencao no debate é que foi a partir desse dia que eu descobri que os socialistas e os conservadores aqui nao se distinguiam apenas  ideologicamente. Eles se vestiam de maneira diferente. Nesse dia,  a opcao de esquerda acabou vencendo e eu adorei colaborar de algum modo com  a revolucao sandinista a partir da Dinamarca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-72480971084876563?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/72480971084876563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=72480971084876563' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/72480971084876563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/72480971084876563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/04/greves-na-dinamarca.html' title='Greves na Dinamarca'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-6206140942455932394</id><published>2007-04-23T15:55:00.000-07:00</published><updated>2007-04-28T02:16:18.908-07:00</updated><title type='text'>A direita dura e a fraqueza das esquerdas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O voto dos franceses deu vitória ao candidato da direita dura, Nicolas Sarkozy que vai enfrentar a candidata da esquerda light, Ségolène Royal. Serão portanto os votos que foram para o candidato dito de centro, Nicolas Bayrou, que ficou em terceiro lugar, com 18,55% dos votos os que decidirão esta eleição.&lt;br /&gt;Sarkozy é um animal político, fala bem em público e sabe manejar o imaginário de uma França aparentemente acossada por ameaças a sua suposta "identidade nacional". Filho de imigrantes húngaros, se notabilizou por sua política implacável contra os novos imigrantes. Em suma, não quer dar aos novos chegados os benefícios que sua família obteve ao escolher esse país para viver. Sua família fugiu do comunismo, portanto, tudo indica que ele não é de origem pobre como os milhares de sans-papier volta e meia humilhados por policiais em lugares públicos. Para não dizer que ele é contra todos os imigrantes, tem uma porta-voz de origem árabe de defende políticas de discriminação positiva ao estilo norte-americano.&lt;br /&gt;Ségolène, além de bonita, é provavelmente competente, mas fala muito mal em público e representa o partido de esquerda que fez as reformas que a direita queria fazer... Afinal, foi o Miterrand e seu Partido Socialista quem começaram as privatizações e as reformas liberalizantes da França.&lt;br /&gt;Derrota amarga, entretanto, sofreu a maior força de esquerda até a eleição de Miterrand, o Partido Comunista Francês, que não chegou a 2% dos votos nesse 1º turno. Mas pelo visto recebem também o troco por trocarem suas convicções claras por práticas neoliberais. Me contaram que eles participaram do último governo socialista e indicaram o Ministro dos Transportes que foi o responsável pela privatização das rodovias na França.&lt;br /&gt;Se a vitória de Sarkozy era esperada, a cifra, de mais de 30% dos votos, surprendeu. Entretanto, ao "lepenizar" o debate eleitoral, Sarkozy acabou tomando votos do líder da extrema-direita francesa, Jean Marie Le Pen, cuja passagem para o segundo turno das últimas eleições presidenciais, em 2002, traumatizou os franceses. Desta vez, em detrimento dos candidatos mais radicais, os partidários da esquerda resolveram apostar as fichas no voto útil &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em favor de Madame Royal"&gt;em favor de Madame Royal&lt;/st1:personname&gt;, a candidata que tinha mais chance de chegar lá.&lt;br /&gt;O candidato da "esquerda da esquerda" mais votado, o jovem &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Olivier Bensancenot, tem uma bela carreira pela frente. É carteiro de profissão e não deixou seu trabalho enquanto fazia campanha. Segundo alguns comentários, é o único que sabe fazer frente aos jornalistas, questionando as próprias questões colocadasa a ele e explicitando como essas questões conduzem a um certo tipo de resposta. Pelo visto, o rapaz é pedagógico e sua clareza garantiu que ele amealhasse mais de 4% de votos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Seu partido, entretanto, foi um dos que ajudou a naufragar a tentativa de construção de uma candidatura unificada da extrema esquerda, pois insistiu que todas as correntes assinassem um compromisso de que se a candidata socialista vencesse as eleições, eles não participariam do governo. Essa proposta causou uma cisão que aparentemente foi aproveitada pelos comunistas, mais treinados no aparelhismo, que acabaram conseguindo impor sua candidata Marie-Jorge Buffet. Foi neste contexto que José Bové acabou também saindo como candidato, aumentando ainda mais a lista dos indicados dessa tal “esquerda da esquerda”. Ele, entretanto, chegou aos míseros 1,32 % de votos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Como observam alguns analistas, o problema na França não é a direita. Ela está seguindo sua cartilha e suas convicções. Já a esquerda, &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;embora tenha capacidade de &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;protagonizar manifestações enormes como as do ano passado contra a precarização do trabalho dos jovens, &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;não consegue apresentar uma proposta, uma alternativa comum que vença o programa e a sedução da &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;direita em um pleito eleitoral. O jeito talvez seja esperar para ver se a França vai novamente encher suas ruas quando Sarkozy, balizado por uma possível vitória eleitoral, aplicar todo seu programa de governo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Em suma, o que este turno acabou demonstrando é a força de uma maioria silenciosa que, aparentemente indiferente, &lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;tem poder para eclipsar o barulho que a esquerda francesa soube, ao longo de sua história, colocar nas ruas. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-6206140942455932394?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/6206140942455932394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=6206140942455932394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6206140942455932394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/6206140942455932394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/04/direita-dura-e-fraqueza-das-esquerdas.html' title='A direita dura e a fraqueza das esquerdas'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7302627709946575900</id><published>2007-04-23T13:34:00.000-07:00</published><updated>2007-04-23T15:55:14.397-07:00</updated><title type='text'>As eleições na França -  Primeiro Turno</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Para um turista desavisado, o dia do 1º turno das eleições presidenciais francesas poderia passar por um domingo ensolarado qualquer de Paris. As feiras livres funcionaram normalmente, os parques estavam lotados, os restaurantes e bares cheios.&lt;br /&gt;Nada indicava nas ruas e espaços públicos que 84% dos franceses tinham comparecido às urnas batendo o recorde da V República (iniciada em 1958).  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Aqui o voto não é obrigatório, mas  as pessoas que não estão nos locais  em que são registradas  podem mandar uma procuração para alguém votar em seu lugar no dia da eleição.   Ou seja,  se você é registrado em outra cidade, ou mesmo em outro país,  seu voto vale do mesmo jeito, enquanto cidadão francês,  se você mandar uma procuração para alguém cumprir a sua vontade. Na tradição brasileira, onde  a compra de votos continua sendo um hábito rotineiro, essa prática é impensável. Mas aqui, pelo visto não ocorre a ninguém que o destinatário da procuração possa fazer mal uso dela. Sinais de uma democracia sólida, mas honestamente, ontem fez falta um burburinho eleitoral.  Só vi uma fila em uma escola e não havia sequer  boca de urna. O máximo que vi foi um cidadão ligando para um amigo para tentar convencê-lo a ir votar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O que de fato não tem aqui e não deveria fazer parte da nossa cartilha eleitoral é esse um mês de propaganda eleitoral gratuita na TV, que custa rios de dinheiros em maracutais , justificando mensalões e mensalinhos de todos os tipos, enchendo os bolsos de publicitários, marketeiros e aspones em um país repleto de miseráveis como o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt; &lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;&lt;br /&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7302627709946575900?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7302627709946575900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7302627709946575900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7302627709946575900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7302627709946575900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/04/as-eleies-na-frana-primeiro-turno.html' title='As eleições na França -  Primeiro Turno'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8839061316439318878</id><published>2007-04-08T02:55:00.000-07:00</published><updated>2007-04-19T13:44:55.349-07:00</updated><title type='text'>O cosmopolitismo e a onipresença da MPB</title><content type='html'>Cinema. Comédia francesa com cenário parisiense. Fim do filme. Qual a música? Ritmos bossa-novistas e sussurros musicais em francês.&lt;br /&gt;Manhã em supermercado. Rádio como fundo musical. Começa a tocar uma música, a introdução conhecida.  Chico Buarque, fim da década de 60.&lt;br /&gt;Pic-nic no Champ de Mars, ao lado da eterna Torre Eiffel. Ponto de encontro? Roda de capoeira.&lt;br /&gt;Pizzaria da esquina?  Sim. Tem que ter alguma perto da Cité Universitaire. Show de quintas e domingos? Grupo brasileiro. Samba. MPB.&lt;br /&gt;Carnaval parisiense?  500 anos de tradição? Sim, é o desfile do Boef Gras, ou seja um boi de verdade enfeitado é Abre-Alas, seguido por um grupo musical composto sobretudo por   instrumentos de sopro. Música alegre, mas sem ritmo.&lt;br /&gt;Mas atrás,  sucedem-se vários grupos de batucadas brasileiras de todos os tipos.&lt;br /&gt;Pois é, apesar da mania de unidade nacional, os franceses ainda não desenvolveram a técnica da  bateria unificada que torna tão impressionante o carnaval nas passarelas brasileiras . Mas, enfim, subimos a bela colina de Bellevile, tendo por horizonte a Torre Eiffel, e conseguimos brincar algum carnaval.&lt;br /&gt;Conta-se que no século passado o Carnaval de Paris era coisa muito chique. Bailes organizados para  a nata parisiense. A burguesia em ascensão queria ter manifestações culturais próprias, que lhe distinguisse da nobreza.  Assim,  aproveitou-se dessa tradição medieval para inventar seus suntuosos bailes de carnaval.  O desfile do Boi Gordo, no entanto,  volta e meia foi proibido tanto por monarquistas como republicanos.... E a periferia de Paris obviamente imitava o carnaval de sua elite, fazendo bailes que a elite parisiense adorava cheretar.&lt;br /&gt;Foi inclusive imitando essa festa da grande burguesia parisiense que o Carnaval, da forma como conhecemos, desembarcou no Rio de Janeiro... onde, até então, a festa mais popular era a do Divino.&lt;br /&gt;Esses são alguns dos exemplos da onipresença da música e da cultura brasileira em uma cidade altamente cosmopolita  como  Paris.&lt;br /&gt;Não precisamos ficar com saudades.  A música e a cultura do Brasil está onipresente nessa cidade, onde os brasileiros são a maioria dos imigrantes latino-americanos.&lt;br /&gt;Fui a um concerto de uma cantora brasileira.  Era seu aniversário e vários músicos presentes na platéia deram uma canja, tornando o concerto ainda mais  sofisticado.  Flauta, sax, um cantor norte-americano. Seus acompanhantes? Um grande violonista e um percussionista imaginativo, que usa  todo uma acomplado de instrumentos de percussão para dar conta de toda gama de ritmos que ele precisava tocar, do samba à bossa nova, do forró a um rock abrasileirado do Lenine. Impressionante. Fui parabenizá-lo no final, impressionada com sua habilidade.  Ele me agradeceu, observando: "E olha que eu sou um um francês puro."&lt;br /&gt;Estranhei a observação, mas pensei  cá com meus botões que ele talvez quisesse se justifucar. Apesar de ser um francês puro... eu posso, viu?&lt;br /&gt;Pois é, provavelmente a  grande marca cultural brasileira é o fato de a gente ter realmente se misturado em épocas de racismos fascistas. Além disso,  optamos por celebrar as manifestações culturais  de evidentes   raízes africanas no caldo  em que se formou  nossa identidade nacional.&lt;br /&gt;Afinal, o que é que pode diferenciar um brasileiro de classe média urbana socializado no mundo globalizado de hoje?&lt;br /&gt;A expressividade da África, já mestiçada no Brasil, que é celebrada  toda vez que jogamos um pouco de bebida para o santo e nos deixamos levar pelos vários tipos de batucadas marotas que foram sendo inventadas ao longo dessa  rica história musical.&lt;br /&gt;E Oxalá (que vem de uma expressão muçulmana... que tem obviamente o Ala no meio...) a gente continue deixando eles meio constrangidos por não terem se misturado tanto...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8839061316439318878?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8839061316439318878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8839061316439318878' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8839061316439318878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8839061316439318878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/04/o-cosmopolitismo-e-onipresena-da-msica.html' title='O cosmopolitismo e a onipresença da MPB'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-1440393915668567173</id><published>2007-04-07T15:39:00.000-07:00</published><updated>2007-04-07T16:09:47.238-07:00</updated><title type='text'>RER e a "revolução permamente"</title><content type='html'>RER são os trens suburbanos que cortam Paris. Como moro na Cité Universitaire e o ponto mais perto dela é um RER, sempre pego esses trens para ir e voltar para casa. A Cité ainda é dentro dos limites de Paris, mas a grande parte da população que circula no RER mora fora, nessas pequenas cidades que compõem o que no Brasil poderia ser chamado de a "Grande Paris".&lt;br /&gt;No RER andam, portanto, as pessoas que vivem na periferia,  que não querem ou não podem pagar fortunas para viverem em poucos metros quadrados parisienses, ou os  ploretários e  e imigrantes. Foi justamente nessa periferia de Paris, para onde afluiu boa parte do êxodo rural francês que o Partido Comunista fez muitos governos, sendo algumas cidades dessas regiões conhecidas como  "villes rouges", como Saint Denis, Montreuil, Bobigny.&lt;br /&gt;Nos fins de semana e durante a noite, qualquer programa costuma ser organizado em torno do horário do último metro ou do último trem.  Mas o metrô dentro de Paris recentemente passou a andar uma hora a mais no sábado à noite ou na véspera do feriado, o que significa que você ainda pode pegar um metrô 1:30  e chegar em casa tranquilamente, não importa quantas conexões você tenha que fazer.&lt;br /&gt;Já no RER o horário continua o mesmo. O meu último trem passa tipo 12:46 na estação bem central de Paris, Les Halles.&lt;br /&gt;Certa vez, voltando de uma festa, num dos últimos metrôs, escutei dois garotos conversando entre si sobre isso. Eles tinham acabado de dar de cara com a estação de trem fechada e estavam fazendo de tudo para ver se ainda conseguiam pegar algum trem. Eles comentavam entre si: " para a burguesia o metrô vai uma hora a mais, mas para os trabalhadores..."&lt;br /&gt;Hoje o trem estava atrasado e obviamente a estação foi enchendo. Quando chegou o trem, quem conseguiu entrar ficou espremido no vagão como em uma lata de sardinha. Entretanto, algumas garotas já levemente bêbadas e espremidas no vagão como eu, começaram a fazer piada da situação.  Uma delas, já meio levada pelos vinhos que tomou antes de pegar o trem, começou a cantar uma música popular, que tem em seus versos a expressã "revolução permanente". Foi a deixa para ela logo começar a frisar isso e descambar para o discurso político. "Vocês não acham que com o Sarkozy isso vai mudar, né?"&lt;br /&gt;Quem conhece a sisudez dos parisiense certamente imagina que esse fato não aconteceu em Paris. Mas foi o que eu vi:    jovens de diversas origens, esprimidos no vagão de um trem, fazendo piadas um com os outros.&lt;br /&gt;Estamos a duas semanas das eleições, e eu acabei vendo mais uma manifestação política estilo francês,  dessa vez no trem.  Em uma parada ela acabou conseguindo entrar no vagão e o pessoal de lá  pediu para ela cantar. Ela cantou de novo- para desespero de seus amigos -  fez seu pequeno discurso, e foi aplaudida. Tudo no clima levemente boêmio de um fim de sábado à noite...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-1440393915668567173?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/1440393915668567173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=1440393915668567173' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1440393915668567173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1440393915668567173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/04/rer-e-revoluo-permamente.html' title='RER e a &quot;revolução permamente&quot;'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-8747036553810118621</id><published>2007-04-02T02:23:00.000-07:00</published><updated>2007-04-02T05:19:41.312-07:00</updated><title type='text'>A panela de pressão e o direito à resistência</title><content type='html'>As duas últimas semanas foram marcadas por dois eventos relacionados com um aumento de um clima de tensão que envolve uma questão ainda muito mal digerida na França: ter se tornado o destino de grandes levas de imigrantes, muitos dos quais vivendo em situação irregular.&lt;br /&gt;Além das diferenças culturais, muitos desses imigrantes se tornam mão-de-obra barata, disputando postos de trabalho com os locais que, por outro lado, em geral, não estão dispostos a fazer esses trabalhos.&lt;br /&gt;A dificuldade que gerações sucessivas desses imigrantes encontram para se integrar plenamente na sociedade francesa faz aumentar cada vez mais a tensão, ao mesmo tempo em que as novas levas de imigrantes ilegais enfrentam frequentes situações de humilhação e prisão por parte das forças públicas, que empreendem hoje a política endurecida implementada por Sarkozy, a ponto de provocar o desabafo de alguns policiais que se sentem contrangidos de passarem a atuar não contra delinquentes, mas contra pacíficos e honestos pais de família&lt;br /&gt;A aparente cordialidade francesa em relação ao seu atual multiculturalismo, na verdade, esconde dois tipos bem claros de posição que se dividem entre os que apoioam o Sarkozy, Le Pen, e os que apoiam os candidatos de esquerda.&lt;br /&gt;Na terça-feira, dia 20 de março, um senhor chinês foi preso por um grande número de policiais, acompanhados de cachorros, enquanto se apressava para ir buscar um de seus netos em uma escola da região. A prisão, efetuada na frente de uma escola maternal, na Rua Rampal, indiginou os pais de outras crianças que se mobilizaram contra a detenção ostensiva e desnecessária, , tentando impedir inclusive com seus corpos diante dos carros, que ele fosse levado embora. Diante da reação dos pais, os policiais não hesitaram em partir para violência, usando inclusive gás lacrimogênio, que poderia ter atingido as crianças que saíam da escola naquele horário.&lt;br /&gt;Na sexta-feira da mesma semana, a diretora da escola maternal Valerie Boukobza, onde ocorreu o choque entre a população e a polícia, foi presa e interrogada para prestar explicações sobre sua atitude, correndo risco de sofrer um processo por obstrução do trabalho da polícia. Na frente da delegacia, pais, alunos da escola se protestavam contra a detenção da diretora e contra ações ostensivas desse tipo, muitas das quais ocorrem na frente das escolas públicas, humilhando simples e pacíficos pessoas, frequentemente na frente de suas crianças. O episódio com o senhor chinês havia sido o segundo da semana na mesma rua, diante das mesmas escolas.&lt;br /&gt;Na segunda-feira seguinte, dia 26, mais de mil pessoas , entre pais de alunos, professores, estudantes e representantes de associações como SOS Racismo e Rede de Educação Sem Fronteiras se reuniram na frente do reitorado de Paris (órgão responsável pela gestão das escolas) em protesto contra a detenção arbitrária da diretora da escola maternal Rampal na sexta-feira anterior. Valerie alegou ter tentado impedir a prisão do senhor chinês para cumprir com seu "dever de proteção das crianças e de seus pais", assim como por seu "direito a uma resistência pacífica a uma forma de opressão".&lt;br /&gt;Na terça-feira, dia 27, foi a vez da Gare du Nord servir de palco para um quebra-quebra após a detenção de um congolês que pulou a catraca para não pagar o transporte, foi pego pelos controladores, mas reagiu aos policiais. A ação dos agentes serviu para acender o estopim que poucas horas depois resultou na destruição de vitrines de lojas, saques e enfrentamento físico entre jovens e o batalhão de choque. A Gare du Nord é, na verdade, uma panela de pressão. Quem passa por lá todos os dias conta que existem grupos de jovens de diversas origens que se reúnem lá diariamente e provavelmente, afim de uma boa confusão, aproveitaram o aumento da temperatura para encenar mais uma batalha com a polícia. Nunca sei obviamente para que serve isso. Para que engolir essa isca que aumenta ainda mais o estigma desses protestos e desses grupos sociais? Obviamente que o efeito desse quebra-quebra nos jornais no dia seguinte já foi sentido em termos de campanha presidencial, aparentemente com pontos positivos para a política endurecida do Sarkozy, que curiosamente havia deixado seu posto no Ministério do Interior justamente no dia anterior ao quebra-quebra na Gare du Nord. O candidato, por sinal, também tinha uma viagem marcada para o interior da França no dia seguinte, que saía justamente dessa estação, tendo a oportunidade de dar suas declarações indignadas contra os baderneiros de sempre justamente no tal campo da "batalha".&lt;br /&gt;Em suma, a reação em apoio à resistência pacífica invocada pelos professores, pais de alunos e grupos organizados contra a crescente maré de prisões de imigrantes ilegais nas portas das escolas foi engolida pela bombástica atuação dos, talvez, "inocentes úteis" de sempre, expondo por outro lado, esse difícil e complexo processo de integração social e cultural que existe na França e nos demais países europeus em relação a essa nova maré de imigrantes pobres que vêm bater à sua porta em busca de melhores condições de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-8747036553810118621?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/8747036553810118621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=8747036553810118621' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8747036553810118621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/8747036553810118621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/04/panela-de-presso-da-imigrao-e-o-direito.html' title='A panela de pressão e o direito à resistência'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-3751553782025407646</id><published>2007-03-31T14:52:00.000-07:00</published><updated>2007-04-01T13:47:09.352-07:00</updated><title type='text'>O senso comum de esquerda francês e os judeus</title><content type='html'>Apesar do risco do Sarkozy ganhar as eleições, apesar de existir um Le Pen aqui, apesar de o regime de Vichy ter deportado, mais de 70 mil judeus, da estação de Drancy, é importante observar que Chirac, o presidente da direita francesa foi o único líder europeu que atendeu a reivindicação de seu povo e não enviou tropas para o Iraque.&lt;br /&gt;Gaullismo? Sim. É direita? Em termos franceses, sim. Mas em termos mundiais, essa turma tem um senso político que, por exemplo, em relação ao Blair, do trabalhismo inglês, tem uma enorme diferença. Em suma, eles têm um senso comum mais à esquerda. É claro que o Sarkozy é problemático, mas ele representa justamente aquele cara que chegou tarde (filho de imigrantes húngaros) e quer ser mais realista que o rei.... Esses são sempre complicados e perigosos.&lt;br /&gt;Uma das minhas experiências mais marcantes nesse sentido ocorreu por acaso, quando, em meio a minha busca infindável por um lugar para morar, acabei topando com uma manifestação típica de civismo à la francesa. Era um sábado cinzento. Saí do apartamento que fui visitar e resolvi caminhar ao léu pelas ruelas de um bairro muito interessante, perto do Pantheon. De repente caiu uma chuva danada e eu, sem sem sombrinha, me abriguei em uma parada de onibus. O trânsito estava meio esquisito, porque tinha uma manifestaçao de professores.O pessoal foi se aglomerando embaixo do abrigo e, entre eles, havia um senhor de idade. Todo mundo perguntava o que estava acontecendo, se o onibus tal ia passar, etc... E o tal senhor falou que o tal ônibus devia estar com dificuldade de passar porque o Pantheon estava aberto e todo mundo estava indo para lá : havia a homenagem aos franceses "justos entre as nações". Perguntei a ele do que se tratava e ele me explicou que eram os franceses que esconderam judeus durante a Segunda Guerra Mundial e a ocupação nazista. Resolvi então ir para lá e ver do que se tratava.&lt;br /&gt;O Pantheon é um predio imponente, em cima de uma colina. Foi construido para ser a igreja da padroeira de Paris, a Santa Genevivieve, ou seja Santa Genoveva... Mas durante sua construção, rolou nada menos do que a Revolução Francesa e, obviamente, os partidários dessa turma decidiram dar outro destino para o templo. A princípio, colocaram lá os restos do Rousseau e do Voltaire, mas durante quase 100 anos, entre Império Napoleônico, Restauração e os arroubos revolucionários franceses... volta e meia o tal prédio voltava a ser igreja... Até que o Victor Hugo morreu, era provavelmente a tal III República, e o pessoal definiu que o lugar ia ser para isso mesmo: ou seja, para servir de tumba para os heróis e grandes pensadores franceses - obviamente quando há algum consenso poíitico sobre eles.&lt;br /&gt;Em geral, o Pantheon é como qualquer museu daqui. Se paga para entrar e ver onde estão os restos do Russeau, Voltaire, Malraux, ... Mas nesse fim de semana, do dia 20 de janeiro, o Pantheon ficou aberto para o público. A homenagem começou com uma cerimônia oficial, no dia 18 de janeiro, quando foram homenageados esses mais de 2 mil franceses que salvaram judeus, sobretudo crianças, durante a ocupação nazista. Essa operação, altamente arriscada para a época foi empreendida, até por dois vilarejos inteiros, fora as pessoas que individualmente assumiram os riscos de fazer isso.&lt;br /&gt;O dia estava chuvoso e havia uma fila enorme para entrar no Pantheon. Fiquei surpresa de descobrir que os parisienses achavam isso um grande programa para o fim de semena. Havia uma instalação da cineasta a Agnes Varda, com fotos desses "justos da França", e um filme que representava algumas dessas histórias de solidariedade humana. Em meio à fila, vendo as pessoas aglomeradas, pegando chuva para fazer essa peregrinação cívica, fiquei pensando que tipo de povo é esse que sai de casa em um dia frio e chuvoso para fazer isso. Achei significativo. Depois entendi que alguns aproveitaram que estava de graça a visita a um lugar tão significativo como o Pantheon. Tem tanto museu em Paris. Muitos franceses devem aproveitar para conhecer os lugares quando eles estão de graça. Havia uma fila enorme para ver a tumba. Eu entrei na fila, sem saber seu destino e descobri que e ela levava até onde estão os restos dos heróis e intelectuais franceses. O objetivo da fila era justamente o lugar onde havia uma singela gravação homenageando esses os franceses "justos entre as Nações" que, na verdade, foram reconhecidos como tais em uma cerimônia em Israel.&lt;br /&gt;Tinha uma mulher na fila que me chamou atenção. Ela estava com três meninos e leu diligentemente o que estava escrito lá, explicando do que se tratava para os meninos, provavelmente meio desapontados de ver um troço tão sem graça depois de uma fila enorme. Ela contava a eles em voz baixa o quanto aquela homenagem aos "justos da França" era importante. Ela fazia questão de ensinar àqueles meninos essa história. Ela fazia questão de que eles incorporassem essa memória.&lt;br /&gt;Para aquela mulher, a visita era pedagógica. Ela queria ensinar àquelas crianças o que tinha acontecido e porque tinha que se celebrar aquelas pessoas que anonimadamente ajudaram seus próximos. Algumas delas foram presas por esse gesto. Não sei se houve execuções.&lt;br /&gt;Digam o que quiserem da França, mas é isso que eu admiro neles: sua história politica. Eles se debatem com seus conflitos internos, mas os evidenciam. A França teve esta história complicada de Vichy, seu colaboracionismo. Mas segundo os dados da exposicao, esses 2 mil justos da França conseguiram salvar dois terços dos judeus que viviam aqui.&lt;br /&gt;Na verdade, foi a Revolução Francesa quem primeiro concedeu o estatuto de cidadania para os judeus. Depois o Napoleão colocou isso em questão, fazendo-lhes uma sabatina, perguntando se eles defenderiam sua pátria, a França, se eles casariam com não-judeus, etc.&lt;br /&gt;O importante desse jesto do Chirac é que ao mesmo tempo que ele reconheceu a responsabilidade do Estado francês pela deportação dos judeus para os campos de extermínio, ele também promoveu essa celebração dos cidadãos franceses anônimos que conseguiram salvar milhares deles.&lt;br /&gt;Obviamente que aqui continua a haver anti-semitismo. Na madrugada  em que estava escrevendo este texto, 51 túmulos de um cemitário judaico em Lille foram profanados.&lt;br /&gt;Mas existe um gesto do Estado francês em levantar atenção sobre isso. Foi produto de um processo de luta alimentada por estudos, pois pelo que eu entendi, depois da Segunda Guerra, eles optaram "esquecer" como como o próprio regime francês da época colaborou com a tal "Solução Final" dos alemães. Tem que ter pressão política, mas também coragem para enxergar seus próprios podres, evidenciá-los e, quem sabe, expurgá-los Na véspera de assistir a esse ritual cívico, escutei em um bar um cara falando "da perigosa aliança dos judeus com os Estados Unidos".&lt;br /&gt;Mas é isso. Pelo menos aqui, tenta-se combater as xenofobias. Não que consigam, eles pelos menos tentam, debatem acaloradamente sobre isso.&lt;br /&gt;E populaçao se move, se mobiliza contra isso. E o Estado incorpora. Assume.&lt;br /&gt;A Dinamarca, que eu saiba, foi onde houve a história mais exemplar dessa época. O próprio rei dinamarquês comecou a usar a Estrela de Davi amarela imposta aos judeus como modo de lhes identificar. E diante do jesto de seu rei, o povo acabou ajudando centenas de judeus a escapar para a Suécia.&lt;br /&gt;Fiquei emocionada de ver essa homenagam à generosidade humana feita pelo pelo gesto civico daqueles cidadãos anônimos que homenagavam seus compatriotas, também anônimos, em um sábado chuvoso e frio de Paris.&lt;br /&gt;Essas memória, agora oficializada no Pantheon, também já estava gravada nas pedras dessa cidade. Existem placas em todas as escolas de Paris onde estudavam as crianças judias expatriadas para os campos de concentracao, assim como existem placas em todos os locais onde tombou algum francêsc durante a Resistência aos alemaes e a libertação de Paris. "Aqui tombou... pour la France no dia tal..."&lt;br /&gt;Em suma, em um país que chega ao ponto de produzir um grupo de historiadores, enraizados na Sorbonne, chamado "Comitê pela Vigilância dos Usos da História", pode existir a celebração, mas sempre um questionamento de si. Espero que eles sempre continuem assim. Sempre vai ser mais saudável para o mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-3751553782025407646?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/3751553782025407646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=3751553782025407646' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3751553782025407646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/3751553782025407646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/03/o-senso-comum-de-esquerda-francs-e-os.html' title='O senso comum de esquerda francês e os judeus'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-1511902531123539246</id><published>2007-03-26T11:56:00.000-07:00</published><updated>2007-03-31T14:51:51.506-07:00</updated><title type='text'>Dia 8 de fevereiro: 50 mil na rua e o silêncio</title><content type='html'>&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Estava saindo da aula no Boulevard Raspail, uma grande avenida que corta Paris, quando vejo o portão do prédio fechado. O zelador, não deixava ninguém entrar nem sair. E fora, uma passeata de estilo próximo ao que nós conhecemos no Brasil. Carinho de som, palavras de ordem, montes de panfletos e até a nossa conhecida e inestimável infra-estrutura de camelôs: no caso deles, trailers, vendendo uma espécie de churrasquinho e garantindo do que comer e beber para os manifestantes.&lt;br /&gt;Em suma, obviamente, resolvi acompanhar a tal da "manif", mal-disfarçando a minha emoção... Afinal quem gosta de passeata sabe do que se trata, e eu estava em uma que se desenvolvia no país que inventou esse tipo de mobilização. Ou seja, uma manifestação à la francesa, felizmente sem "Appellacion d'Origen Contrôlèe", como eles têm mania por aqui... e difundida em todo o mundo.&lt;br /&gt;Eram professores, funcionários públicos. Mais adiante, na esquina da Rua Rennes, percebo que vem vindo uma outra horda de manifestantes...Petards (bombinhas esfumaçadas e mal-cheirosas) para recebê-los... Eram os ferroviários. A manifestação ficou grande e eu resolvi encarnar meu hábito de jornalista para tentar descobrir do que se tratava.&lt;br /&gt;Os problema usuais desse mundo neoliberalizante: risco de privatização da empresa de gás, da companhia ferroviária, das escolas públicas. Segundo um ferroviário, Francis Joly, que trabalha em uma oficina de Les Laummes, a SNFC (companhia ferroviária estatal francesa) não está mais contratando o que na prática acaba desencadeando uma privatizacao branca, já que os estáveis estão se aposentando. Ele me explicou que a SNFC tem 160 mil funcionarios em toda França, mas perde uma media de 5 mil por ano. Ele trabalha em uma oficina que repara e contrói sinalizaçao para as ferrovias de todo país. Logo, como a falta de pessoal, eles começam a terceirizar o serviço para outras empresas.&lt;br /&gt;Os professores protestavam contra a diminuiçao de postos de trabalho nas escolas e contra o agravamento das condições de trabalho. Um dos manifestantes me contou que enquanto a corda se aperta no pescoço dos professores das escolas públicas, o Estado passou a facilitar a criação de escolas privadas. Como as escolas públicas são uma espécie de instituição básica da tal República Francesa - que tanto à direita como à esquerda se orgulha - uma mudança no estatuto das escolas publicas e nas condições de trabalho dos professores significa uma mudança brutal em termos de tradiçoes politicas deste pais.&lt;br /&gt;A mobilização também protestava contra a tentativa de privatizar a GDF(Gaz de France), acabar com o monopolio dos correios publicos para cartas com menosde 50 gramas, medidas que a nossa experiência própria já ensinou que representam aumento de tarifas e perda de qualidade dos serviços.&lt;br /&gt;Os manifestantes também me explicaram que, apesar dos "petards" tratava-se de uma manifestação "gentille" e não "offencive". Fui notando também que a tal manifestação que parecia estar terminando, na verdade não acabava nunca. Fui voltando algumas quadras para o prédio da École des Hautes Études, e ela continuava a passar. Lá, perguntei ao zelador porque ele mantinha o portão fechado. E ele me contou que a manifestação dos estudantes do ano passado, contra o projeto de lei que  precariza ainda mais o trabalho dos jovens, invadiu e deu uma boa danificada na "Ecole"... em suma, foi uma manifestação "offencive".&lt;br /&gt;Em meio a mais alguns petards o pessoal comemorou o anúncio do carro de som que a manifestação tinha alcançado a marca de 50 mil pessoas.&lt;br /&gt;Pelos meus cálculos meio treinados nessa área, realmente era muita gente. Podia ser mesmo 50 mil.&lt;br /&gt;Fui para Barcelona na mesma noite e contei da manifestação para duas jornalistas que encontrei lá, mal aterrissando na cidade. Elas ficaram espantadas.&lt;br /&gt;Todos os habitantes da zona euro têm em comum a perda do poder aquisitivo depois de adotada essa moeda. Tudo ficou muito mais caro. Os preços na Espanha em muitos casos se equipararam aos da França, mas os espanhóis continuam ganhando a mesma coisa.&lt;br /&gt;Mesmo para os franceses a situação ficou complicada. Alguns cartazes levados por manifestantes diziam "o Euro me matou". .&lt;br /&gt;Mas o que me espantou na verdade foi que  colocar 50 mil pessoas na rua é pouco para os padrões franceses.... É normal eles não ficarem sabendo dessas manifestações em Barcelona, o curioso foi que aqui em Paris essa manistação aparentemente passou em branco. Comentei sobre ela com muitas franceses e eles pareceram surpresos, não sabiam que tinha acontecido.&lt;br /&gt;Tudo bem que meu universo não é lá muito grande. Tudo bem que a vida cotidiana nos tome tanto tempo... mas 50 mil na rua passarem em branco???&lt;br /&gt;Na hora me lembrei de uma célebre passagem de um jornal francês do século XIX, citada por Patrick Champagne em um artigo publicado em seu livro "Formar Opinião:&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-LEFT: 141.6pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt;“Foram os jornais dedicados à política de todos os matizes que inventaram os Meetings e as Manifestações para espicaçar a curiosidade dos leitores e aumentar suas tiragens”&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-LEFT: 141.6pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt;“O meio de impedir as manifestações encontra-se menos no reforço da força armada do que na abstenção de notícias veiculadas por esta imprensa”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN-LEFT: 106.2pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="La Revue"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt;La&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt; &lt;i&gt;Revue&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt; dês travaux publics&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt; (22 de março de 1883).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;Em suma, não sei se já se tornaram tão cotidianas as manifestações de 50 mil pessoas em Paris que elas já não merecem mais tanta atenção... Ou se, na verdade, o espaço de visibilidade que dão para elas diminuiu a ponto de elas passarem de fato desapercebidas...&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;Em suma, a dúvida persiste. Como não estou merguhada na sociedade francesa, não posso avaliar o termômetro deles para isso. Mas os franceses com quem eu conversei se mostraram surpresos de não saberem desse fato.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;Já em Barcelona, eles ficaram impressionados com o fato. Tive, por acaso, a oportunidade de constatar que a contaminação das lutas na França tem, por sinal, sua história naquela região. A exposição em homenagem à "Primavera Repúblicana", realizada neste início de ano no Museu da Cidade de Barcelona, começava com uma gravação que reproduzia a Marselhesa cantada nas passeatas festivas que comemoravam a instauração da República nas terras catalãs, mais tarde tão castigadas pelas tropas franquistas.&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-1511902531123539246?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/1511902531123539246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=1511902531123539246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1511902531123539246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/1511902531123539246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/03/dia-8-de-fevereiro-50-mil-na-rua-e-o.html' title='Dia 8 de fevereiro: 50 mil na rua e o silêncio'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-5507531442098329253</id><published>2007-03-26T11:48:00.000-07:00</published><updated>2007-03-26T11:55:02.367-07:00</updated><title type='text'>um em cada três franceses confessa ser racista</title><content type='html'>Dado chocante. Saiu na semana passada, no Le Figaro (21/03/2007) Em suma, as coisas não são fáceis. É uma encruzilhada complicada. Vi um colóquio na semana passada onde um dos palestrantes disse que racismo é uma coisa que sempre existiu e sempre vai existir na Humanidade.&lt;br /&gt;Pensando bem é essa birra que temos com o Outro. O estrangeiro, o diferente, o que não usa mesmo tipo de roupa,  não gosta da mesma música, etc.&lt;br /&gt;Mas acho que desde a Segunda Guerra Mundial estamos, enquanto Humanidade, em um esforço mais ou menos institucional para retirar isso de nós.&lt;br /&gt;Tenho fé nesses esforços conscientes da Humanidade. Os passos vão devagar, mas alguns valores foram sendo estabelecidos e  por mais que às vezes nos sintamos à beira da barbárie... eles estão lá, ao menos na  denúncia, na memória.&lt;br /&gt;Por isso hoje as pessoas têm vergonha de se confessar racistas... Mas também é por isso que esse dado é tão impressionante&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-5507531442098329253?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/5507531442098329253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=5507531442098329253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5507531442098329253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/5507531442098329253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/03/um-em-cada-trs-franceses-confessa-ser.html' title='um em cada três franceses confessa ser racista'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-7775510771505769867</id><published>2007-03-26T00:38:00.000-07:00</published><updated>2007-03-26T01:03:11.233-07:00</updated><title type='text'>o debate político francês</title><content type='html'>Em plena campanha presidencial, a França vive uma contradição curiosa. Um dos candidatos mais fortes ao Eliseu é um senhor chamado Sarkozy, que endureceu a entrada de imigrantes na França, embora ele próprio seja  filho de um imigrante húngaro.&lt;br /&gt;Foi no debate do banlieu em Drancy que essa informação curiosamente chocante foi esgrimida por um descendente de argelinos, que vive aqui já na sua terceira geração.&lt;br /&gt;Ele perguntava em alto e bom som: "o que o pai do Sarkozy fez pela França? Meu pai, meu avô lutaram pela França e até hoje eu sou visto aqui como argelino. Não como francês! Quero perguntar para o Sarkozy o que o pai dele fez para França!&lt;br /&gt;Pois é, essa manifestação emocionada sintetiza claramente um dos  pólos desse debate.&lt;br /&gt;Um rapaz, Mustafá, que se apresentou como operário, emendou: "O problema dos franceses é acharem que todos eles descendem do Asterix, a identidade nacional francesa é o seu patrimônio de lutas! A Revolução Francesa! É o próprio Chirac ter se recusado a enviar tropas para o Iraque!"&lt;br /&gt;Uma das senhoras, presentes na mesa, francesa de inúmeras gerações, fez questão de frisar: "nosso patrimônio é a generosidade com que recebemos os estrangeiros". Um outro participante do debate criticou essa visão de que o povo francês é acolhedor, falando da dificuldade que os imigrantes italianos enfrentaram ao chegarem na França no século XIX.  Para ilustrar isso, ele também mencionou a deportação dos judeus, durante a Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;Com dados  na mão, Rashid, também participante da mesa, disse que 89% das empresas francesas discriminam imigrantes.&lt;br /&gt;Eis em suma, a encruzilhada por onde passa a França atualmente. Sua identidade nacional, construída no século XIX não dá mais conta da diversidade de sua população hoje.  Seu caminho é criar guetos comunitários como a luta pela discriminação positiva fez nos Estados Unidos ou mesmo na Inglaterra, onde as comunidades são reconhecidas, a luta contra o racismo avançou, mas cada grupo se fecha em sua própria cultura étnica, religiosa ou nacional? E o racismo não me parece ter diminuído muito...&lt;br /&gt;Como fazer a identidade nacional francesa arejar para receber essas influências culturais de seus imigrantes, há várias décadas vivendo na ex-metrópole, mas até hoje  vistos como não-franceses?&lt;br /&gt;Obviamente, este debate tem me feito pensar no que aconteceu no Brasil.  Na forma de integração assimilacionista, que chega de mansinho, contamina e produz alguma coisa outra e que se traduz pelo elogio da mestiçagem...sem obviamente resolver o problema da integração social... O fato  é que os imigrantes estrangeiros que vieram da Itália, Alemanha, Polônia, Japão, China, etc. comeram o pão que o diabo amassou, mas se dizem e são vistos como "brasileiros". Comeram, talvez menos pão amassado pelo diabo... porque a gente tem a tendência de celebrar o estrangeiro.  Recebemos eles às vezes tão de portas abertas que a revolução de 30 teve que decretar uma Lei obrigando as empresas brasileiras a contratar brasileiros. Tinha que ser no mínimo 2/3 da sua mão-de-obra. Sem a lei, elas só contratavam italianos e imigrantes em geral, mais treinados ao regime disciplinar industrial...&lt;br /&gt; Alguma coisa em um meio termo desse comportamento pode ser uma saída.&lt;br /&gt;No nosso caso, ainda continuamos com o desafio de incorporar a massa de brasileiros pobres aos benefìcios econômicos e sociais de uma sociedade verdadeiramente integrada socialmente...mas pelo menos, culturalmente, todos somos brasileiros, sem nenhum pingo de dúvida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-7775510771505769867?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/7775510771505769867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=7775510771505769867' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7775510771505769867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/7775510771505769867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/03/o-debate-poltico-francs.html' title='o debate político francês'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4446005476890498710.post-9145241682839623638</id><published>2007-03-24T18:28:00.000-07:00</published><updated>2007-03-24T18:43:45.010-07:00</updated><title type='text'>Drancy e a cultura política francesa</title><content type='html'>&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Drancy é a estação de trem da qual foram deportados mais de 70 mil judeus para os campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Hoje fui até lá, sem saber dessa triste memória, para assistir a um debate em um “banlieu” dos quentes daqui de Paris, que fica próximo dessa estação: Blanc-Mesnil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O dia estava chuvoso e frio. Era um aparente “programa de índio”, mas achei que valia a pena aproveitar a oportunidade para conhecer um dos cenários dos famosos levantes de novembro de 2005, onde uma amiga minha jornalista, edita um jornal local,  justamente o tema do debate de hoje.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sim, na época dos quebra-quebra e incêndios cotidianos, minha mãe exprimiu uma opinião lúcida e certeira que me deixou pensando alguns meses. Ela simplesmente achava completamente normal isso estar acontecendo: “as barricadas não começaram na França?” Pois bem, todo esse mal estar existente hoje em torno da imigração na Europa tinha que obviamente estourar aqui. Onde mais?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não por acaso, esse jornal, chamado “Vu d’ici” (Visto daqui), tem justamente o objetivo de mostrar o ponto de vista deles, dos moradores desse bairro popular, que vivenciaram um profundo mal-estar com a maneira como foram retratados pela mídia em geral durante os tais eventos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O jornal é bonito, bem editado e aberto a todo mundo que queira colaborar, expressar sua opinião ou descrever algo que considera importante. Obviamente, os textos passam por um copy-desk da redatora-chefe,  minha amiga, Marina da Silva.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas o debate de hoje foi muito mais do que o jornal. Simplesmente, vi encenado na &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;minha frente, com toda a sua força e através da voz de uma das populações mais desfavorecida desse país, um retrato muito claro do que é essa chamada “cultura política francesa”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apesar de todos os pesares, esse país onde três quartos de sua população ( que usa internet...) abre um livro todos os dias...tem muito o que ensinar...Sim, eles inventaram as barricadas e, felizmente, continuam em guarda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mais ou menos é esse mesmo o objetivo desse blog... dividir com quem se interessar, minhas impressões sobre esse “sejour” em Paris,  onde,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;além de aproveitar as bibliotecas e museus tenho por objetivo aprender com essa história... que pode ser de grande utilidade para o Brasil, afinal nessa área a gente anda em falta. Afinal, além da Revolução Francesa,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de 1848,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;da Comuna de Paris, eles tiveram justamente um maio de 1968.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Por outro lado, no meio do debate candente que eles estão vivenciando  sobre suas "minorias visíveis".. acho que podemos dar uma ajuda...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Obviamente,  somos os piores do mundo em integração social, mas na cultural, acho que desenvolvemos  uma receita mais ou menos interessante.&lt;/p&gt;Espero, através desse blog, justamente objetivar e costurar essas reflexões com a minha experiência "francesa".&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4446005476890498710-9145241682839623638?l=fazendocorrerorisco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/feeds/9145241682839623638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4446005476890498710&amp;postID=9145241682839623638' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/9145241682839623638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4446005476890498710/posts/default/9145241682839623638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fazendocorrerorisco.blogspot.com/2007/03/drancy-e-cultura-poltica-francesa.html' title='Drancy e a cultura política francesa'/><author><name>fazendo correr o risco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10568125056245271472</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_gzbLvnGk2O4/SqAw4Okm3tI/AAAAAAAAAAM/OXrxMGnyoQY/S220/deboralerrer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
